2015-10-11

Subject: Marcadores epigenéticos associados à homossexualidade masculina

Marcadores epigenéticos associados à homossexualidade masculina

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@ Nature/Rick Loomis/Los Angeles Times/Getty

A biologia da orientação sexual tem sido uma das questões mais vexantes, e mais politicamente carregada, da genética humana. Pela primeira vez, os investigadores descobriram associações entre a homossexualidade e marcadores no DNA que podem ser influenciados por factores ambientais.

Estudos sobre gémeos e árvores genealógicas forneceram fortes evidências de que a orientação é, pelo menos em parte, genética. Quando um gémeo idêntico é gay, há cerca de 20% de hipóteses de o outro também o ser. Mas dado que a taxa não é de 100%, pensa-se que os factores ambientais também desempenham um papel e um dos melhor caracterizados é o 'efeito irmão mais velho': a probabilidade de um homem ser gay aumenta 33% por cada irmão mais velho que tenha. A razão para esta situação não é clara, ainda que uma hipótese defenda que o sistema imunitário da mãe comece a reagir contra os antigénios masculinos e afecte o desenvolvimento do feto.

Em busca de factores que possam mediar a associação entre o ambiente e os genes, o geneticista Eric Vilain, da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), analisou marcadores epigenéticos, alterações químicas ao DNA que afectam a forma como os genes se expressam mas não a sua informação. Estes epi-marcadores podem ser herdados mas também podem ser alterados por factores ambientais, como o tabaco, e nem sempre são partilhados por gémeos idênticos.

Os investigadores recolheram amostras de DNA de saliva de 37 pares de gémeos idênticos em que apenas um deles era gay, e de 10 pares em que ambos eram gay. Ao analisar os epigenomas dos gémeos, os investigadores descobriram cinco epi-marcadores mais comuns nos homens gay que nos seus irmãos heterossexuais. Um algoritmo que desenvolveram baseado nos cinco epi-marcadores conseguiu prever correctamente a orientação sexual dos homens no estudo 67% das vezes. O geneticista computacional da UCLA Tuck Ngun apresentou o trabalho no encontro da Sociedade Americana de Genética Humana em Baltimore, Maryland.

Vilain não ficou surpreendido por descobrir que a epigenética está associada à orientação sexual, apesar de considerar que é demasiado cedo para tentar associar os epi-marcadores a exposição a um factor ambiental em particular ou à expressão de um gene específico. Ngun diz que os investigadores querem replicar o estudo num grupo diferente de gémeos e também determinar se os mesmos marcadores são mais comuns em homens gay do que em homens heterossexuais numa população alargada e diversificada. Associações encontradas em pequenos estudos tendem a evaporar-se quando testadas em grupos maiores.

Vilain reconhece as limitações do estudo, por exemplo, os marcadores epigenéticos diferem entre tecidos no corpo e os do cérebro provavelmente mais relevantes para a orientação sexual.

Mas o investigadores agradecem esta contribuição para os escassos dados sobre a biologia da orientação sexual: “Certamente em o potencial para acrescentar algum conhecimento”, diz o geneticista psiquiátrico Alan Sanders, do Instituto NorthShore de Investigação em Evanston, Illinois.

Os investigadores também também alertam para o facto de da mesma forma que associações genéticas conhecidas pouco conhecimento fornecem sobre os mecanismos da orientação sexual, pouco se pode concluir das localizações dos epi-marcadores. Um marcador foi associado a um gene do sistema imunitário, um segundo associado ao desenvolvimento do cérebro e os outros três estavam em regiões do DNA não associadas a qualquer gene.

“Já sabemos que não existe nenhum 'gene da homossexualidade'", diz William Rice, geneticista evolutivo na Universidade da Califórnia, Santa Barbara. Se existisse, diz ele, já teria aparecido num dos enormes estudos que analisaram todo o genoma em busca de variantes partilhadas por homossexuais. 

O maior desses estudos, liderado por Sanders, analisou 409 pares de irmãos gay incluindo alguns gémeos falsos. Os investigadores descobriram que os homens gay partilhavam semelhanças em duas zonas o genoma: cromossomas X e 8. Mas Sanders diz que continua a tentar determinar quais os genes ou outros componentes especificamente nestas regiões contribuem para a orientação sexual.

Da mesma forma, os investigadores ainda querem determinar a relevância biológica destas associações epigenéticas, diz Rice. Muitas pessoas querem compreender mais sobre as raízes da sua orientação sexual, diz ele.

 

 

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