2015-09-01

Subject: Reveladas cicatrizes psicológicas deixadas pelo Katrina

Reveladas cicatrizes psicológicas deixadas pelo Katrina

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@ Nature/Eric Gay/AP

Nova Orleães ainda revela as cicatrizes do furacão Katrina, 10 anos depois: mais de 500 mil pessoas fugirão da tempestade e muitas nunca regressaram. Grandes extensões da cidade continuam escassamente povoadas, especialmente nos bairros mais pobres que sofreram os danos mais graves devido às inundações.

Também as cicatrizes psicológicas permanecem: muitos sobreviventes do furacão continuam a sofrer de problemas de saúde mental relacionados com a tempestade, tenham ou não regressado a Nova Orleães, dizem os investigadores se seguiram as sequelas psicológicas do Katrina. Esse trabalho pode, em última análise, ajudar vítimas de futuros desastres ao identificar factores, como a falta de uma rede de apoio social e ambientes instáveis para as crianças, que parecem aumentar o risco de trauma mental.

“A sua magnitude é o que torna este desastre único”, diz Joy Osofsky, psicóloga clínica na Universidade Estadual do Louisiana em Nova Orleães. O Katrina, um furacão de categoria 3 quando atingiu terra a 29 de Agosto de 2005, danificou uma área do tamanho de Portugal e na cidade destruiu infra-estruturas básicas como escolas e clínicas num grau sem precedentes na história recente dos Estados Unidos.

Osofsky testemunhou a devastação em primeira mão: com as suas clínicas inundadas depois da tempestade, ela e outros peritos em saúde mental instalaram-se em centros de resposta de emergência em navios ancorados no rio Mississippi e numa unidade de psicologia de emergência no comando central da cidade. Osofsky recorda que os centros trataram milhares de pessoas desalojadas e traumatizadas.

Alguns residentes relataram ter visto corpos a flutuar enquanto esperavam ser resgatados das suas casas inundadas. Famílias foram separadas e polícias armados impediram pessoas desalojadas de atravessar uma ponte para fugir da cidade. “Há tantas formas de perda de humanidade por imagens distorcidas e rumores”, diz Jean Rhodes, psicóloga clínica na Universidade do Massachusetts em Boston.

Pelo menos um estudo das zonas devastadas pela tempestade no Alabama, Louisiana e Mississippi sugere que as perturbações de saúde mental, como a perturbação de stress pós-traumático (PSPT) e depressão, pioraram com o tempo. A prevalência de PSPT nessas regiões subiu de 15% alguns meses depois da tempestade para 21% um ano depois e a proporção de pessoas com pensamentos suicidas mais que duplicou de 2,8% para 6,4%. Robert Ursano, psiquiatra na Universidade dos Serviços Uniformizados em Bethesda, Maryland, considera que isto reflecte as dificuldades que os sobreviventes enfrentaram ao tentar lidar com a perda ou em busca de suprir as suas necessidades básicas, como alojamento.

“Há um nível de incerteza sobre se a recuperação será possível que me parece nunca ter sido enfrentada nos Estados Unidos”, diz Elizabeth Fussell, demógrafa na Universidade Tulane em Nova Orleães, quando a tempestade a atingiu.

Rhodes defende que passos simples podiam ter mitigado a factura de saúde mental. Estudos revelam que pessoas que tinham fortes redes sociais de apoio quando o Katrina chegou eram mais resilientes ao trauma psicológico. No entanto, em muitos casos as acções dos agentes no terreno cortaram esses laços: muitos residentes de zonas inundadas pobres foram enviados de autocarro para outras cidades americanas ao acaso, por exemplo. Distribuir os evacuados pelos abrigos de acordo com os bairros onde viviam podia ser uma forma simples de prevenir esse stress, diz Rhodes.

Rhodes tem uma perspectiva rara sobre os factores que influenciaram a saúde física e mental depois da tempestade. Em 2003, ela e os seus colegas começaram a estudar se dar bolsas de estudo a um grupo de 1019 progenitores de baixo rendimento de Nova Orleães aumentaria o seu bem-estar. O Katrina interrompeu esse estudo mas os investigadores puderam usar os dados médicos e demográficos já recolhidos para seguir as alterações de saúde causadas pelo furacão. Esses dados base são raros na investigação de desastres e são especialmente valiosos no estudo de comunidades pobres, que tendem a ter altas taxas de stress e doenças mentais.

Agora transformado no Projecto Resiliência em Sobreviventes do Katrina (RISK), continua a seguir muitos dos participantes no estudo original. Perto de metade dos 392 progenitores de baixos rendimentos que participam no projecto revisto tinham sintomas de PSPT um ano após o furacão e a taxa de outras doenças mentais graves, como depressão e psicose, duplicaram para 14%.

Mas estes sobreviventes da tempestade também revelaram resiliência. Cerca de um terço deles relataram o chamado crescimento pós-traumático: o sentimento de que o desastre os tornou mais fortes, mesmo que tenham sofrido simultaneamente doenças mentais. Três anos depois da tempestade, a equipa do projecto RISK descobriu que dois terços das 386 mulheres afro-americanas que participaram no estudo original já não revelavam sinais de perturbação psicológica evidentes logo após o Katrina.

“As pessoas vêm estas calamidades na TV e pensam 'Como é que estas pessoas vão reconstruir as suas vidas?’”, diz Rhodes. “O que observámos é que a vasta maioria das pessoas recupera com o passar do tempo.”

 

 

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