2016-02-14

Subject: Escassez de água afeta 4 biliões de pessoas todos os anos

Escassez de água afeta 4 biliões de pessoas todos os anos

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@ Nature

No oeste dos Estados Unidos, disputas sobre a gestão do rio Klamath, que percorre desde o sul do Oregon ao oceano Pacífico através do norte da Califórnia, têm sido fonte de conflitos há gerações: os criadores de gado e agricultores querem a água para irrigação, as tribos nativas, ambientalistas, caçadores e pescadores querem deixá-la para apoiarem as populações de peixes e aves aquáticas. Todos os Verões as discussões disparam quando o nível das águas começam a baixar.

Mas até agora, a maioria das análises globais não teria classificado a bacia como sofrendo de escassez de água, uma situação definida pela retirada de mais água do que a que está disponível de forma mais sustentável. Isso acontece porque a análise tem sido feita numa base anual e o rio Klamath só tem pouca água nos meses de Verão.

Agora, dois investigadores criaram mapas que mostram a escassez global de água à escala mensal. Identificaram áreas, incluindo a bacia do Klamath, onde mais água é retirada do que a região consegue suportar de forma sustentável durante pelo menos um mês por ano. Mais de quatro mil milhões de pessoas, mais de metade da população do mundo, vive em áreas dessas, dizem Mesfin Mekonnen e Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente, Holanda. Pouco menos de quatro mil milhões dessas pessoas vivem em áreas de "escassez severa de água", onde se retira o dobro da água disponível de forma sustentável durante pelo menos um mês por ano. 

Este número compara-se com 1,7 a 3,1 mil milhões de pessoas identificadas nas avaliações globais feitas na base anual. A análise foi publicada na última edição da revista Science Advances.

Por cada localização, Hoekstra e Mekonnen estimaram a retirada mensal de água combinando dados sobre tipos de culturas, densidade populacional e evaporação, compararam os resultados com a quantidade de água disponível nos rios e lagos. Os investigadores assumiram que 80% da água precisaria de permanecer nos rios e lagos para suportar os ecossistemas. Se as pessoas começaram a beliscar essa reserva, então Mekonnen e Hoekstra classificaram a localização como em escassez de água para esse mês.

Para além de locais bem conhecidos por ser secos, como a Austrália e o Médio Oriente, o mapa identifica partes de África, México, sul da Europa, Turquia, Ásia central e norte da China como locais onde os períodos de escassez de água podem causar problemas mas também pode desencadear problemas para além desses locais e momentos em que a água doce escasseia. Por exemplo, muitas das importações europeias de alimentos e outros bens dependem de um abastecimento fiável de água na China, salienta Hoekstra.

O mapa pode ser visto como um guia para as instituições ambientalistas e de desenvolvimento internacionais que trabalham com a água, diz Jacob Schewe, investigador da água no Instituto Potsdam de Investigação dos Impactos Climáticos na Alemanha. 

Schewe concebeu mapas de escassez de água numa tentativa de prever de que forma as alterações climáticas afetarão o padrão e considera que, por exemplo, o norte da China, deverá ter mais zonas áridas à medida que o século avança. À escala local, a análise de Hoekstra e Mekonnen começa a definir que quantidade de água um dado local pode retirar de forma segura por mês, dados que os decisores podem usar para estabelecer limites e preços.

 utilização excessiva dos recursos hídricos tem consequências ecológicas: “Continuamos a conseguir obter água algures mas isso pode significar que a obtemos de um ecossistema realmente importante que seca e morre enquanto estamos a nadar na nossa piscina”, explica Schewe. De acordo com Matt Baun, coordenador da bacia do Klamath para o Serviço de Pesca e Vida Selvagem de Yreka, California, a utilização excessiva de água levou à morte de salmão juvenil e reduziu a quantidade de alimento e de águas abertas disponíveis para as aves migratórias nos refúgios de vida selvagem, levando a surtos de cólera aviária e botulismo.

Os que vivem em zonas classificadas como com escassez de água devem começar a pensar como se adaptar e mudar, refere Hoekstra. Na bacia do Klamath isto significou negociações entre antigos inimigos, que concordaram em retirar menos água do que pretendiam. O realizador Jason Atkinson relata este processo no documentário de 2015 A River Between Us.

 

 

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