2015-11-01

Subject: Dietas pobres em gordura têm pouco impacto

Dietas pobres em gordura têm pouco impacto

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@ Nature/Tina Fields/Getty

Uma análise de 53 estudos sobre perda de peso que incluíram mais de 68 mil pessoas concluiu que, apesar da sua popularidade, as dietas pobres em gordura não são mais eficazes que as dietas com maior teor de gordura para uma perda de peso a longo prazo.

Globalmente, nenhum dos tipos de dieta funciona particularmente bem: um ano depois de terem iniciado as dietas, os participantes nos 53 estudos estavam, em média, apenas 5 kg mais leves.

“Isso não é impressionante”, diz Kevin Hall, fisiólogo nos Institutos Nacionais de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais em Bethesda, Maryland. “Todas estas receitas de dietas parecem ser relativamente ineficazes a longo prazo.”

O estudo, publicado na revista The Lancet Diabetes and Endocrinology, vai contra décadas de conselhos médicos e vem somar-se a um crescente consenso de que o impingir dietas pobres em gordura foi mal direccionado.

São estas novas descobertas uma surpresa?

As vantagens das dietas pobres em gordura têm estado em debate há muito. “Há décadas que as dietas pobres em gordura têm sido apregoadas como a forma de perder peso mas a obesidade tem aumentado”, diz Deirdre Tobias, autora principal do estudo e epidemiologista no Hospital Feminino de Brigham em Boston, Massachusetts. “Parecia evidente que as dietas pobres em gordura não eram o caminho a seguir.”

Alguns dados clínicos têm apoiado esta observação mas a investigação de Tobias é única tanto pela sua dimensão como pelo objectivo: o estudo focou-se apenas nos resultados a longo prazo das dietas e também teve em conta ao grau de rigor das dietas, diz Hall, que não esteve envolvido no trabalho.

Os resultados não revelaram diferenças estatisticamente significativas entre as dietas pobres e ricas em gorduras no seu global, e apesar de haver um ligeiro benefício nas dietas mais ricas em gorduras que também eram pobres em carbohidratos, Hall diz que essa diferença, que corresponde a cerca de 1 kg, é clinicamente insignificante.

Mas as lojas continuam cheias de alimentos que apregoam ser pobres em gordura. Ninguém percebeu a mensagem?

Os alimentos processados, os programas de culinária e até alguns médicos continuam a impingir as dietas pobres em gordura para perda de peso mas Tobias espera que isso comece a mudar.

Nos Estados Unidos, uma importante revisão pode surgir ainda este ano quando o Departamento da Agricultura americano publicar a sua actualização das directrizes dietéticas, que determinam tudo, de aconselhamento médico a refeições escolares. No início deste ano, um relatório científico para a agência recomendou a erradicação dos limites sobre o consumo diário de gorduras.

Mas por que razão a gordura foi considerada culpada em primeiro lugar?

Não importa de que dieta se trata, a chave para a perda de peso é queimar mais calorias do que as ingeridas. As gorduras contêm mais do dobro de calorias por grama do que as proteínas ou os carbohidratos. Parecia lógico, na altura, que reduzir as gorduras seria uma forma de reduzir as calorias no total, diz Hall.

Ninguém sabe de certeza porque esta estratégia falhou, diz Tobias, mas frequentemente essas gorduras foram substituídas por carbohidratos, que deixam as pessoas de dieta menos satisfeitas e mais dadas a petiscar.

Então a gordura está de volta ao menu?

No que diz respeito à perda de peso, o estudo sugere que não há necessidade de limitar as gorduras saudáveis (como as insaturadas presentes nas azeitonas, abacates e peixes gordos) mas não lidou com outras preocupações de saúde e as gorduras saturadas continuam a ser associadas problemas cardíacos e enfartes.

Por que razão todas as dietas têm tão maus desempenho a longo prazo?

As pessoas de dieta tendem a ser muito rigorosas com a dieta no início mas rapidamente revertem para os seus hábitos antigos, diz Hall. Em cerca de 6 meses, quem faz dieta já atingiu o seu peso mais baixo mas estão novamente a consumir praticamente as mesmas calorias que quando começaram a dieta. A partir daí começam a recuperar o peso.

Estudos que analisam indicadores psicológicos de ingestão de calorias mostraram que este padrão global de alimentação se mantém, mesmo quando quem faz dieta relata continuar a cortar calorias.

Isso significa que fazer dieta não ajuda na perda de peso?

Não necessariamente. Os dados relatados nestes estudos são médias, alguns dos inscritos nos estudos perderam provavelmente um bom peso, enquanto outros aumentaram: “Há algumas pessoas que podem perder peso e mantê-lo com base numa dieta pobre em carbohidratos ou gorduras”, diz Hall. “Não sabemos à partida quem vai ter mais sorte.”

Os nutricionistas estão a começar a mudar o seu foco de nutrientes para o padrão global de alimentação. A dieta mediterrânea, por exemplo, defende um menu repleto de frutas e vegetais.

É uma mensagem de saúde pública mais complexa, e mais difícil de estudar em testes clínicos, mas Tobias pensa que em última análise as dietas serão personalizadas. “Não me parece que se possa dizer simplesmente que nenhum tipo de dieta seja eficaz.”

 

 

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