2015-10-12

Subject: Como os elefantes evitam o cancro

Como os elefantes evitam o cancro

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@ Nature/Theo Allofs/Minden Pictures/FLPA

Os elefantes têm cópias extra de um gene que combate as células tumorais, revelam dois estudos independentes, o que dá uma explicação para a razão porque estes animais só muito raramente desenvolvem cancro.

A razão porque os elefantes nunca têm cancro é um famoso quebra-cabeças colocado, de forma diferente, pelo epidemiologista Richard Peto, da Universidade de Oxford, Reino Unido, na década de 1970. Peto apercebeu-se que, em geral, há pouca relação entre as taxas de cancro e o tamanho ou a idade dos animais, o que é surpreendente pois as células de animais mais velhos ou de grande porte dividiram-se muito mais vezes do que as de animais jovens e pequenos logo deveriam possuir mais mutações aleatórias que as predispõem para o cancro. Peto especulou que poderia existir um mecanismo biológico intrínseco que protege as células do cancro à medida que envelhecem e se expandem.

Pelo menos uma solução para o paradoxo de Peto pode agora ter sido descoberta, de acordo com um par de artigos publicados independentemente esta semana. Os elefantes têm 20 cópias do gene p53 (ou, mais correctamente, TP53), no seu genoma, enquanto o Homem e outros mamíferos têm apenas uma. O gene é um conhecido supressor de tumores e actua quando as células sofrem sofrem danos no DNA, produzindo cópias da sua proteína p53 e reparando os danos ou matando a célula.

Descobrir o papel do gene TP53 levou alguns anos. Joshua Schiffman, oncologista pediátrico e cientista da Universidade do Utah em Salt Lake City, ouviu falar do paradoxo de Peto há 3 anos numa conferência sobre evolução, quando Carlo Maley, biólogo evolutivo agora na Universidade Estadual do Arizona em Tempe, revelou ter encontrado múltiplas cópias do TP53 no genoma do elefante africano.

Schiffman é especialista no tratamento de crianças sem um dos alelos do gene TP53, o que leva a que desenvolvam cancro. Após ouvir a palestra de Maley, ponderou se os elefantes teriam a chave biológica para ajudar os seus pacientes. Juntou-se a Maley, que ainda não tinha publicado o seu trabalho, e pediu aos tratadores dos elefantes do zoo de Salt Lake City sangue de elefante para que pudesse testar de que forma a proteína p53 funciona nos glóbulos brancos dos mamíferos.

Ao mesmo tempo, em meados de 2012, Vincent Lynch, geneticista evolutivo na Universidade de Chicago, Illinois, estava a preparar uma palestra sobre o paradoxo de Peto e pensava em que mecanismos o poderiam explicar: “Mesmo antes da palestra, pesquisei o genoma do elefante em busca do p53 e obtive 20 identificações", diz Lynch.

Agora e de forma independente, as equipas de Schiffman e Lynch revelaram as suas descobertas, Schiffman no Journal of the American Medical Association e Lynch num artigo publicado no site bioRxiv.org e está em análise na revista eLife.

Usando os registos de autópsias no zoo de 36 mamíferos, de ratos a elefantes, a equipa de Schiffman não encontrou relação entre tamanho corporal e a taxa de cancro. Cerca de 3% dos elefantes desenvolvem cancro, de acordo com a análise da equipa de centenas de mortes de elefantes em cativeiro.

Os investigadores descobriram que os elefantes produzem cópias extra da proteína p53 e que as suas células sanguíneas parecem ser especialmente sensíveis aos danos no DNA resultantes de radiação ionizante. As células dos animais sofrem apoptose em resposta a danos no DNA a taxas muito superiores que as humanas. Schiffman sugere que, em vez de reparar os danos no DNA, as células de elefante danificadas evoluíram para se suicidar, eliminando tumores nascentes logo à cabeça: “É uma solução brilhante para o paradoxo de Peto."

A equipa de Lynch, que trabalhou com células da pele de elefantes africanos e asiáticos do zoo de San Diego na Califórnia, encontrou resultados semelhantes. Também descobriram mais de uma dúzia de cópias do TP53 em duas espécies extintas de mamute mas apenas uma cópia nos parentes vivos mais próximos dos elefantes, os manatins e os hiraxes. Lynch pensa que as cópias extra evoluíram à medida que a linhagem que conduziu aos elefantes se expandia em tamanho mas provavelmente outros mecanismos biológicos também estarão envolvidos.

Mel Greaves, biólogo do cancro no Instituto para a Investigação do Cancro em Londres, concorda que o TP53 não pode ser a única explicação. “À medida que os animais grandes se tornam maiores, tornam-se cada vez mais lentos, abrandando o seu metabolismo e a taxa de divisão celular. Os mecanismos de protecção contra o cancro só são eficazes até um certo ponto, o que aconteceria se os elefantes fumassem e tivessem má dieta? Duvido que continuassem protegidos contra o cancro."

 

 

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