2015-09-27

Subject: A ciência por trás do escândalo de emissões da Wolkswagen

A ciência por trás do escândalo de emissões da Wolkswagen

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@ Nature/Walter Bibikow/JAI/Corbis

As revelações de que a maior fabricante de carros do mundo, a Wolkswagen, ludibriou nos seus testes de emissões nos Estados Unidos para ultrapassar as regulamentações e aumentar as vendas lançaram ondas de choque por toda a indústria automóvel.

A 22 de Setembro a companhia admitiu ter usado um software especial para baixar as emissões durante os testes de laboratório a alguns dos seus veículos a diesel e a 23 de Setembro o seu executivo-chefe, Martin Winterkorn, demitiu-se. Os fabricantes de carros americanos enfrentam agora testes mais rigorosos de emissões, anunciou a Agência de Protecção Ambiental (EPA) a 25 de Setembro.

A admissão da companhia sugere que cerca de 500 mil a um milhão de carros americanos e 11 milhões em todo o mundo podem estar a emitir níveis substancialmente superiores de óxido nitroso e dióxido de azoto (colectivamente conhecidos por óxidos de azoto ou NOx) do que os testes de laboratório previam. As implicações para a saúde humana não são claras e alguns pensam que o escândalo ainda chegará a outros fabricantes. Os peritos, no entanto, há muito que tinham consciência de que os testes frequentemente subestimam as emissões reais dos carros a diesel.

Como vieram a lume estas manipulações?

No ano passado, o Conselho Internacional dos Transportes Limpos (ICCT) em Washington DC contratou cientistas do Centro para Motores com Combustíveis Alternativos e Emissões da Universidade da Virgínia Ocidental em Morgantown para testar emissões de três veículos ligeiros a diesel em condições mais realistas que as de laboratório. Para o fazer, os cientistas equiparam os carros com sistemas portáteis de medição de emissões para recolher um contínuo de dados numa variedade de estradas americanas.

Os testes revelaram que os níveis de emissões de NOx emitidos por um Volkswagen Jetta eram 15 a 35 vezes maiores do que os ditados pela normal americana (31 miligramas por quilómetro), dependendo da estrada e das condições de condução. Da mesma forma, as emissões de um Volkswagen Passat eram 5 a 20 vezes maiores. O BMW X5, no entanto, permaneceu na norma ou mesmo abaixo disso, excepto quando em estradas rurais a subir.

As descobertas levaram a EPA a lançar uma investigação aos testes da Volkswagen nos Estados Unidos, ameaçando retirar a sua aprovação para todos os veículos a diesel da Volkswagen em venda. A Volkswagen respondeu admitindo que tinha enganado os testes de emissões usando software que detecta quando o carro está a ser testado e activa um controlo total das emissões.

Porque nos devemos preocupar com as emissões do diesel?

Os fumos de escape de diesel é um dos grandes contribuidores para a poluição do ar, especialmente na Europa, onde os motores a diesel são muito mais populares que nos Estados Unidos. As emissões diesel contêm monóxido de carbono e NOx, substâncias com efeitos adversos graves para a saúde. As manipulações da Volkswagen dizem respeito aos NOx, percursores do ozono baixo e causadores de graves problemas respiratórios.

Em Londres, onde ocorrem mais de 3 mil mortes por ano atribuíveis à poluição atmosférica, o tráfego diesel é responsável por 40% das emissões de NOx. Em toda a União Europeia, cerca de 20% da poluição urbana estima-se que resida em zonas onde as concentrações de dióxido de azoto excedam os standards de qualidade do ar.

Que outros problemas com os testes de emissões já eram conhecidos antes da admissão da Volkswagen?

Vários estudos já mostraram que as emissões na estrada de NOx de ligeiros de passageiros a diesel, incluindo de outros fabricantes, excedem substancialmente os valores medidos em laboratório. Os resultados criaram preocupação sobre a validade dos procedimentos de aprovação que os fabricantes devem ultrapassar antes de lançarem um novo modelo no mercado.

