2015-10-25

Subject: Análise genética identifica nova espécie de tartaruga nas Galápagos

Análise genética identifica nova espécie de tartaruga nas Galápagos

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@ Nature/Washington Tapia

Uma nova espécie de tartaruga gigante foi descoberta escondida à vista de todos nas ilhas Galápagos. Uma população de cerca de 250 animais que vive numa zona árida no interior da ilha de Santa Cruz revelou-se tão distinta geneticamente das restantes tartarugas da ilha que os investigadores consideraram que representa uma espécie isolada, a Chelonoidis donfaustoi.

O reconhecimento pode levar a uma protecção mais intensa para a nova espécie. O seu território já é parcialmente protegido mas a designação de nova espécie pode acelerar os esforços para impedir que a agricultura vá tomando conta de zonas não protegidas do habitat da tartaruga.

O epíteto específico da tartaruga, donfaustoi, homenageia o antigo ranger do Parque Nacional das Galápagos Fausto Llerena Sánchez, conhecido entre colegas e amigos por Don Fausto. Don Fausto, que geriu o programa de reprodução em cativeiro das tartarugas do parque, reformou-se no ano passado, após 43 de serviço.

“Este homem dedicou a vida a estes animais”, diz Adalgisa Caccone, bióloga evolutiva na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e autora principal do artigo que descreve a espécie. “Todas as outras espécies de tartarugas foram baptizadas em honra de cientistas ou exploradores mas nenhuma recebeu o nome de um equadorenho.”

Caccone já suspeitava há 10 anos de que as tartarugas do interior da ilha, que habitam uma zona a cerca de 20 km da população principal, poderiam ser uma espécie separada. A teoria foi primeiro sugerida pelo biólogo da vida selvagem Tom Fritts, que entretanto se reformou do Geological Survey americano.

Fritts refere que a separação geológica entre as duas populações era clara e foi isso que o intrigou e não diferenças na sua morfologia: “Uma tartaruga adulta transporta a sua história às costas, há uma enorme variação resultante de efeitos ambientais logo é muito difícil diferenciá-las com base na aparência.”

Assim, ele sugeriu que a equipa de Caccone investigasse a genética das duas populações. O seu artigo, publicado na última edição da revista PLoS ONE, é o culminar de uma década de trabalho e apresenta 25 mutações no DNA mitocondrial que separam fiavelmente os dois grupos.

Os investigadores também analisaram 12 regiões altamente variáveis do DNA nuclear conhecidas por loci microsatélites em 51 tartarugas de ambos os grupos. A equipa descobriu que quando esses loci eram distribuídos pelo seu grau de diferença, surgiam dois agrupamentos que correspondiam às duas populações. “São muito distintas", diz Caccone.

A equipa construiu uma árvore genealógica das tartarugas da ilha usando milhares de amostras recolhidas nos passados 20 anos, permitindo-lhes investigar a história das duas espécies de Santa Cruz. Os parentes mais próximos da C. donfaustoi vivem noutra ilha, San Cristóbal. “Santa Cruz foi colonizada duas vezes independentemente", diz Caccone.

Michel Milinkovitch, geneticista da conservação na Universidade de Genebra, Suíça, que trabalhou com tartarugas das Galápagos, diz que a análise mostra que os grupos são tão distintos como outras tartarugas no arquipélago que são consideradas espécies separadas. Com esta nova descoberta, as Galápagos são agora lar de 12 espécies de tartarugas gigantes.

Mas se a tartaruga é uma nova espécie ou apenas uma subespécie importa menos para ele do que o seu estatuto como população reprodutora geneticamente distinta: “O conceito de espécie é pouco claro, chame-lhes o que se quiser, não me interessa. O importante é que as pessoas percebam que existe variabilidade escondida.”

 

 

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