2015-11-06

Subject: O platelminte que virou tumor

O platelminte que virou tumor

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@ Nature/Carolina Biological/Visuals Unlimited/Corbis

Um verme platelminte que infetou um homem colombiano depositou células malignas no seu corpo que se espalharam da mesma forma que um cancro agressivo, relatam os investigadores sobre um caso bizarro mas não sem precedentes.

“Temos uma situação em que um organismo estranho se desenvolve como um tumor e não como um organismo”, diz Peter Olson, parasitologista do desenvolvimento no Museu de História Natural de Londres. Ele faz parte de uma equipa que descreveu o caso na revista New England Journal of Medicine.

As células aparentemente cancerígenas foram examinadas pela primeira vez em 2013 por investigadores do Centro para o Controlo de Doenças e Prevenção (CDC) em Atlanta, Georgia. Elas provinham de um homem colombiano de 41 anos com HIV, que estava doente há anos quando procurou ajuda médica em Janeiro de 2013. Os médicos colombianos descobriram que tinha um sistema imunitário comprometido, tinha sido infetado pelo platelminte Hymenolepis nana e pequenos nódulos de células semelhantes a tumores nos pulmões e nódulos linfáticos. Foram eles que enviaram as amostras de tecidos para o CDC.

Ao microscópio, estas amostras revelaram células de forma estranha que, como um cancro, pareciam estar a invadir o tecido saudável vizinho, descobriu a equipa do CDC. No entanto, as células testaram negativo para proteínas humanas, o que era um quebra-cabeças: apesar de os investigadores americanos saberem da infeção do platelminte, as células invasoras não pareciam pertencer a um organismo multicelular complexo como ele.

Tragicamente, em Maio de 2013, o paciente sofreu paragem renal e morreu. Uma equipa liderada pelo patologista do CDC Atis Muehlenbachs examinou o DNA das células invasoras e determinou que pertenciam a um platelminte. A sequenciação do seu genoma revelou que as células transportavam mutações particulares que, nas células humanas, estão associadas a tumores.

Os tumores derivados de platelmintes são extremamente raros, diz Olson, que documentou um punhado de outros casos em pacientes cujos sistemas imunitários estavam comprometidos.

Olson acredita que as células tumorais de platelminte são larvas perdidas que ultrapassaram a parede do estômago e se instalaram nos nódulos linfáticos de pessoas imunocomprometidas pois um sistema imunitário saudável impedirá esta invasão. As larvas estão carregadas de células estaminais regenerativas mas em vez de se transformarem num verme adulto, proliferam. “Estas células estaminais que normalmente dariam origem a um verme segmentado não o fazem pois estão no lugar errado e recebem as pistas ambientais erradas", diz Olson.

Alguns dos casos em que Olson trabalhou envolvem esta espécie de platelminte, única entre milhares de outras por não precisar de um hospedeiro intermédio para infetar o Homem. Normalmente, os seus ovos são expelidos pelo hospedeiro e amadurecem num invertebrado, antes de serem novamente transmitidos a um hospedeiro vertebrado.

Elizabeth Murchison, geneticista molecular na Universidade de Cambridge, Reino Unido, considera o caso espantoso. Apesar de não haver evidências de que as células proliferativas do verme poderem ser transmitidas entre humanos, Murchison (que estuda células tumorais que podem propagar-se entre animais) coloca a hipótese de células proliferativas de outros parasitas poderem ser infeciosas.

“Este artigo é tremendamente importante pois apresenta a existência de um novo processo de doença, que pode ter sido pouco notado até agora", diz ela.

 

 

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