Em 2011, cientistas do Centro Conjunto de Investigação (JRC) da Comissão Europeia em Ispra, Itália, relataram que as emissões em estrada de veículos diesel testados excediam os limites até 14 vezes. Pelo contrário, as emissões de NOx dos veículos a gasolina permaneciam dentro dos limites.

Um ano depois, o JRC comparou as emissões de NOx de um liegeiro de passageiros fabricado para cumprir os standards a ser implementados em 2014, apelidados Euro 6, com seis modelos mais antigos. Graças ao seu conversor catalítico avançado, o novo tipo de carro teve um desempenho muito melhor mas na estrada ainda excedia o standard das emissões em cerca de 260%.

Uma análise de Outubro último feita pelo ICCT das emissões reais de 15 carros a diesel modernos, 12 certificados pelos standard da União Europeia e 3 pelo standard americano equivalente, revelou que apesar de alguns carros terem um desempenho razoavelmente bom, outros tinham emissões reais até 25 vezes superiores aos 80 miligramas por quilómetro permitidas pela Euro 6. O nível médio de emissões de NOx era cerca de sete vezes mais elevado do que o permitido na União Europeia.

A Volkswagen é a única a colocar nos carros software concebido para contornar os testes?

Nenhum ouro fabricante foi implicado mas alguns peritos suspeitam que a utilização de dispositivos para enganar nos testes seja generalizada: "Pelo menos eu acho difícil acreditar que a Volkswagen era a única marca a faze-lo”, diz Jos Dings, director da organização não governamental de Bruxelas Transportes & Ambiente. Ele cita um seu estudo, publicado no início do mês, que revelou que a Volkswagen era apenas uma das muitas marcas com veículos diesel em que as emissões reais eram acima dos limites. No entanto, o estudo não procurou evidências de fraude e estava restrito à Europa, onde os standards das emissões diesel são menos apertadas e onde a própria Volkswagen não admitiu usar o software nos testes.

O que se passa agora?

Mesmo antes do escândalo ter rebentado, a Europa tinha implementado medidas destinadas a melhorar a qualidade dos testes de emissões diesel: em 2017, a Comissão Europeia estabelecerá um procedimento de emissões em condução real' que obrigará a testes de emissões na estrada para todos os tipos de veículos de passageiros. Para garantir que os veículos atingem os limites de emissões de NOx na estrada, e não apenas em laboratório onde são possíveis as manipulações, o procedimento vai usar um sistema portátil de medição de emissões semelhante aos usado pelos investigadores do JRC.

Também a EPA vai usar o mesmo tipo de sistema de medição para veículos ligeiros actualmente na estrada, quando até agora apenas o fazia para pesados a diesel, responsáveis pela maior parte da poluição nas autoestradas. Pelo contrário, os ligeiros a diesel são responsáveis por cerca de 1% da frota americana e apenas 0,2% das emissões de NOx.

O que resolverá o problema?

A alteração proposta pode melhorar grandemente o nível de emissões dos novos carros e os peritos esperam que isso leve os fabricantes a produzir carros que estejam à altura desses standards. No entanto, alguns detalhes em relação às condições futuras de testes ainda têm que ser definidas. 

O que significa este escândalo para o futuro dos carros a diesel?

Os veículos a diesel tendem a ter uma pegada de carbono inferior à dos seus parceiros a gasolina e têm sido apregoados como uma estratégia para mitigar o aquecimento global. Como o BMW X5 demonstra, os carros diesel podem realmente manter as emissões dentro dos limites existentes mas os analistas dizem que o mau comportamento da Volkswagen pode resultar em limites de poluição superiores, aumentando os custos de investigação e investimento para os fabricantes de carros. O escândalo também pode tornar difícil promover de forma credível a ideia de que o diesel pode ser conciliado com a redução da poluição do ar.

 

 

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