2016-02-09

Subject: Microplásticos danosos para a fertilidade das ostras

Microplásticos danosos para a fertilidade das ostras

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@ Nature/Pascal Goetghelluck / Science Photo Library

As ostras que consomem os minúsculos pedaços de plásticos que abundam nos oceanos do mundo produzem descendentes em menor quantidade e menos saudáveis, sugere um estudo agora conhecido que vem alimentar as preocupações com o impacto desses materiais sobre a vida marinha.

Milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos, um cálculo recente sugere que em 2050, em peso, haverá mais plástico que peixe no mar, mas os investigadores estão cada vez mais preocupados com os efeitos dos minúsculos fragmentos de microplástico, com diâmetros inferiores a 5 milímetros, que se formam com a decomposição de objectos maiores ou usados na manufactura de produtos industriais, incluindo cosméticos e embalagens.

Arnaud Huvet, cientista na agência francesa de investigação marinha Ifremer em Plouzané, colocou ostras do Pacífico Crassostrea gigas em aquários com esferas de polistireno com micrómetros de diâmetro. Apesar de não existirem medições sobre a real concentração de microplásticos no oceano, diz Huvet, foi escolhida uma densidade de polistireno de acordo com estimativas prévias da encontrada na interface entre a água e o sedimento, onde as ostras vivem. 

Após dois meses, as ostras expostas ao plástico produziram menos e mais pequenos óvulos, espermatozóides menos móveis e menos descendentes do que os animais criados em água sem plástico. Os descendentes também cresciam mais lentamente, relatam os investigadores.

Já foi demonstrado que os microplásticos reduzem a fertilidade de outros animais marinhos, incluindo copépodes e dáfnias, mas este último estudo alarga o caso às ostras, diz Huvet.

A digestão das ostras pode ser perturbada quando comem o plástico, diz ele, e químicos perturbadores do sistema endócrino, que sabe afectarem o sistema reprodutor, podem estar a ser libertados das partículas de plástico.

A consciência dos danos biológicos causados pelos microplásticos ainda está na sua infância, comenta Tamara Galloway, ecotoxicologista na Universidade de Exeter, Reino Unido. Pelo contrário, há muita publicidade de aves marinhas e tartarugas sufocadas com pedaços maiores de plástico.

Galloway considera o estudo com as ostras “muito rigoroso" e acrescenta mais evidências dos efeitos negativos dos microplásticos, reforçando a necessidade de agir sobre o problema do lixo marinho. “O lixo antropogénico é algo que podemos alterar rapidamente se quisermos”, diz ela, como usar menos plásticos e ser mais cuidadoso na maneira como o lançamos para o ambiente.

As populações de ostras do Pacífico não estão em declínio, diz Huvet, mas o estudo sugere que o plástico pode ter efeitos a longo prazo pois as ostras são uma fonte vital de alimento para outras espécies. O que ainda não é claro, diz Huvet, é se os microplásticos que se acumulam nas ostras podem ser perigosos para os humanos que, em último caso, as comem.

 

 

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