2015-10-01

Subject: A difícil busca de vida na água de Marte

A difícil busca de vida na água de Marte

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@ Nature/NASA/JPL/University of Arizona

Os cientistas da NASA anunciaram que Marte, em tempos considerado um planeta seco, estéril e morto, pode apresentar vida realmente pois nele a água líquida ainda flúi, pelo menos em certas zonas do planeta vermelho, descendo as encostas para se acumular no que podem ser piscinas ricas em vida na base de colinas e crateras equatoriais.

Estes locais espantosos em Marte podem ser as melhores localizações no Sistema Solar para procurarmos vida extraterrestre mas faze-lo será tudo menos fácil.

Examinar regiões potencialmente habitáveis de Marte em busca de sinais de vida é a principal justificação científica para enviar humanos ao planeta mas, de acordo com uma nova avaliação conjunta da Academia Americana de Ciências e Fundação Europeia para a Ciência, não estamos preparados para o fazer.

O problema não são os foguetes que explodem, orçamentos reduzidos, jogos políticos ou o volúvel apoio do público, mas sim a própria vida: a tenacidade dos microrganismos terrestres e a potencial fragilidade dos marcianos. A forma mais simples de encontrar vida em Marte, afinal, pode ser importar bactérias de Cabo Canaveral, Florida, ou seja, contaminação que pode sabotar a busca por nativos de Marte: a necessidade de proteger qualquer biosfera marciana de contaminação terrestre, escrevem os autores da análise, pode “impedir o Homem de aterrar ou entrar zonas” onde a vida marciana pode florescer.

A NASA planeia enviar humanos a Marte já na década de 2030 mas que esse tipo de missão coloca um risco extremo de contaminação não é algo que a agência americana saliente, apesar de procurar activamente soluções para o problema.

Historicamente, a "protecção planetária" de Marte tem-se preocupado com a exploração robótica. O risco de contaminação existe mesmo para as máquinas, que suportam ser fritas pela radiação e banhadas em químicos antes de serem lançadas para erradicar possíveis clandestinos microbianos. No entanto, microrganismos teimosamente resistentes surgem regularmente nas salas supostamente estéreis da NASA de preparação das naves. Os astronautas da Apollo até encontraram bactérias na Lua, que tinham sobrevivido ao vácuo quase total no interior da Surveyor 3, que tinha pousado mais de 2 anos e meio antes. Se os microrganismos terrestres conseguem sobreviver em locais assim, por que não nas zonas mais hospitaleiras de Marte?

O Tratado sobre o Espaço Exterior das Nações Unidas de 1967 proíbe “contaminação danosa” de outros mundos com a biologia terrestre e uma organização internacional chamada COSPAR define protocolos de protecção planetária para os Estados Unidos, Europa, Rússia e outras nações signatárias. Para protecção de Marte, desde 2002 que a COSPAR designou como restritas "regiões especiais” no planeta onde as condições são quentes e húmidas o suficiente para ter suportado vida marciana extinta, ou para permitir que invasores terrestres sobrevivam. Com o rápido avanço do nosso conhecimento da biologia terrestre e das condições em Marte, a definição destas zonas é revista regularmente.

Quanto mais se olha para Marte, mais regiões especiais para existir: as regiões especiais polvilham o equador do planeta e as latitudes médias, em encostas abruptas de montes e crateras e ravinas erodidas, onde as últimas evidências indicam que continua a fluir e a acumular-se água durante os Verões marcianos.

Estas regiões também podem existir em cavernas, abaixo do solo e nas ainda desconhecidas fontes de emissões de metano recentemente detectadas em Marte. Na Terra, este gás é essencialmente gerado por microrganismos mas quantidades detectáveis dele também podem surgir de fontes abióticas, apesar dessa geração também exigir a presença de água líquida.

Mas saber se algum destes locais é realmente especial exige visitá-los, algo muito difícil de acordo com os actuais protocolos. Uma qualquer nave teria que ser completamente esterilizada, somando anos de desenvolvimento e custos de biliões a uma missão para, mesmo assim, não termos a certeza se os protocolos seguidos seriam suficientemente restritivos.

As primeiras, e únicas até esta data, missões de busca de vida em Marte foram as sondas Viking, que pousaram em 1976. Todas as outras se focaram na busca de vestígios de vida antiga e não presente. Se mesmo robots esterilizados não puderem aventurar-se nas Zonas Especiais, o que se pode dizer de humanos infestados de microrganismos? Terão os astronautas de evitar os locais onde haverá vida ou afastar-se imediatamente se a encontrarem por acaso? Então como justificar o custo de biliões para os enviar para o planeta vermelho? Por isso, a descoberta de vida actualmente em Marte pode ser um sonho realizado para a NASA que se torna num pesadelo, razão por que a actual busca de vida extinta em Marte tem judiciosamente evitado exactamente os locais onde é mais provável encontrá-la.

Carl Sagan já tinha reflectido que se fosse encontrada vida em Marte, “o planeta pertenceria aos marcianos, mesmo que eles fossem apenas microrganismos.” Sob esta perspectiva, o planeta tornar-se-ia um santuário sacrossanto, para sempre fora do alcance dos colonizadores humanos.

Uma visão alternativa considera, no entanto, que qualquer esforço de protecção planetária é inútil e até ingénuo: graças à provável contaminação por naves anteriores, bem como trocas ancestrais de material entre planetas devido a impactos de asteróides, Marte já teria sofrido muitas vagas de invasores terrestres, provavelmente rechaçados com facilidade por qualquer tipo de formas de vida nativas e melhor adaptadas.

Entre todas as incertezas, a verdadeira mensagem desta análise para a NASA, ou outra agência, é que, ainda que inconvenientes, as questões da protecção planetária associadas a missões tripuladas a Marte são demasiado sérias para serem descartadas ou menosprezadas.

 

 

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