2016-01-15

Subject: Declarado fim da propagação do ébola: 7 lições a tirar de uma epidemia devastadora

Declarado fim da propagação do ébola: 7 lições a tirar de uma epidemia devastadora

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@ Nature/Samuel Aranda/Panos

Após a morte de mais de 11 mil pessoas, foi hoje 14 de Janeiro declarado o fim da propagação do ébola na África ocidental, pelo menos por agora.

Funcionários da Organização Mundial de Saúde (OMS) referiram que não foram detetados novos casos na Libéria desde Dezembro. Dado que a Serra Leoa e a Guiné-Conacri já tinham sido declarados livres do vírus, esta declaração marca oficialmente o fim da cadeia de transmissão humana na região, que começou há mais de 2 anos.

“Detetar e quebrar todas as cadeias de transmissão foi um feito monumental”, disse a diretora-geral da OMS Margaret Chan, mas a epidemia pode não ter acabado de vez. A OMS alertou para a possibilidade de o vírus poder voltar a emergir, como aconteceu duas vezes na Libéria, depois de o pais ter sido declarado livre do vírus pela primeira vez em Maio passado.

A epidemia foi um dos maiores desastres internacionais de saúde da história, tanto pela sua duração sem precedentes, como pelo número de pessoas que infetou e matou. Ficam sete lições aprendidas pelos profissionais de saúde e pelo mundo em geral com este acontecimento.

1. O mundo não está equipado para lidar com crises internacionais de saúde pública, especialmente nos países mais pobres.

A epidemia emergiu na Guiné-Conacri em Dezembro de 2013 e cresceu até ficar fora de controlo devido à incapacidade dos governos locais e da OMS em conte-la ou dedicar-lhe os recursos adequados para a sua extinção. Apesar de muitos painéis internacionais de peritos terem apelado a reformas, pouco foi feito para consertar os sistemas internacionais de saúde cujo falhanço levou ao problema.

2. O equilíbrio de poder na saúde global foi alterado.

A OMS reconhece os seus próprios fracassos em relação ao ébola, que demonstraram como a organização foi incapaz de responder rapidamente a epidemias em crescimento rápido nos países em desenvolvimento. Ao lutar a epidemia da África ocidental, organizações não governamentais, incluindo grupos locais, grupos religiosos e os Médicos sem Fronteiras, suportaram a maior parte do fardo.

3. As infraestruturas médicas da África ocidental são extremamente frágeis.

Uns poucos prestadores de cuidados de saúde locais dedicados lutaram valentemente contra o ébola quando este emergiu pela primeira vez mas tinham recursos demasiado curtos. Muitos dos que lutaram contra a doença perderam a vida, o que agravou o problema e terá certamente impactos a longo prazo sobre a saúde na África ocidental, afastando recursos de frágeis ganhos em saúde maternal e infantil, deixando órfãos e deixando sequelas nos sobreviventes. O ébola e outras ameaças virais irão certamente voltar a emergir, sublinhando a importância do implantar recursos na região.

4. O estigma e o medo podem alimentar uma epidemia já de si mortífera.

Conceções inicias erradas que consideravam o ébola sempre fatal e impossível de tratar impediam as pessoas de procurar tratamento e permitindo a propagação da doença. A falta de uma comunicação clara sobre como conter o vírus e cuidar de forma segura dos doentes levou a que se propagasse entre os que foram leais e corajosos e suficiente para cuidar dos seus entes queridos. Os sobreviventes foram dos mais valiosos trabalhadores contra o ébola pois pensou-se que teriam algum grau de imunidade mas em muitos casos foram ostracizados pelas suas comunidades.

Países fora de África aumentaram os medos irracionais ao limitar as viagens internacionais e mantendo em quarentena prestadores de cuidados que regressavam.

5. Vencer o ébola exigiu que os prestadores de cuidados compreendessem a cultura local e deixassem a liderança aos líderes locais.

Os esforços de outros países colidiam frequentemente com a realidade no terreno, contribuindo para a propagação da doença. A falta de uma palavra para 'vírus' em algumas culturas locais, por exemplo, causou grande confusão, as pessoas ficaram bloqueadas em proibições de viagens e quarentenas e muitas famílias viram-se obrigadas a enviar entes queridos para locais de tratamento distantes. Líderes locais informados, chefes e líderes religiosos, educaram as comunidades de forma mais eficaz que os peritos estrangeiros bem intencionados.

6. Testes clínicos precisar de acontecer ainda mais depressa na próxima epidemia.

Os líderes científicos e os prestadores de cuidados de saúde organizaram-se mais rapidamente do que nunca para testar medicamentos e vacinas contra o ébola durante a epidemia e foram capazes de provar que uma vacina é eficaz mas atrasos burocráticos empataram muitos testes até que a epidemia passou o seu pico, pelo que ainda não existem resultados definitivos sobre se tratamentos experimentais como o ZMapp funcionam realmente.

7. Isto ainda não acabou.

Antes desta epidemia, poucos pensavam que um surto de ébola podia crescer a esta escala mas o aumento da urbanização e da conetividade alteraram esta dinâmica e de outras doenças infecciosas emergentes. O pessoal da saúde espera aumentar a vigilância da doença na África ocidental mas ainda não sabem de certeza que animais albergam o ébola na natureza logo é difícil prever onde ou quando surgirá o próximo surto.

Para além disso, existem outros vírus letais que podem causar tanto, ou mais, sofrimento como o ébola na África ocidental. Este surto demonstrou que o mundo é muito mais vulnerável a epidemias globais do que se pensava há 2 anos.

 

 

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