2015-10-06

Subject: Medicamentos anti-parasitários arrebatam prémio Nobel

Medicamentos anti-parasitários arrebatam prémio Nobel

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@ Nature/The Yomiuri Shimbun via AP Images, Reuters/Stringer, Reuters/Brian Snyder

Três cientistas que desenvolveram terapias contra infecções parasitárias ganharam o prémio Nobel da Medicina deste ano.

Os vencedores são William C. Campbell, microbiólogo na Universidade Drew em Madison, Nova Jérsia, Satoshi Ōmura, microbiólogo na Universidade Kitasato no Japão, e Youyou Tu, farmacologista na Academia de Ciências Médicas da China em Beijing.

Na década de 1970, Campbell e Ōmura descobriram uma classe de compostos, as avermectinas, que matam nemátodos parasitas causadores de infecções como a cegueira dos rios ou a filaríase linfática. O mais potente deles foi colocada no mercado em 1981 como o medicamento ivermectin.

Tu, que ganhou o prémio Lasker em 2011, desenvolveu o medicamento anti-malária artemisinin no final da década de 1960. Ela é a primeira cientista sediada na China a ganhar um Nobel de ciência. “É uma notícia fantástica para a China e esperamos que mais cheguem no futuro”, diz Wei Yang, presidente da principal agência de financiamento de investigação, a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China.

Na década de 1960, os principais tratamentos para a malária eram a cloroquina e o quinino mas estavam cada vez mais ineficazes. Assim, em 1967, a China estabeleceu um projecto nacional contra a malária para descobrir novas terapias. Tu e a sua equipa analisaram mais de 2 mil remédios herbais chineses em busca de medicamentos com actividade anti-malária. Um extracto da planta Artemisia annua revelou-se especialmente eficaz e em 1972 os investigadores isolaram artemisinina quimicamente pura.

"São óptimas notícias que Tu tenha ganho o Nobel", diz Yi Rao, neurocientista na Universidade de Pequim, que investigou a descoberta da artemisinina. "Ela merece completamente.”

Mas tem havido alguma controvérsia sobre o crédito da descoberta, salienta Rao, pelo que Tu nunca ganhou nenhum prémio importante na China. Ela não foi eleita para as principais academias chinesas, a Academia Chinesa de Ciências e a Academia Chinesa de Engenharia.

“Apesar de outras pessoas estarem envolvidas, Tu foi claramente a líder indiscutível”, diz Rao. “Mas ela nunca recebeu o devido reconhecimento na China.”

Lan Xue, especialista em estudos inovadores na Universidade Tsinghua em Beijing, diz que ter sido inundado de mensagens sobre o prémio. “As pessoas vão celebrar mas espero que também pensem no que há a aprender com este prémio.”

Os jovens cientistas chineses são encorajados a emigrar para poderem fazer boa investigação e produzir publicações em revistas reconhecidas internacionalmente, salienta Xue. No entanto, Tu nunca trabalhou fora da China e nunca produziu grandes publicações: “Tu não encaixa nas tendências actuais e, no entanto, recebe o Nobel pela originalidade do seu trabalho. Não podia ter havido uma escolha melhor em termos de lições que oferece aos cientistas chineses", diz ele. 

Trabalhando no Japão, Ōmura isolou estirpes de um grupo de bactérias do solo do género Streptomyces conhecidas por terem propriedades anti-microbianas. Em 1974, descobriu um organismo promissor no solo perto de um campo de golfe e enviou-o, junto com outros, a uma equipa liderada por Campbell no Instituto Merck de Investigação Terapêutica em Rahway, Nova Jérsia. O instituto de Ōmura já tinha assinado uma parceira de investigação com a Merck em 1973.

A equipa de Campbell isolou avermectinas de culturas bacterianas e afinou a estrutura de um dos compostos mais promissores para desenvolvimento de medicamentos, o ivermectin. Em 1987, Merck anunciou que iria doar o medicamento a quem o precisasse para tratamento da oncocercose (também conhecida por cegueira dos rios). Uma década depois, a farmacêutica começou a oferecer o medicamento para o tratamento da filaríase linfática. Todos os anos, a Merck oferece cerca de 270 milhões de tratamentos do medicamento, de acordo com o Programa de Doação Mectizan de Decatur, Georgia.

O prémio deste ano salienta a aceitação global da importância das infecções parasitárias e das negligenciadas doenças tropicais em geral, diz Stephen Ward, da Faculdade de Medicina Tropical de Liverpool, Reino Unido. Ele salienta que o artemisinin "provavelmente salvou milhões de vidas", apesar de a resistência ao medicamento estar a crescer no sudoeste asiático, e o ivermectin protegeu milhões da doença.

“Pode vir a refocar-nos na ideia de que a imensa diversidade de produtos que existem no mundo natural é um fantástico ponto de partida para a descoberta de medicamentos", diz ele.

 

 

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