2015-10-15

Subject: Dentes chineses revelam percurso dos humanos antigos para fora de África

Dentes chineses revelam percurso dos humanos antigos para fora de África

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@ Nature/S. Xing and X-J. Wu

Dentes encontrados numa caverna no sul da China mostram que o Homo sapiens alcançou a China há cerca de 100 mil anos, um momento em que a maioria dos investigadores tinha assumido que a nossa espécie não se tinha afastado muito de África.

“Isto é assombroso, é de primeira”, diz Michael Petraglia, arqueólogo na Universidade de Oxford, Reino Unido, que não esteve envolvido na pesquisa. “É uma das descobertas mais importantes que surgiram da Ásia na última década.”

As grutas calcárias pontilham o condado Daoxian na província de Hunan, China. Escavações recentes num sistema de grutas que se estende por mais de 3quilómetros quadrados revelaram 47 dentes humanos, bem como vestígios de hienas, pandas gigantes extintos e dúzias de outros animais. Os investigadores não encontraram ferramentas de pedra, logo é provável que os humanos nunca tenham vivido na gruta e os seus vestígios tenham sido para lá levados por predadores.

Os dentes são sem sombra de dúvida de H. sapiens, diz María Martinón-Torres, paleoantropóloga no University College de Londres, que co-liderou o estudo com os seus colegas Wu Liu e Xie-jie Wu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Beijing. A sua pequena dimensão, raízes finas e coroas achatadas são anatomicamente dos homens modernos H. sapiens e a forma geral do dente é praticamente indistinguível dos de humanos antigos e actuais. A equipa relata os seus resultados na última edição da revista Nature.

Já determinar a idade dos dentes revelou-se complicado: eles não continham carbono radioactivo (que praticamente desaparece após 50 mil anos) logo a equipa datou os depósitos de calcite da gruta e usou o sortido de vestígios animais para deduzir que os dentes humanos deverão ter entre 80 e 120 mil anos.

Essa idade contraria a sabedoria convencional de que o H. sapiens africano começou a colonizar o mundo apenas há cerca de 50 a 60 mil anos, diz Martinón-Torres. Vestígios mais antigos de humanos modernos já foram encontrados fora de África, como os vestígios com 100 mil anos das grutas Skhul e Qafzeh em Israel. Mas muitos investigadores defendiam que esses vestígios apenas mostravam esforços de migração mal sucedidos.

“Isto demonstra que não se tratou de uma dispersão falhada”, diz Petraglia, que há muito defende uma expansão precoce para a Ásia dos humanos modernos através de uma rota a sul. “Este é uma demonstração sólida de que humanos antigos, decididamente Homo sapiens, muito cedo no sudeste asiático.” Chris Stringer, paleoantropólogo no Museu de História Natural de Londres, que defende que os vestígios de Skhul e Qafzeh representavam migrações mal sucedidas, considera que os dentes de Daoxian o fizeram vacilar.

Sem DNA dos dentes, é impossível determinar a relação entre o povo de Daoxian e outros humanos, incluindo os asiáticos modernos mas Jean-Jacques Hublin, paleoantropólogo no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, pensa que vagas posteriores de humanos os substituíram. Outras evidências genéticas sugerem que os asiáticos orientais modernos descendem de humanos que se cruzaram com Neanderthal na Ásia ocidental, há cerca de 55 a 60 mil anos, salienta Hublin.

Também não é claro por que razão os humanos modernos teriam chegado à Ásia oriental tanto tempo antes de alcançarem a Europa, onde os vestígios mais antigos datam de há cerca de 45 mil anos. Martinón-Torres sugere que os humanos não conseguiram fixar-se na Europa até os Neanderthal estarem à beira da extinção. A frígida Europa da Idade do Gelo pode ter representado outra barreira a quem se tinha adaptado a África, diz Petraglia.

Apesar de Hublin dizer que parece provável que os dentes de Daoxian tenham mais de 80 mil anos, ele salienta que vários deles têm cáries visíveis, uma característica invulgar em dentes humanos com mais de 50 mil anos: “Pode ser que os primeiros humanos modernos tenham tido uma dieta peculiar na Ásia tropical mas tenho a certeza que esta observação vai levantar suspeitas." Martinon-Torres refere que a sua equipa tenciona analisar mais de perto as cáries e a dieta dos humanos de Daoxian através dos padrões de desgaste dos dentes.

O sul da China está minado por grutas semelhantes que poderão completar mais detalhes sobre as primeiras explorações destes humanos antigos, bem como as ferramentas que fabricavam: “Isto é apenas a ponta do iceberg”, diz Petraglia. “Há muito mais trabalho que precisa de ser feito."

 

 

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