2016-02-02

Subject: Cientistas aplicam microrganismos da mãe a bebés nascidos por cesariana

Cientistas aplicam microrganismos da mãe a bebés nascidos por cesariana

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@ Nature/Suhaimi Abdullah/ Getty Images

Os investigadores alteraram o microbioma de bebés nascidos por cesariana aplicando-lhes microrganismos retirados da vagina da mãe, relatam eles num estudo único à data da sua publicação na revista Nature Medicine.

O procedimento, testado em apenas quatro recém-nascidos, é uma tentativa para simular a exposição aos microrganismos que falta aos bebés nascidos por cesariana. Os bebés de cesariana têm um risco ligeiramente maior de desenvolver obesidade, asma e outras perturbações do que as crianças nascidas vaginalmente. Também existem diferenças entre as comunidades microbianas da sua pele, intestino e outras localizações, mas nenhum estudo estabeleceu uma ligação os problemas de saúde dos bebés de cesariana e a composição do seu microbioma.

“É algo que, em princípio, faz sentido evolutivo”, diz Rob Knight, microbiólogo da Universidade da Califórnia, San Diego, que participou neste trabalho. “Até muito recentemente, todos os mamíferos que sobreviviam à chegada a este mundo estavam basicamente cobertos pela comunidade vaginal da sua mãe.” O próprio Knight realizou o procedimento com a sua mulher após a cesariana de emergência da sua filha em 2011, apesar de não fazer parte de nenhum estudo.

Em alguns países, especialmente na América latina, as cesarianas são responsáveis por mais de metade dos nascimentos e “pensamos 'O que estamos a fazer a todos estes bebés nascidos sem as bactérias primordiais naturais?’”, diz Maria Dominguez-Bello, ecologista microbiana na Universidade de Nova Iorque, que liderou o estudo.

Em 2012, Dominguez-Bello começou a recrutar gestantes para o estudo e alistou 7 mulheres que tiveram parto vaginais e 11 que fizeram cesarianas, 4 das quais se submeteram à transferência microbiana. Imediatamente antes da cirurgia, o investigadores recolheram amostras dos microrganismos vaginais da mãe com gaze estéril. Dois minutos após o nascimento, esta gaze foi passada sobre todo o corpo dos recém-nascidos.

Os quatro bebés que receberam a transferência alojaram comunidades bacterianas da pele, intestino, anais e orais mais parecidas com as de bebés nascidos vaginalmente, quando comparados com bebés de cesariana que não sofreram o procedimento.

O artigo relata apenas diferenças observadas no primeiro mês de vida mas Dominguez-Bello refere que elas são duradouras. A sua equipa está a trabalhar num estudo de seguimento que analisa os efeitos do procedimento em cerca de 75 crianças após um ano: “Após um ano, posso dizer-vos de que forma o bebé nasceu com elevada precisão", diz ela.

Será muito mais difícil determinar se as transferências têm consequências sobre a saúde. Dominguez-Bello estima que a sua equipa precise de alistar cerca de 1200 crianças e segui-las durante pelo menos 3 a 5 anos para explorar se o procedimento conduz a algum tipo de diferença na composição corporal ou nas taxas de asma e alergias.

Alexander Khoruts, gastroenterologista na Universidade do Minnesota em Minneapolis, diz que será difícil perceber se as restaurações têm algum efeito na saúde mais tarde na vida. Diferenças sistemáticas entre mães que têm partos vaginais e cesarianas podem complicar qualquer interpretação, salienta Khoruts.

“Temo que algumas pacientes possam chegar às clínicas e começar a exigir este tipo de protocolo, que acho que ainda não está pronto para a ribalta”, acrescenta Khoruts. Mães que tentem faze-lo elas próprias podem, inadvertidamente, transferir infecções aos seus bebés, refere Josef Neu, neonatologista na Faculdade de Medicina da Universidade da Florida em Gainesville.

Dominguez-Bello recebe questões regularmente de mães sobre este procedimento e partilha o protocolo da sua equipa, que inclui testes para algumas infecções, como para o grupo B de Streptococcus, mas “digo-lhes que não sou médica e este não é um procedimento standard, logo não tenho capacidade para o recomendar".

Outras famílias não estão à espera de pesquisas conclusivas para tentar o procedimento elas próprias: “Por um lado, a ciência não está estabelecida ainda", diz Knight. "Por outro lado, comparada com outras opções que se pode fazer esta é muito natural pois tivesse o bebé nascido naturalmente e seria impossível escapar a cobrir o bebé com estas bactérias.”

 

 

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