2015-10-04

Subject: Micro-porcos geneticamente modificados vão ser vendidos como animais de estimação

Micro-porcos geneticamente modificados vão ser vendidos como animais de estimação

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@ Nature/BGI

As técnicas de edição genética de ponta produziram um subproduto inesperado: minúsculos porcos que um importante instituto chinês de genética irá brevemente vender como animais de estimação.

O BGI de Shenzhen, o instituto de genética famoso por uma série de avanços na sequenciação genética, começou por criar os micro-porcos como modelos de doenças humanas, aplicando uma técnica de edição genética a uma raça de porcos pequenos conhecida por Bama. Agora, a BGI revelou que irá começar a vender os porcos como animais de estimação. Os animais pesam cerca de 15 kg em adultos, ou seja, o mesmo que um cão de porte médio.

O Instituto citou um preço de 10 mil yuan (US$1600) para os micro-porcos mas isso foi apenas para "nos ajudar a avaliar melhor o mercado”, diz Yong Li, director técnico da plataforma de ciência animal do BGI. No futuro, os clientes poderão comprar porcos com diferentes pelagens e padrões, que serão igualmente obtidos por edição genética.

Com a edição genética a tomar a biologia de assalto, os pioneiros do campo dizem que a aplicação em animais de estimação não é surpresa, ainda que alguns a desaconselhem: “É questionável se devemos ter este impacto sobre a vida, saúde e bem-estar de outras espécies desta forma”, diz o geneticista  Jens Boch, da Universidade Martin Luther em Halle-Wittenberg, Alemanha. Boch ajudou a desenvolver a técnica de edição genética usada para criar os porcos, que usa enzimas conhecidas por TALEN (nucleases efectoras do tipo activador de transcrição) para desactivar certos genes.

Como regular as várias aplicações da edição genética é uma questão em aberto que os cientistas já andam a debater com agências de todo o mundo. O BGI concorda com a necessidade de regular a edição genética em animais de estimação, bem como nas aplicações de investigação médica que são o núcleo das suas actividades com os micro-porcos. Quaisquer lucros com a venda de animais de estimação serão investidos nesta pesquisa.

Comparados com os ratos, os porcos estão mais próximos dos humanos fisiológica e geneticamente, tornando-os potencialmente mais úteis como organismo modelo para doenças humanas. No entanto, o seu tamanho significa que custam mais a manter e exigem doses maiores de medicamentos quando usados para testar medicina experimental dispendiosa.

Os porcos Bama, que pesam entre 35 e 50 kg (quando muitos porcos de criação atingem os 100 kg), já tinham sido usados antes em investigação. Para fazer os micro-porcos geneticamente editados, o BGI clonou porcos a partir de células retiradas de fetos Bama, usando TALEN para desactivar uma ou duas cópias do gene do receptor da hormona de crescimento (GHR) nas células fetais. Sem o receptor, as células não recebem o sinal de crescimento durante o desenvolvimento, originando porcos anões.

Seguidamente, o BGI criou mais micro-porcos cruzando machos anões com fêmeas normais. Apenas metade da descendência concebida naturalmente eram micro-porcos mas o processo é mais eficiente do que repetir todo o processo de clonagem e evita potenciais problemas associados a ela. Entre os 20 porcos de segunda geração geneticamente editados, o BGI não detectou problemas de saúde adversos, diz Li.

Ele refere que os micro-porcos já se mostraram úteis em estudos de células estaminais e de flora intestinal pois a pequena dimensão dos animais torna mais fácil substituir as bactérias dos seus intestinos. Também ajudarão estudos do síndroma de Laron, um tipo de nanismo causado por uma mutação do gene GHR humano.

A decisão de vender os porcos como animais de estimação surpreendeu Lars Bolund, geneticista médico na Universidade Aarhus na Dinamarca, que ajudou o BGI a desenvolver o seu programa de edição genética de porcos mas ele admite que conseguiram muita imprensa à custa disso. 

Os porcos podem mesmo ir ao encontro de um mercado preexistente: nos Estados Unidos, por exemplo, há relatos de pessoas que quiseram porcos de colo mas ficaram desapontadas quando animais anunciados como tendo 5 kg cresceram até 50 kg. Os micro-porcos geneticamente editados permanecem pequenos de certeza, diz a equipa do BGI.

Mas a edição genética não resolve outras dificuldades dos porcos de estimação, diz Crystal Kim-Han, que dirige uma operação de resgate de porcos abandonados em Las Vegas, Nevada. Por exemplo, se os animais ficarem fechados num apartamento, sem espaço para escavar, tornam-se destrutivos. Ela também acha provável que os micro-porcos desenvolvam outros problemas médicos, tal como os animais de estimação criados por reprodução selectiva: “O que acontece mais à frente quando estes animais precisarem de cuidados?”, pergunta ela.

Alguns investigadores pensam que os cães e os gatos serão os próximos a ser manipulados. Os cientistas e os éticos concordam que os animais de estimação editados não serão muito diferentes dos obtidos pela reprodução convencional, o resultado apenas é alcançado de forma mais eficiente. Ainda assim, isso não a torna uma boa ideia, diz Jeantine Lunshof, bioética na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, que descreve ambas como “esticando os limites fisiológicos apenas para satisfazer preferências estéticas dos humanos”.

Daniel Voytas, geneticista na Universidade do Minnesota em Saint Paul, espera que a excitação com os animais de estimação geneticamente editados não impeça o desenvolvimento das técnicas de edição genética para alívio de doenças humanas e criação de novas culturas. “Espero que se criem directrizes para a utilização segura e ética desta tecnologia, que permitam a sua afirmação, preocupa-me que mini porcos distraiam e criem confusão nos esforços para alcançar este objectivo."

 

 

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