2016-01-10

Subject: Desacreditado mito de que os nossos corpos têm mais bactérias que células humanas

Desacreditado mito de que os nossos corpos têm mais bactérias que células humanas

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@ Nature/SUSUMU NISHINAGA/SCIENCE PHOTO LIBRARY

É frequente dizer-se que as bactérias e outros microrganismos presentes no nosso corpo ultrapassam o número das nossas próprias células cerca de 10 vezes mas afinal esse é um mito que deve ser esquecido, dizem investigadores israelitas e canadianos: a razão entre microrganismos residentes e células humanas é provavelmente um para um, calculam eles.

Um ' homem de referência', com 70 kg, 20 a 30 anos de idade e 1,7 metros de altura, contém em média cerca de 30 triliões de células humanas e 39 triliões de bactérias, referem Ron Milo e Ron Sender, do Instituto Weizmann de Ciência de Rehovot, Israel, e Shai Fuchs, do Hospital de Crianças Doentes de Toronto, Canadá.

Os números são aproximados pois outra pessoa pode ter metade ou o dobro das bactérias, por exemplo, mas estaremos sempre muito longe da razão 10:1 vulgarmente assumida.

“Os números são semelhantes o suficiente para que cada evento de defecação possa inverter a razão a favor das células humanas”, concluem eles delicadamente num manuscrito colocado para pré-publicação no servidor bioRxiv.

O mito da razão 10:1 persistiu desde uma estimativa de 1972 realizada pelo microbiólogo Thomas Luckey, que foi "elegantemente realizado mas provavelmente sem intenção de vir a ser generalizadamente citado décadas depois”, referem os autores do artigo. Em 2014, o biólogo molecular Judah Rosner, dos Institutos Nacionais de Saúde de Bethesda, expressou as suas dúvidas sobre a alegação dos 10:1, salientando que havia muito poucas estimativas boas para o número de células humanas e microbianas no corpo.

Milo, Sender e Fuchs decidiram voltar a estimar o número analisando um vasto leque de dados experimentais recentes presentes na literatura, incluindo a análise de DNA para calcular o número de células e imagens de ressonância magnética para calcular o volume dos órgãos. A vasta maioria das células humanas são glóbulos vermelhos, salientam eles.

Uma estimativa exagerada em particular no trabalho de Luckey está relacionada com a proporção de bactérias presente no nosso intestino. dizem Milo e colegas. Luckey estimou que o intestino contém cerca de 1014 bactérias, assumindo que existiam 1011 bactérias numa grama de fezes e aumentando proporcionalmente para o litro de volume do canal alimentar no seu todo, que se estende da boca ao ânus.

Mas a maioria das bactérias estão apenas presentes no cólon, que tem um volume de 0,4 litros, salientam eles, e medições recentes sugerem que existem menos bactérias nas amostras de fezes do que Luckey pensava.

Juntando todos estes tipos de cálculos, os investigadores obtiveram uma razão de células microbianas para humanas no homem médio de 1,3:1, com uma grande margem de incerteza. Milo recusou comentar o artigo pois está em fase de revisão para publicação numa revista científica.

“É bom termos uma nova estimativa para citar”, diz Peer Bork, bioinformático no Laboratório Europeu de Biologia Molecular em Heidelberg, Alemanha, que trabalha com o corpo humano e outros microbiomas complexos. “Mas não penso que tenha realmente qualquer tipo de importância biológica.”

 

 

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