2016-02-12

Subject: Pacientes com Parkinson treinados para reagir a placebos

Pacientes com Parkinson treinados para reagir a placebos

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@ Nature/Jan Van Der Vel/Reporters/Science Photo Library

Os neurónios de pacientes com doença de Parkinson podem ser treinados para responder de forma fiável a placebos, relatam neurocientistas italianos. O treino desaparece ao fim de 24 horas mas o efeito mostra que é possível reduzir a medicação necessária ao tratamento do Parkinson alternando medicamentos verdadeiros com injecções ou comprimidos inertes, refere o investigador de placebos Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim, Itália, que liderou o estudo.

Algumas poucas pessoas com doença de Parkinson respondem realmente de forma dramática a placebos mas a maioria não o faz. As pessoas que sofrem desta doença apresentam tremores característicos e rigidez muscular devido à morte gradual dos seus neurónios produtores de dopamina. Os sintomas são aliviados pela toma de medicamentos como a apomorfina, que activa os receptores da dopamina.

Para alguns problemas, como a dor e as perturbações imunitárias, os testes mostraram que é possível treinar as pessoas a reagir a placebos, apesar desta prática não ter ainda chegado aos cuidados clínicos. Benedetti e os seus colegas resolveram verificar se o mesmo efeito poderia ser possível em perturbações neurológicas.

Estudaram 42 pessoas com doença de Parkinson em estado avançado que iam receber eléctrodos implantados no cérebro para uma terapia conhecida por estimulação profunda do cérebro, que alivia os sintomas ao estimular directamente as zonas do cérebro afectadas. Essa cirurgia permitiu à equipa de Benedetti a oportunidade rara de medir a actividade de neurónios individuais do tálamo, uma região do cérebro que se sabe ser inibida pela falta de dopamina nos pacientes de Parkinson.

Durante a cirurgia, os participantes receberam uma injecção salina que lhes foi dito conter apomorfina. Esta não produziu resposta, a não ser que os pacientes tivessem sido pré-condicionados por já terem recebido uma a quatro injecções diárias do verdadeiro medicamento nos dias antes da cirurgia.

Esses pacientes responderam realmente à injecção salina: após a injecção os seus neurónios mostraram um aumento de actividade e a rigidez muscular reduziu-se (como avaliado por um neurologista que não foi informado do objectivo do estudo ou que tipo de tratamento os pacientes tinham recebido). Medindo a resposta dos neurónios individuais, diz Benedetti, provou-se que alterações no quadro clínico não podem ser explicadas por vício do paciente ou do examinador.

Quanto maior o número de injecções de apomorfina prévias, maior a resposta subsequente à injecção salina: se os pacientes tivessem recebido quatro injecções prévias “não havia diferença entre a resposta ao medicamento e ao placebo”, diz Benedetti. Os resultados não podem ser devidos a apomorfina residual pois o medicamento é virtualmente eliminado do corpo após algumas horas. As descobertas foram publicadas na última edição da revista The Journal of Physiology.

O treino, no entanto, é de curta duração: desaparece após, no máximo, um dia mas Benedetti espera que pode ser possível prolongar a memória do placebo nos pacientes dando-lhes medicamentos verdadeiros mais tempo.

O estudo é importante “pois é uma demonstração clara que a resposta clínica e a activação neuronal estão claramente associados e podem ser treinados”, diz Christopher Goetz, neurologista no Centro Médico da Universidade Rush em Chicago, Illinois. “Ainda que o tamanho do grupo seja pequeno, os resultados parecem convincentes”, acrescenta Tor Wager, neurocientista na Universidade de Colorado Boulder, que estudou os efeitos dos placebos no alívio da dor.

Os estudos de respostas imunitárias e dor, incluindo o trabalho de Wager, mostraram, em pequenos testes, que os efeitos placebo aprendidos podem persistir mesmo quando as pessoas sabem que estão a receber um medicamento falso.

Benedetti diz que apesar de ainda não ser claro se este “placebo honesto” poderia funcionar para o Parkinson, pode ainda ser possível usar placebos na prática clínica sem engano ao informar um paciente de que está a receber doses intercaladas de inertes e medicamentos reais.

Alberto Espay, neurocientista na Universidade de Cincinnati no Ohio que estudou os efeitos de placebos sobre a doença de Parkinson, diz que será importante verificar se os pacientes beneficiam realmente a longo prazo mas prevê que os placebos poderão, em último caso, ser usados na prática clínica, reduzindo a quantidade e o custo da medicação. Benedetti sugere que os placebos poderão também atrasar o desenvolvimento de tolerância aos medicamentos.

O que não é claro é de que forma o efeito funciona exactamente: Goetz pensa que poderá ser apenas uma resposta pavloviana, em que os pacientes condicionados pela experiência associam as injecções ao alívio dos sintomas.

Os estudos sobre placebos tradicionalmente têm-se focado numa ideia diferente: que um paciente responda a um placebo se tem expectativas positivas que o tratamento funcione. Wager sugere que o estudo de Benedetti, tal como outros, mostra que as associações aprendidas podem funcionar em conjunto com as expectativas positivas para causar alterações no cérebro.

 

 

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