2015-11-13

Subject: Novas estirpes de meningite podem proliferar na sequência de sucesso de vacina

Novas estirpes de meningite podem proliferar na sequência de sucesso de vacina

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@ Nature/Monique Berlier/PATH

Uma infecção bacteriana mortal antes comum em África, a meningite A, foi praticamente erradicada garças a um esforço massivo de vacinação mas os investigadores e os profissionais de saúde alertam para outras estirpes mortíferas de bactérias meningocócicas que podem emergir, tal como aconteceu com vacinas contra outros tipos de bactérias.

A meningite A pode ainda regressar se os países africanos não cumprirem a vacinação contra ela regularmente devido a prioridades de saúde pública contraditórias.

A eliminação bem sucedida da meningite A, documentada numa série de artigos publicados na última edição da revista Clinical Infectious Diseases, pode já estar a permitir que outras variedades mortíferas se tornem dominantes, acrescenta Brian Greenwood, epidemiologista na Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

A bactéria Neisseria meningitidis foi em tempos responsável por surtos cíclicos de meningite numa faixa de 26 países, desde o Senegal à Etiópia, conhecida pela cintura da meningite. Entre 1996 e 1997, por exemplo, a doença atingiu mais de 250 mil pessoas e matou 10% delas. A bactéria pode infectar as membranas que cobrem o sistema nervoso central, levando a surdez, paralisia e ataques.

Mas desde que a primeira campanha de vacinação começou em 2010, 220 milhões de pessoas em 16 países receberam a vacina contra a meningite A, a MenAfriVac. A meningite A, em tempos a variedade (ou serotipo) dominante na região, praticamente desapareceu, tendo havido apenas um punhado de casos registados na cintura da meningite em 2013 e 2014.

A vacina parece oferecer uma imunidade duradoura aos vacinados e aos seus contactos, através da imunidade de grupo, mas a epidemia de meningite A deve regressar se a vacina não passar a ser uma rotina no esquema de imunizações dos recém-nascidos e crianças africanas, diz Marie-Pierre Preziosi, directora do Projecto da Vacina de Meningite da Organização Mundial de Saúde (OMS), cuja equipa fez as previsões de futuras propagações de meningite A.

A OMS aprovou a MenAfriVac para utilização de rotina este ano. O programa do Gana já recebeu luz verde e Preziosi espera que 8 a 10 países da cintura da meningite a introduzam nos seus programas de imunização para o ano. Mas prioridades de saúde pública competidoras, como a implementação de vacinas injectáveis contra a pólio e a complacência resultante do desaparecimento da meningite A, possam atrasar a introdução da MenAfriVac.

“Se não introduzirmos a vacina nos programas rotineiros de imunização, prevemos que haverá uma nova epidemia gigantesca em cerca de 15 a contar do início da campanha nesse país", diz Preziosi.

Outros, entretanto, estão de olho no comportamento de outros serotipos. Nos primeiros seis meses deste ano, os surtos de meningite C foram responsáveis por 12 mil casos da doença e 800 mortes na Nigéria e no Níger, números invulgarmente altos para esse serotipo nesses países, salienta Greenwood. “Terá alguma coisa a ver com a vacina ou não? Acho que é uma questão em aberto.” Mark Alderson, director dos projectos de vacinas pneumocócicas e miningocócicas polivalentes na PATH de Seattle, Washington, concorda que a possibilidade é uma preocupação.

Para o investigar, a equipa de Greenwood está a caracterizar as bactérias meningocócicas que colonizam as vias nasais de cerca de 3 a 4% das pessoas de países da cintura da meningite, como o Chade. A grande maioria de mesmo uma percentagem tão pequena nunca irá desenvolver meningite mas Greenwood espera detectar serotipos a emergir em resposta ao desaparecimento da meningite A. Até agora, apenas serotipos relativamente inofensivos se estabeleceram mas isso pode mudar: “Estes microrganismos vão reagir, mudam muito rapidamente e trocam facilmente o seu DNA.”

Os profissionais de saúde esperam que se as novas estirpes de bactérias meningocócicas  emergirem, os investigadores apresentem rapidamente uma vacina que as combata. Os testes clínicos começarão no próximo ano para uma vacina contra a meningite pentavalente que ataca a meningite A e C e 3 outros serotipos que se sabe causarem a doença, diz Alderson. Ele espera que esta vacina esteja disponível em 2021: “Esta é a vacina que poderá potencialmente eliminar todas as doenças meningocócicas desta zona do mundo."

 

 

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