2015-09-14

Subject: Oceano Antárctico absorve mais carbono do que se estimava

Oceano Antárctico absorve mais carbono do que se estimava

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@ Nature/Nicolas Metzl

O oceano Antárctico, que todos os anos absorve milhares de milhões de dióxido de carbono da atmosfera, reverteu um preocupante declínio na sua quota anual de recolha de gases de efeito de estufa.

A descoberta é uma pequena surpresa para os climatólogos, que pensavam ser inevitável que a certo ponto este vasto oceano em redor da Antárctica passasse a absorver mais CO2 à medida que as concentrações atmosféricas do gás subissem. Mas o estudo, que reúne milhões de observações de campo dispersas, traz uma muito maior compreensão da variável actividade do oceano Antárctico como o mais importante efeito tampão contra o aquecimento global. O trabalho foi publicado na última edição da revista Science.

Em 2011, o oceano absorveu 4,4 gigatoneladas de CO2, segundo o estudo, mais de 10% do CO2 emitido pelas actividades humanas na altura e cerca do dobro do que absorvia uma década antes.

Este aumento marca uma reviravolta abrupta em relação às previsões publicadas há alguns anos, que sugeriam que a capacidade do oceano para absorver CO2 tinha caído ao longo das décadas de 1980 e 1990 e previam que esta tendência iria continuar.

“Não significa que as nossas projecções sobre alterações climáticas para o futuro vão ser alteradas drasticamente”, diz Nicolas Gruber, físico ambiental no Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique, co-autor do último artigo. Em vez disso, diz ele, o estudo mostra que a capacidade do oceano para absorver carbono se altera mais drasticamente do que os investigadores antecipavam.

Uma colaboração internacional começou em 2007 com o objectivo de recolher dados globais de CO2 para as superfícies dos oceanos e Gruber e os seus colegas usaram quase 3 milhões de leituras superficiais de CO2 dessa base de dados para a sua análise. Enquanto investigadores anteriores tinham interpolado leituras escassas para fornecer uma imagem bastante pouco rigorosa da absorção de CO2 do oceano, este último trabalho depende de outras medições de propriedades como a temperatura superficial e salinidade para preencher as lacunas.

A história reconstruída do oceano feita por Gruber, de 1982 a 2011, mostra claramente que tem vindo a aumentar a sua absorção de carbono desde o início da década de 2000 e também confirma o abrandamento anteriormente relatado para as duas décadas anteriores.

Nessa altura, os padrões de vento empurravam a água do oceano Antárctico para norte, levando a uma ascensão de água das suas profundezas. Como essa água já estava com uma concentração elevada de CO2, a capacidade do oceano para absorver o gás diminuiu.

Christoph Heinze, biogeoquímico na Universidade de Bergen, Noruega, diz estar entusiasmado com este último estudo pois permite aos investigadores monitorizar rigorosamente as variações do oceano Antárctico. Heinze refere que os modelos climáticos assumiram que a absorção de CO2 do oceano varia menos do que a absorção em terra (em parte porque em terra há flutuações contínuas devido a factores como a desflorestação e as práticas agrícolas) mas o novo estudo sugere que isso pode não ser verdade. Saber isso pode ajudar os investigadores a prever com mais rigor de que forma os terrenos, oceanos e atmosfera irão responder às crescentes emissões de CO2 e, portanto, aos efeitos das alterações climáticas.

Gruber salienta que a crescente absorção de CO2 também pode estar a levar a que a água do oceano se torne cada vez mais ácida, o que pode interferir com a formação das conchas de carbonato de cálcio de alguns organismos marinhos que nele vivem. Para além disso, os climatólogos não podem depender de que o oceano Antárctico continue a ser um forte sumidouro de carbono: “De momento é muito forte, o que é muito bom, mas não me parece que possamos automaticamente assumir que irá permanecer assim.”

 

 

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