2015-10-26

Subject: Falta de adequação ao parasita explica mau desempenho da principal vacina da malária

Falta de adequação ao parasita explica mau desempenho da principal vacina da malária

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@ Nature/Joseph Okanga/Reuters

Uma vacina contra a malária que desapontou nos testes clínicos teve dificuldades em parte porque imita uma estirpe do parasita que geralmente não se encontra em África, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista New England Journal of Medicine (NEJM).

A descoberta surge na semana em que um comité de conselheiros para a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou a utilização da vacina, conhecida por RTS,S, apesar do seu desempenho modesto. Essa decisão crucial foi seguida atentamente pela farmacêutica londrina GlaxoSmithKline (GSK) e pela Fundação Bill & Melinda Gates de Seattle, Washington, que em conjunto aplicaram US$565 milhões no desenvolvimento da vacina ao longo de 28 anos.

O artigo da NEJM sugere que a vacina será mais eficiente se for modificada para se adequar a várias estirpes do parasita da malária. Apesar de isso ser bem-vindo, diz Joe Cohen, biólogo molecular que trabalhou com a GSK na vacina desde a sua concepção em 1987, efectivamente criaria uma nova vacina que levaria outros "10 a 15 anos a desenvolver". Durante esse período de tempo, acrescenta ele, centenas de crianças morrerão de malária por dia, pelo que, em vez disso, Cohen está focado na decisão de usar esta.

Um componente chave da vacina RTS,S é um fragmento de uma proteína encontrada na superfície do parasita da malária Plasmodium falciparum, chamada proteína circunsporozoíto (CS). Pessoas injectadas com a vacina desenvolvem uma resposta imunitária contra a proteína CS, que as equipa posteriormente contra os parasitas se forem picadas por um mosquito infectado.

Mas diferentes parasitas têm proteínas CS ligeiramente diferentes e os investigadores que primeiro criaram as vacinas do tipo RTS,S há quase 3 décadas não tinham as ferramentas para detectar a extensão desta variação ou as suas consequências. O último estudo usa sequenciação de DNA de última geração para analisar os parasitas que infectaram 5 mil crianças que participaram nos testes clínicos da GSK na África subsaariana. Menos de 10% desses parasitas tinham a proteína CS que correspondia à usada na vacina RTS,S, descobriram eles.

A vacina impedia alguns casos de malária em pessoas com uma cópia desadequada mas funcionava muito melhor nas crianças com a cópia exacta. “Se se tratasse de uma cópia perfeita, a eficácia da vacina ao longo de um ano teria sido, pelo menos, 50% superior”, diz Dyann Wirth, investigador de doenças infecciosas na Faculdade de Saúde Pública de Harvard em Boston, Massachusetts, que liderou o trabalho. Wirth sugere que se desenvolva uma vacina RTS,S que inclua fragmentos dos diversos tipos de proteína CS. David Kaslow, um dos primeiros a desenvolver a RTS,S e agora supervisiona o desempenho na organização PATH, refere que ele e os seus colegas debateram a questão: “Não é trivial ajustar a vacina às estirpes prevalentes numa área mas também não é impossível."

Qualquer melhoria será bem-vinda pois um relatório publicado em Janeiro sobre os testes a mais de 15 mil crianças, seguidas durante 4 anos em 7 países subsaarianos, revelou que uma série de 4 injecções RTS,S reduziu os casos de malária em apenas 36% em crianças e 26% em bebés. Ainda assim, este efeito modesto pode salvar a vida de milhares todos os anos pois a malária mata meio milhão de pessoas todos os anos, a maioria crianças, nessa zona de África.

Em Julho, a Agência Europeia do Medicamento declarou a vacina RTS,S segura e eficaz, facto que foi tido em conta pelo painel conselheiro da OMS. Em Novembro, a directora-geral da OMS deverá formalizar a recomendação do comité.

Mas a recomendação não garante que seja utilizada pois os governos africanos terão que decidir juntá-la aos seus programas de malária e é preciso que os financiadores potenciais a subsidiem. Cohen diz que a GSK vai cobrar entre US$1 e 10 por injecção, para recuperar os custos de fabrico e obter um retorno de 5%, que será reinvestido em novas vacinas ou noutras doenças comuns nos países em desenvolvimento.

Apesar do baixo custo, será necessário dinheiro para distribuir a vacina pois os orçamentos para a prevenção e tratamento da malária na África subsaariana já são muito baixos. Samuel Smith, director do programa de controlo da malária da Serra Leoa, refere que parte da população do seu país não tem acesso a redes mosquiteiras tratadas com insecticida e estima-se que 20% dela não receba medicamentos contra a malária adequados quando adoece.

James Tibenderana, director de desenvolvimento no Consórcio da Malária no Uganda, considera que uma vacina melhorada pode ser desenvolvida mais rapidamente do que Cohen sugere. As descobertas de Wirth mostram a quantidade de informação que os cientistas conseguem agora recolher, quando comparada com quando criaram a vacina RTS,S há décadas, diz ele: “O ébola apresentou-nos um processo de desenvolvimento rápido de vacinas que quebrou todas as regras e obtivemos um produto num ano. O mundo mudou logo porque havemos de nos restringir a tecnologia vintage?”

 

 

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