2016-02-05

Subject: Painel académico americano dá luz verde à criação de embriões com três progenitores

Painel académico americano dá luz verde à criação de embriões com três progenitores

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@ Nature/Zephyr / Science Photo Library

A Administração americana para a Alimentação e Medicamentos (FDA) deverá aprovar os testes clínicos de uma técnica de terapia génica para criar embriões com material genético de três pessoas, referiram as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina. O objetivo deverá ser impedir que as mães transmitam perturbações incapacitantes ou fatais aos seus filhos.

A controversa técnica de terapia genética envolve a substituição de mitocôndrias defeituosas presentes nos óvulos da mãe por mitocôndrias de óvulos de uma segunda mulher que não seja portadora da doença. O objetivo é prevenir a transmissão de doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial mas as preocupações com a segurança da substituição e as implicações psicológicas e sociais da existência de crianças com três progenitores genéticos originaram uma pausa nos reguladores americanos. Para além disso, uma lei federal aprovada no ano passado impede a FDA de permitir qualquer teste desse tipo em humanos.

No seu relatório, o painel das academias sugere limitar os testes de substituição mitocondrial a embriões macho como precaução de segurança. A descendência masculina não será capaz de transmitir as suas mitocôndrias modificadas às gerações futuras pois uma criança recebe todas as mitocôndrias da mãe.

O relatório também delineia vários passos extra para monitorizar a segurança da substituição de mitocôndrias, incluindo fazer todos os esforços para seguir as crianças nascidas em resultado da técnica durante anos e partilhar os dados daí resultantes com a comunidade científica e com o público.

Se a substituição mitocondrial se revelar segura, poderá ser expandida a embriões femininos, refere o painel de aconselhamento.

A abordagem está em contraste completo com a do Reino Unido, que no ano passado aprovou a substituição mitocondrial sem restrições no sexo do embrião modificado. Alguns peritos em ética que aconselharam o governo britânico sobre as implicações da substituição mitocondrial defenderam que os riscos da técnica são mal conhecidos logo não há justificação para usar apenas um sexo para os quantificar.

Para Shoukhrat Mitalipov, especialista em biologia da reprodução na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon em Portland, a recomendação do painel de aconselhamento é uma vitória oca. A FDA encomendou uma análise académica de US$1,1 milhões em 2014, após Mitalipov se ter candidatado a realizar um teste clínico de terapia de substituição mitocondrial com embriões humanos mas o orçamento governamental do ano fiscal de 2016 contém linguagem que impede a FDA de aprovar qualquer tipo de candidaturas ao implante de embriões humanos modificados em mulheres.

A FDA diz que não comenta candidaturas individuais mas confirma que a lei abrange a transferência mitocondrial, mesmo que as modificações genéticas resultantes não possam ser passadas a uma terceira geração.

“O futuro parece muito incerto, quando comparado com alguns meses atrás”, diz Mitalipov, dadas as restrições incluídas no orçamento. Ainda assim, o seu laboratório está a começar a criar macacos tratados com substituição mitocondrial, na esperança de compreender de que forma esta modificação genética pode afetar as gerações subsequentes.

De uma forma inesperada, a legislação do orçamento de 2016 também obriga a FDA a nomear um comité independente, incluindo peritos de "instituições baseadas na fé", para rever o relatório das academias e relatar perante o congresso. A FDA refere estar a analisar o relatório e não comenta os seus planos futuros.

Jeffrey Kahn, bioético na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, que liderou o painel das academias, salienta que este incluía um perito religioso e considera que o relatório reflete uma análise bastante rigorosa de todas as questões.

Mas outros discordam das conclusões do painel. O novo relatório “apercebeu-se de todas as preocupações e saltou daí para que as coisas deviam avançar apesar disso”, diz Marcy Darnovsky, diretora-executiva da organização sem fins lucrativos Centro para a Genética e a Sociedade de Berkeley, Califórnia, que se tem oposto à substituição mitocondrial em humanos com base em questões éticas e de segurança.

Darnovsky gostaria de ver um acordo e legislação internacionais que proibissem técnicas que editam o genoma nuclear de embriões: “Eu teria mais fé no argumento se permitir esta tecnologia não abrisse caminho a formas mais preocupantes de edição da linha germinal."

 

 

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