2015-11-15

Subject: Custos sociais das emissões de carbono na ribalta

Custos sociais das emissões de carbono na ribalta

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@ Nature/George Osodi/Panos

Avaliar os custos dos danos causados pela libertação de uma tonelada de dióxido de carbono causador de aquecimento global para a atmosfera é um exercício extremamente complexo mas está longe de ser apenas um exercício puramente académico: nos Estados Unidos, por exemplo, as regulamentações propostas pelo governo devem ser consideradas em termos do que os seus efeitos custem em saúde e bem-estar das pessoas no futuro. 

Os economistas chamam a isto os custos sociais do carbono e muitos temem que as taxas prevalecentes, a estimativa média  usada pelo governo americano é de US$40 por tonelada, sejam demasiado baixas.

Esse receio deriva em parte de investigações que mostram que o aquecimento global pode ter efeitos económicos que vão para além dos melhor caracterizados, como a erosão da produtividade agrícola e os danos às infra-estruturas devido à subida do nível do mar. O tempo quente pode prejudicar subtilmente o crescimento económico por afectar as pessoas tanto como afecta as plantas: à medida que a temperatura sobe acima do seu valor óptimo, a produtividade pode declinar.

A relação entre a temperatura e a capacidade humana para produzir bens e serviços é um dos muitos potenciais tópicos de discussão do encontro do painel encarregado de rever o custo social do carbono organizado pelas Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina. O painel está a preparar um relatório preliminar analisando se o número do governo americano deverá ser ajustado para ter em conta a ciência apresentada na última avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, em 2014. Em termos práticos, a questão central é como um punhado de modelos de computador que calculam o custo social do carbono diferem e se capturam todos os potenciais danos que o aquecimento global pode produzir.

Sem acções para diminuir o aquecimento global, os rendimentos médios globais serão 23% menores em 2100 do que seriam num clima estável, de acordo com pesquisas publicadas na revista Nature. Os efeitos serão mais pronunciados nos países em desenvolvimento mais quentes, com alguns os mais pobres em perigo de ficarem pior no final do século do que já estão hoje.

“Com impactos globais desta dimensão, os custos sociais do carbono têm que ser muito superiores” do que as actuais estimativas, diz o autor principal Marshall Burke, economista na Universidade de Stanford na Califórnia.

Não é inteiramente claro porque razão a temperatura afectará as taxas de crescimento económico mas Burke cita pesquisas que sugerem que o calor afecta a cognição humana e reduz a produtividade laboral no exterior. Ele diz que até as perdas económicas a curto prazo devidas às temperaturas mais elevadas podem reduzir o investimento necessário para manter o crescimento económico: “Não podemos assumir que as pessoas não são sensíveis à temperatura", diz ele.

Um dos primeiros grandes estudos para documentar os efeitos da temperatura sobre o crescimento económico foi liderado por Melissa Dell, economista na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts. Publicado em 2012, analisou várias décadas de dados económicos e climáticos em 125 países e descobriu que uma subida de 1°C na temperatura média anual reduz o crescimento económico 1,4 % nos países pobres mas não encontrou impacto discernível nos países mais ricos. O estudo identificou efeitos a longo prazo na agricultura, actividade industrial e estabilidade política.

Frances Moore, economista ambiental na Universidade da Califórnia, Berkeley, e o seu co-autor Delavane Diaz, agora no Instituto de Investigação de Energia Eléctrica em Palo Alto, Califórnia, aplicaram as taxas de crescimento calculadas por Dell a um “modelo de avaliação integrado" que simula o aquecimento global e a actividade económica. Descobriram que os efeitos da temperatura aumentaram os custos sociais do carbono actuais para US$220 por tonelada.

“Se permitirmos que a temperatura afecte as taxas de crescimento então irá ter um efeito permanente na economia”, diz Moore. “Esses danos acumulam-se ao longo do tempo.”

Permanece pouco claro de que forma isso pode funcionar ao longo de décadas. Os estudos analisaram variações anuais mas a temperatura média tem subido sustentadamente ao longo de 50 anos, pelo que alguns peritos defendem que as pessoas poderão ser capazes de se adaptar ao novo regime.

Para alguns, a ideia de que a temperatura pode exercer um efeito tão poderoso sobre a economia traz à memória teorias com séculos sobre o 'determinismo climático' que foram usadas para explicar a razão porque os países nórdicos se desenvolviam mais rapidamente que os dos trópicos.

“Tinham sido refutadas há muito mas voltaram sorrateiramente à discussão”, diz Robert Mendelsohn, economista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. Ele considera os dados sobre temperatura e produtividade económica “muito suspeitos” e refere que a maior parte da investigação mostra que sectores económicos fora da agricultura não são sensíveis ao clima.

Chris Hope, modelador de política na Universidade de Cambridge, Reino Unido, que desenvolveu um dos três modelos usados pelo governo americano para estimar os custos sociais do carbono, diz que os cálculos estão cheios de incertezas relacionadas tanto com os impactos climáticos como com o crescimento económico. Ele quer ver se os estudos aguentam o teste do tempo antes de fazer ajustes: “São pesquisas muito interessantes mas precisam de ser avaliados adequadamente e só depois se verá.”

 

 

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