2016-02-21

Subject: Moderna experiência Milgram lança luz sobre poder da autoridade

Moderna experiência Milgram lança luz sobre poder da autoridade

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@ Nature

Mais de 50 anos depois de um controverso psicólogo chocar o mundo com estudos que revelaram a disponibilidade das pessoas para magoar outros em resposta a ordens, uma equipa de cientistas cognitivos levou a cabo uma versão actualizada das icónicas "experiências Milgram".

As suas descobertas podem oferecer algumas explicação para as desconfortáveis revelações de Stanley Milgram: quando seguem ordens, dizem eles, as pessoas sentem-se genuinamente menos responsáveis pelas suas acções, independentemente de lhes ser dito para fazerem algo maligno ou benigno.

“Se outros puderem replicar isto é uma grande mensagem”, diz o neurocientista Walter Sinnot-Armstrong, da Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, que não esteve envolvido no trabalho. “Pode ser o início de um entendimento sobre a razão porque as pessoas são capazes de magoar outros se coagidos, não a consideram uma acção sua.”

O estudo pode vir alimentar um longo debate legal sobre o equilíbrio da responsabilidade pessoal entre alguém que age seguindo instruções e o seu instrutor, diz Patrick Haggard, neurocientista cognitivo no University College de Londres, que liderou o trabalho, agora publicado na revista Current Biology.

As experiências originais de Milgram foram motivadas pelo julgamento do nazi Adolf Eichmann, que se defendeu alegando estar apenas a 'cumprir ordens' quando mandou judeus para a morte. As novas descobertas não ligitimam as acções malignas, enfatiza Haggard, mas sugerem que a desculpa ‘apenas cumpri ordens' revela uma verdade mais profunda sobre como uma pessoa se sente quando age de acordo com um comando.

Numa série de experiências na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, na década de 1960, Milgram disse aos seus participantes que um homem estava a ser treinado para aprender pares de palavras numa sala ao lado. Os participantes tinham que carregar num botão para aplicar um choque eléctrico de força crescente ao aprendiz quando ele errava. Quando o faziam, ouviam os seus gritos de dor mas na realidade o aprendiz era um actor e não havia choques verdadeiros. O objectivo de Milgram era perceber até onde as pessoas iriam se lhes fosse ordenado que aumentassem a voltagem.

Rotineiramente, uns alarmantes dois terços dos participantes continuavam a aumentar os choques, mesmo após o aprendiz ter ficado aparentemente inconsciente. Mas Milgram não avaliou os sentimentos subjetivos dos seus participantes à medida que eram coagidos a fazer algo desagradável. As suas experiências foram criticadas pelo engano que envolviam, não só porque os participantes podem ter ficado traumatizados mas também porque porque alguns podem ter percebido que a dor não era real.

As equipas modernas realizaram réplicas parciais e menos complicadas do ponto de vista ético do trabalho de Milgram mas Haggard quis descobrir o que os participantes estavam a sentir. Concebeu um estudo em que os voluntários infligiam conscientemente dor real uns aos outros e estavam completamente cientes dos objectivos da experiência.

Como as experiências de Milgram foram tão controversas, Haggard diz que “respirou fundo antes de decidir fazer o estudo” mas considera que a questão de quem tem a responsabilidade pessoal é tão importante para a lei que pensou que “valia a pena tentar fazer experiências boas para chegar ao cerna da questão”.

Nas suas experiências, os voluntários (que eram todas mulheres, como os responsáveis, para evitar efeitos de género) receberam €30. Aos pares, sentavam-se frente a frente a uma mesa com um teclado. Uma participante designada a agente podia carregar uma de duas teclas, em que uma não fazia nada.

Mas para alguns dos pares, a outra tecla transferia 5 cêntimos para o agente vindos do outro participante, designado a vítima. Para outros pares ainda, a tecla também aplicava um choque doloroso mas tolerável ao braço da vítima. Como as pessoas têm diferentes tolerâncias à dor, o nível de choque eléctrico foi determinado para cada indivíduo antes do início da experiência. Numa experiência, um experimentador ficou ao lado do agente e disse-lhe que tecla deveria carregar, noutra o experimentador afastou o olhar e deu ao agente livre arbítrio para decidir que tecla carregar.

Para examinar o 'sentido de agência' dos participantes, o sentimento inconsciente de que estavam no controlo das suas próprias acções, Haggard concebeu a experiência de modo a que o carregar de cada uma das teclas produzisse um som após algumas centenas de milissegundos e ambos os voluntários tiveram que avaliar a duração deste intervalo. os psicólogos estabeleceram que as pessoas percebem o intervalo entre uma acção e as suas consequências como sendo menor quando desempenham uma acção intencional devida ao seu livre arbítrio, como mover o braço, do que quando a acção é passiva, como quando o seu braço é movido por outros.

Quando lhes foi ordenado que carregassem numa tecla, os participantes consideravam a sua acção mais passiva do que quando tinham livre arbítrio, aí percebiam o tempo até ao som mais longo.

Numa experiência separada, os voluntários seguiram protocolos semelhantes enquanto elécrodos na cabeça lhes registavam a acividade neural através de electroencefalografia (EEG). Quando lhes ordenavam que carregassem numa tecla, os seus registos EEG eram mais suaves, sugerindo, diz Haggard, que os seus cérebros não estavam a processar as consequências das suas acções. Alguns participantes relataram posteriormente sentirem-se menos responsáveis pelas suas acções.

Inesperadamente, dar a ordem para carregar a tecla era suficiente para causar esses efeitos, mesmo quando essa acção não provocava danos físicos ou financeiros. “Parece que o sentido de responsabilidade é reduzido sempre que alguém nos ordena que façamos alguma coisa, seja lá o que for que nosdigam”, diz Haggard.

O estudo pode informar o debate legal mas também tem relevância mais abrangente para a sociedade, diz Sinnot-Armstrong. Por exemplo, as empresas que querem criar, ou evitar, o sentimento de responsabilidade pessoal entre os seus empregados podem usar estas lições.

 

 

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