2015-09-23

Subject: Vida marinha precisa de protecção contra poluição sonora

Vida marinha precisa de protecção contra poluição sonora

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Doug Nowacek/Duke University (esq); Howard Rosenbaum/WCS Ocean Giant/Nature

Um grupo internacional de cientistas está a apelar a regulamentações mais restritivas que protejam a fauna marinha da poluição sonora. Num estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, os investigadores defendem que é urgente acção para lidar com o excessivo ruído nos oceanos provocado por actividades industriais como a navegação e as prospecções sísmicas, que utilizam impulsos sonoros muito altos disparados de armas de ar comprimido para explorar o fundo do oceano em busca de recursos naturais.

A revista Nature questionou os autores do estudo, os ecologistas da conservação Douglas Nowacek, do Laboratório Marinho da Universidade de Duke em Beaufort, Carolina do Norte, e Howard Rosenbaum, da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem em Nova Iorque, sobre a urgência da questão.

De que forma a poluição sonora prejudica a vida marinha?

Douglas Nowacek (DN): Uma preocupação é com os danos à audição dos animais. Isso pode acontecer através de sons muito altos ou ao longo de períodos maiores de exposição a níveis inferiores de ruído. Com as pistolas de ar, as reverberações aumentam o nível de ruído de fundo e perturbam a comunicação dos animais e os seus sinais navegacionais. Uma última preocupação é o stress. O stress a curto prazo não é muito grave mas o stress a longo prazo é muito prejudicial, provoca problemas psicológicos e reprodutivos e não sabemos muito sobre até que ponto os animais marinhos lhe são sensíveis.

Howard Rosenbaum (HR): Os efeitos têm sido documentados em várias espécies, desde baleias de bossa no Árctico a cachalotes no golfo do México e arenques no mar do Norte. Existem ainda muitas questões sobre o que esses impactos irão significar a longo termo para cada animal ou para cada população mas há um corpo crescente de evidências.

Mas não se exige já às indústrias que tomem medidas para limitar os danos à vida marinha?

HR: As exigências variam de local para local. Em muitos locais por todo o mundo os pesquisadores apenas são obrigados a ir aumentando gradualmente a potência das pistolas de ar no início da sondagem, para afastar os animais da zona, mas realmente não sabemos qual é a eficácia deste prática. Os pesquisadores podem ter que limitar as suas operações em locais onde existem animais ameaçados de extinção ou foram observados anteriormente e devem terminar as operações se os animais penetram numa certa zona. Os benefícios de muitas destas medidas ainda não são conhecidos e achamos que é preciso fazer mais para salvaguardar as espécies e os habitats marinhos.

O que sugerem que seja feito?

DN: Primeiro, apelamos a restrições às actividades em habitats biologicamente sensíveis, com base nos dados. Num mundo ideal teríamos um bom inventário de dados sobre os animais marinhos presentes numa região e como se alimentação e reproduzem. Usaríamos essa informação para decidir quando realizar pesquisas e verificaríamos depois para analisar as possíveis consequências.

Segundo, queremos que todos os limites sonoros sejam baseados em monitorização que tivesse em conta contribuições cumulativas para o ruído. O Portal Australiano de Dados Oceânicos é um bom exemplo deste tipo de recolha de dados. A União Europeia propôs a imposição de limites ao ruídos global mas os Estados Unidos não consideram a situação desta forma.

HR: Terceiro, já existem técnicas que utilizam fluxos de energia constantes a nível mais baixo que as pistolas de ar e que podem ajudar a reduzir o risco para as espécies marinhas.

Quarto, pensamos que a coordenação científica intergovernamental é crítica pois é um problema que ultrapassa fronteiras. Finalmente, queremos ver os efeito do ruído cumulativo incorporados nas avaliações de impacto ambiental.

Deveria proibir-se alguns tipos de pesquisa sísmica?

DN:  Não, no futuro mais próximo são uma ferramenta usada para encontrar petróleo e gás no mar e, nas amplitudes mais baixas, para localizar geradores eólicos mas é preciso usá-las cuidadosamente, nomeadamente evitando a redundância de localizações que actualmente acontece com tanta frequência. A Noruega, por exemplo, instituiu a realização de prospecções para vários clientes, em que todas as companhias interessadas em dados sísmicos de uma dada zona se juntam para que se faça apenas uma pesquisa.

Como persuadir a comunidade internacional a concordar com essas regulamentações?

DN: A directiva da União Europeia sobre o Quadro de Estratégia Marinha está a tentar limitar o ruído global a um certo nível, tendo em conta todas as fontes. Actualmente está a ser feito um inventário do ruído devido à navegação em várias zonas, com planos para seguidamente procurar métodos para o reduzir, especialmente em zonas biologicamente sensíveis. Uma possibilidade de criar um instrumento legalmente vinculativo para restringir a poluição sonora a um nível aceitável é acrescentar um anexo para ela ao MARPOL [a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição devida à Navegação], semelhante ao recentemente acrescentado anexo sobre poluição do ar.

Pensam que as autoridades reguladoras e as indústrias concordarão com as vossas recomendações?

HR: Estamos a apresentar ciência revista por pares que mostra a dimensão do problema. A indústria ou os governos podem não concordar plenamente com as nossas sugestões mas achamos que seriam benéficas, especialmente um conjunto standard de boas práticas para a mitigação dos impactos sobre as espécies marinhas e os seus habitats.

 

 

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