2015-10-14

Subject: Primeiro genoma africano antigo revela vasta migração eurasiática

Primeiro genoma africano antigo revela vasta migração eurasiática

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@ Nature/Eyal Bartov/Alamy

Um esqueleto com 4500 anos encontrado numa gruta na Etiópia produziu o primeiro genoma humano africano antigo: o DNA do homem sugere que os agricultores do Médio Oriente migraram para África há várias milhares de anos, deixando vestígios da sua ancestralidade eurasiática nos genomas dos africanos modernos.

Os humanos modernos, Homo sapiens, emergiram em África há cerca de 200 mil anos, antes de povoarem praticamente todos os recantos do planeta. A prova dessas viagens está escrita nos genomas das pessoas actuais. DNA recolhido de vestígios antigos encontrados na Europa, Ásia e Américas nos últimos anos veio acrescentar novas reviravoltas à história evolutiva humana. No entanto, África tem estado fora desta revolução baseada no DNA, em parte porque o material genético se degrada rapidamente nas temperaturas elevadas do continente.

Em 2011, arqueólogos que trabalhavam com a tribo Gamo nas terras altas do sudoeste da Etiópia descobriram a caverna Mota, com 14 metros de largura e 9 metros de altura, sobrejacente a um rio. Um ano depois, escavaram a tumba de um macho adulto, com o corpo estendido e mãos dobradas sob o queixo. A datação por radiocarbono sugeriu que teria morrido há cerca de 4500 anos, antes do suposto momento das migrações eurasiáticas e do advento da agricultura no leste de África.

Avanços na tecnologia do DNA antigo permitiram aos investigadores arrancar o DNA de ossos cada vez mais velhos e as temperaturas constantes e baixas das grutas são mais tolerantes com a molécula. Assim, uma equipa liderada por Ron Pinhasi, arqueólogo da Universidade de Dublin, testaram os ossos do homem de Mota em busca de DNA intacto e descobriram o suficiente para sequenciar o seu genoma 12 vezes.

O genoma do homem é, sem surpresa, mais aparentado com os etíopes actuais das terras altas conhecidos por Ari do que com qualquer outra população que a equipa examinou, sugerindo uma linha clara de descendência para os Ari de populações humanas antigas que viveram na zona. Mas outros estudos genéticos mostram que os Ari também descendem de pessoas que viveram fora de África, o que rima com um estudo anterior que descobriu um refluxo de humanos de volta a África vindos da Eurásia há cerca de 3 mil anos.

Usando evidências genéticas de genomas eurasiáticos antigos e de populações actuais, os investigadores determinaram que os ancestrais migrantes dos Ari eram fortemente aparentados com os primeiros agricultores que passaram para a Europa vindos do Próximo Oriente há cerca de 9 mil anos.

O co-autor do estudo Marcos Gallego Llorente, geneticista evolutivo da Universidade de Cambridge, Reino Unido, sugere que os agricultores do Médio Oriente se deslocaram mais tarde para sul em direcção a África, trazendo consigo novas culturas, como trigo, cevada e lentilhas. A equipa também encontrou vestígios do DNA destes migrantes em populações subsaarianas, provavelmente transportados por migrações posteriores, como a expansão dos grupos Bantu da África ocidental para outras zonas há cerca de mil anos.

Carles LaLueza-Fox, paleogeneticista do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, Espanha, considera este primeiro genoma antigo de África um verdadeiro marco. Apesar dos desafios de preservação do DNA, ele espera que outros surjam: “África vai ser um local difícil para os genomas antigos, especialmente os de alta qualidade."

Eske Willerslev, geneticista evolutivo no Museu de História Natural da Dinamarca em Copenhaga, diz que a sua equipa também teve sucesso na obtenção de DNA de vestígios africanos, incluindo alguns que não estavam protegidos por grutas de altitude. Para a investigação de DNA antigo "África é o próximo passo em termos de história populacional humana, é o local óbvio para procurar", diz ele.

 

 

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