2016-01-11

Subject: Testes de terapias contra o ébola baseadas no sangue desapontam

Testes de terapias contra o ébola baseadas no sangue desapontam

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O primeiro teste clínico de transfusão de plasma sanguíneo de sobreviventes de ébola para pacientes infetados com o vírus revelou que o tratamento não reduziu o risco de morte mas os peritos consideram ser demasiado cedo para descartar a ideia como potencial terapia para o ébola.

"Os resultados são desapontantes", diz dis Ian Lipkin, virologista e especialista em surtos na Universidade da Colúmbia em Nova Iorque, que não esteve envolvido no estudo.

Desde Fevereiro de 2015, um consórcio internacional de investigadores recolheu plasma do sangue de sobreviventes de ébola e deu-o a 84 pacientes do Centro Donka de Tratamento do Ébola, gerido pelos Médicos sem Fronteiras em Conacri, a capital da Guiné-Conacri. Os investigadores esperavam que os anticorpos presentes no plasma dos sobreviventes tivesse um efeito protetor.

A administração de plasma convalescente é uma terapia há muito conhecida e muito aplicada no tratamento de doenças infecciosas como a difteria ou o sarampo no início do século XX. Caiu em desuso após a descoberta dos antibióticos e dos tratamentos antivirais, apesar de ainda ser usada para tratar algumas doenças como a febre hemorrágica argentina.

Apesar de a vacina contra o ébola se ter revelado um sucesso em testes clínicos no ano passado, a terapia continua a ser necessária pois não existem medicamentos eficazes contra o vírus, diz David Heymann, investigador de doenças infecciosas na Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres. À medida que o número de sobreviventes de ébola aumenta durante um surto, usar o seu plasma pode ser uma forma rápida e fácil de manter de combater a infeção. “É um estudo que tem que ser feito", diz ele.

Mas os resultados publicados na revista New England Journal of Medicine, mostram que a taxa de mortalidade de 31% no grupo tratado com plasma é pouco diferente da de 37,8% no grupo de controlo de 418 pessoas com ébola tratadas no centro nos 5 meses antes do início do teste. Após ajustes que têm em conta a idade e carga viral dos pacientes, os investigadores estimaram que a diferença entre os dois grupos era de apenas 2,6%, o que não é estatisticamente significativo.

Ainda assim, o teste mostrou que a terapia é segura, que os doadores estavam dispostos a dar plasma e que era possível organizar a infraestrutura médica necessária para a sua recolha, mesmo durante uma epidemia, diz Stephen Hoffman, perito em doenças infecciosas em executivo da companhia produtora da vacina da malária Sanaria de Rockville, Maryland. "É uma excelente demonstração do que os investigadores clínicos podem fazer nas circunstâncias mais difíceis."

Seria prematura eliminar o plasma convalescente como terapia para o ébola, diz Hoffman. Crianças e mulheres grávidas que receberam o plasma no teste tiveram taxas de sobrevivência espantosamente altas, salienta ele. Apenas uma de cinco crianças morreu no grupo tratado, comparado com 15 de 23 no grupo de controlo mas o teste tinha poucas crianças, o que torna impossível considerar o resultado estatisticamente significativo.

Ele e Lipkin sugerem que o plasma doado pode ter tido níveis insuficientes de anticorpos para proteger os pacientes. Não foi possível verificá-lo na altura pois não existe laboratórios na zona com classificação de biossegurança (BSL4) adequada necessários para realizar esses testes e o envio de amostras para outros locais do mundo atrasaria o teste.

Agora os cientistas enviaram amostras de plasma armazenado para um laboratório BSL4 em Lyon, França, onde ao longos dos próximos seis meses serão medidas retrospetivamente a correlação entre os níveis de anticorpos e a sobrevivência dos pacientes.

"Ainda há esperança de que tenhamos indicadores de eficácia", diz Johan van Griensven, investigador no Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, Bélgica, que lidera o consórcio. "O cenário provável continua a ser que o plasma convalescente funcione mas que sejam necessários níveis elevados de anticorpos."

Se fo este o caso, será mais eficaz recrutar dadores com níveis mais elevados de anticorpos no plasma, administrá-lo de forma mais concentrada ou dar aos pacientes maiores volumes de plasma. Nos testes guineenses, os pacientes receberam cerca de meio litro de plasma em duas doses.

A epidemia de ébola está quase terminada, se não existirem mais casos relatados, a Organização Mundial de Saúde irá declara o seu fim a 14 de Janeiro, pelo que os cientistas terão que esperar por outro surto para testar estas ideias. Os investigadores tinham esperança de também testar o plasma de sobreviventes de ébola em testes separados na Libéria e Serra Leoa mas apenas conseguiram recrutar nove pacientes logo tal não foi possível.

Um óbvio próximo passo, diz Heymann, seria extrair e concentrar anticorpos do máximo de amostras de plasma já recolhidas possível, para as ter já preparadas para testes em surtos futuros.

 

 

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