2016-01-14

Subject: Busca de reservatórios selvagens de ébola arranca à medida que epidemia se desvanece

Busca de reservatórios selvagens de ébola arranca à medida que epidemia se desvanece

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@ Nature/Pete Muller/National Geographic Creative

Com o fim oficial da transmissão do ébola na África ocidental antecipado para 14 de Janeiro, uma epidemia que matou mais de 11 mil pessoas em 2 anos pode estar a desvanecer-se mas isso não significa que vírus tenha desaparecido. Ele permanece escondido em reservatórios animais e voltará certamente a infetar humanos.

“Temos que nos focar no que potencialmente vai acontecer a seguir”, diz David Pigott, epidemiologista espacial na Universidade de Oxford, Reino Unido, e isso significa descobrir as espécies que são portadoras do ébola na natureza de modo a tentar prevenir surtos mortíferos no futuro.

No entanto, isso não é tarefa fácil. Desde que a doença primeiro emergiu no Zaire (agora República Democrática do Congo) há 40 anos, os esforços para detetar a origem dos surtos, incluindo o mais recente, têm sido frustrantemente ineficazes. Os gorilas e chimpanzés selvagens da África central sofrem ocasionalmente de surtos mas, tal como os humanos, são demasiado devastados pelo vírus para servirem como reservatórios naturais. Os peritos consideram que uma espécie reservatório será portadora do vírus em níveis baixos, sem adoecer com ele.

Os principais candidatos são várias espécies de morcegos da fruta da África ocidental e central, zonas onde todos os surtos conhecidos anteriores se originaram, que são frequentemente caçados como alimento. Um estudo de 2005 revelou material genético de ébola em morcegos da fruta do Gabão e da República Democrática do Congo e detetou anticorpos contra o ébola no sangue de outros. O vírus Marburg, um parente próximo do ébola, também se pensa ser transmitido por morcegos da fruta.

“Acredito firmemente que os morcegos da fruta são o reservatório do ébola”, diz Peter Daszak, ecologista de doenças e presidente da EcoHealth Alliance, uma organização conservacionista de Nova Iorque que planeia analisar várias espécies de morcegos na Libéria, em busca de sinais de infeção por ébola.

Outros investigadores acreditam que o foco nos morcegos é demasiado estreito: “As evidências a favor dos morcegos da fruta são as mais fortes mas ainda assim são fracas”, refere Fabian Leendertz, epidemiologista da vida selvagem no Instituto Robert Koch de Berlim.

Leendertz suspeita de outro tipo de morcego. Ele liderou uma equipa que procurou o origem deste último surto no início de 2014, poucos meses depois de uma criança no sul da Guiné-Conacri se ter tornado a primeira vítima humana. A equipa capturou dúzias de morcegos perto da aldeia da criança mas nenhum revelou sinais conclusivos de infeções com ébola. Ainda assim, evidências circunstanciais levaram os investigadores a suspeitar de que o culpado tivesse sido um pequeno morcego insetívoro que vivia numa árvore perto da casa da criança. Apesar de a árvore ter sido queimada antes da chegada dos investigadores, estaria cheia desses morcegos, segundo os aldeões, e as crianças brincavam frequentemente no seu tronco oco. 

Alguns investigadores aconselham um alargamento das pesquisas ainda maior: "Não acredito na história dos morcegos para o ébola de todo”, diz o virologista Jens Kuhn, do Instituto Nacional americano de Alergias e Doenças Infecciosas em Fort Detrick, Maryland. Ele pensa que os morcegos são demasiado abundantes e demasiado próximos dos humanos para explicar uma infeção que surgiu apenas duas dúzias de vezes nas últimas 4 décadas. “Deve ser um hospedeiro estranho, até artrópodes e fungos são possibilidades."

Outros ainda tencionam procurar em espécies mais familiares. A Agência americana para o Desenvolvimento Internacional planeia um estudo de 2 anos de animais desde roedores a gado e cães e gatos domésticos. Estes animais podem não ser reservatórios naturais do ébola mas podem contribuir para a sua passagem para os humanos, diz Dennis Carroll, diretor da Unidade de Gripe Pandémica e Outras Ameaças Emergentes da agência.

Mas com tantas interrogações sobre os reservatórios, alguns investigadores propõem que se abandone por agora a busca em organismos específicos e se siga uma abordagem mais holística que examine fatores ecológicos e antropológicos que sejam comuns às transferências conhecidas.

Tony Goldberg, epidemiologista na Universidade do Wisconsin–Madison, é um dos seus defensores. A sua equipa está a estudar como os caçadores de carne selvagem interagem com os ecossistemas selvagens para identificar fatores que possam estar associados à transferência de infeções zoonóticas como o ébola.

Barbara Han, ecologista de doenças no Instituto Cary de Estudos do Ecossistema em Millbrook, Nova Iorque, está a usar técnicas de aprendizagem de máquinas para prever que espécie de morcego tem maior probabilidade de transportar o ébola e vírus aparentados pois partilham fatores ecológicos comuns às espécies que se suspeita serem reservatórios.

A pesquisa sobre terapias para o ébola e vacinas recebeu uma injeção de financiamentos públicos e privados durante a epidemia e os cientistas que procuram o vírus na natureza esperam capturar o mesmo sentimento de urgência e apoio financiamento mas sabem que não será fácil. 

 

 

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