2015-09-28

Subject: Língua das abelhas conta a história das alterações climáticas

Língua das abelhas conta a história das alterações climáticas

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@ Nature/Candace Galen

A crescente lista de formas em que as alterações climáticas estão a alterar a vida na Terra tem agora uma invulgar nova adição: línguas de abelha mais curtas.

Ao longo dos últimos 40 anos, o clima mais quente e mais seco reduziu a população de flores em algumas regiões das Montanhas Rochosas na América do Norte, forçando as abelhas a trabalhar mais para encontrar néctar. Ao mesmo tempo, as línguas das abelhas nessas regiões começaram a ficar mais curtas, de acordo com um estudo agora publicado na revista Science.

A alteração na anatomia das abelhas provavelmente terá surgido por as abelhas de língua mais comprida serem esquisitas na escolha do alimento, alimentando-se essencialmente do néctar de flores profundas, refere a autora principal do estudo Nicole Miller-Struttmann, ecologista evolutiva na faculdade SUNY de Old Westbury em Nova Iorque, e quando a comida se torna escassa, não rende ser esquisito.

“Levaria mais tempo a encontrar flores profundas logo as abelhas de língua mais comprida gastam mais tempo em busca", diz ela, “mas se és uma abelha de língua curta, generalista, tens maior probabilidade de encontrar os teus recursos.”

Mais de 85% das angiospérmicas, incluindo algumas culturas agrícolas, precisam de polinizadores para se reproduzirem. O declínio da polinização por abelhas pode alterar completamente as paisagens e ameaçar o cultivo de frutos, pelo que o impacto das alterações climáticas sobre as abelhas tem sido causa de grande preocupação.

Miller-Struttmann decidiu estudar as populações de abelhas em três locais alpinos nas Montanhas Rochosas. Os habitats alpinos de todo o mundo sofreram recentemente uma importante queda no número de flores, em resposta às temperaturas mais elevadas e solos mais secos. Na montanha Pennsylvania, lar dos locais de pesquisa, a produção de flores caiu 60% desde a década de 1970.

Os investigadores mediram o comprimento da língua de 170 abelhas, usando equipamento capaz de detectar os cerca de 3 mm de diferença entre os polinizadores de língua curta e comprida. Ao microscópio, a língua das abelhas parece-se com uma mopa e funciona como uma palhinha, com uma parte tubular com projecções parecidas com pêlos na extremidade. As abelhas introduzem a sua língua tipo mopa numa flor e sugam o néctar das suas profundezas.

A comparação de abelhas recentemente recolhidas com os arquivos de até há 40 anos mostrou que, em média, as línguas encurtaram em duas espécies de abelhas dominantes na zona, a Bombus balteatus e a Bombus sylvicola.

A equipa decidiu então determinar o que poderia estar a causar a alteração. Os cientistas desenvolveram uma série de possíveis explicações, como as alterações do tamanho corporal ou a proporção de flores de cálice longo versus curto, entre outras, e testaram cada uma. A causa mais provável, concluíram eles, era o declínio generalizado das populações de flores.

“Se tens uma língua curta, podes não ser capaz de obter todo o néctar mas consegues recolher a partir de diferentes tipos de flores”, diz Miller-Struttmann. “Não estás, ao nível da colónia, a desperdiçar energia a fazer crescer uma língua comprida.”

Nathan Muchhala, ecologista evolutivo na Universidade do Missouri em St Louis e estudioso da polinização por morcegos em zonas tropicais , considera os resultados espantosos pois mostram uma evolução extremamente rápida. "Se eles documentaram estas alterações tão claras a curto prazo nos Estados Unidos, quem sabe o que se passará em habitats menos estudados."

O desencontro entre os polinizadores e as plantas de que se alimentam pode ter consequências negativas para as populações vegetais, diz Miller-Struttmann. Mas ela acrescenta que há uma forma positiva de ver estes resultados com as abelhas: “O nosso estudo sugere que as abelhas são capazes de se adaptar ao seu ambiente em mudança, desde que tenham tempo e variações de características suficientes para o fazer.”

 

 

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