2015-08-30

Subject: Evidências apoiam limitação de profundidade ao arrasto

Evidências apoiam limitação de profundidade ao arrasto

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@ Nature/Maurice McDonald/PA Archive/PA Images

As primeiras evidências científicas de que a pesca de arrasto em águas com mais de 600 metros de profundidade é ecologicamente danosa e fornece muito pouco retorno económico estão a reacender o debate sobre esta controversa forma de pescar.

Há anos que os cientistas europeus, ambientalistas, políticos e pescadores comerciais debatem ser deve ou não ser imposto um limite ao arrasto de profundidade, uma prática que os críticos consideram causar graves danos aos ecossistemas marinhos. As mais recentes descobertas, que usam dados de censos para avaliar como varia a razão de capturas indesejadas e capturas com valor comercial com a profundidade, foram publicadas na última edição da revista Current Biology.

“A mim parecem-me bastante robustos”, diz Les Watling, biólogo de águas profundas na Universidade do Havai em Manoa, dos resultados agora conhecidos. "Praticamente dizem que é uma perda de tempo pescar abaixo dos 600 metros.”

Watling, que trabalhou como conselheiro científico de várias organizações conservacionistas que defendem uma proibição do arrasto, acrescenta que “este é o primeiro conjunto de dados científicos realmente bons que essencialmente ratificam a ideia de que impor um limite de profundidade ao arrasto de águas profundas valeria a pena e não contribuiria para criar dificuldades económicas."

Após muito debate e vários atrasos, em Dezembro de 2013 o Parlamento Europeu aprovou restrições ao arrasto de profundidade em águas da União Europeia (UE), uma prática em que redes afundadas com pesos são arrastadas ao longo do leito do mar para recolher espécies comercialmente valiosas, mas ficou aquém de uma verdadeira proibição. Mais, essas restrições continuam a não ser aplicadas pois ainda é necessário que sejam aprovadas pelos ministros dos estados-membros, ainda que alguns pescadores tenham acordado voluntariamente num limite de 800 metros para o arrasto.

O arrasto de profundidade captura frequentemente muito mais espécies indesejadas do que as que tem como alvo para venda e pode destruir habitats do fundo como os recifes de coral. Apesar de os danos devidos ao arrasto estarem bem documentados, faltavam dados sobre como estabelecer os limites mais eficazes.

Neste último estudo, os investigadores analisaram capturas de arrastos experimentais realizados na faixa dos 240 aos 1500 metros de profundidade no nordeste do Atlântico. Descobriram que o volume de espécies indesejadas, conhecidas por by-catch ou capturas secundárias, aumenta acentuadamente em relação ao volume das espécies-alvo economicamente valiosas na zona dos 600 aos 800 metros. O aumento era especialmente pronunciado para tubarões e raias, incluindo algumas espécies ameaçadas.

A análise também revelou que o valor económico das capturas diminui na mesma zona.

“Não tínhamos a certeza de descobrir algum tipo de tendência e ficámos realmente surpreendidos ao ver alterações significativas”, diz a co-autora do estudo Jo Clarke, bióloga marinha na Universidade de Glasgow, Reino Unido. “Penso que vai ser um interessante corpo de evidências extraordinário para levar para as discussões.”

Clarke espera que este trabalho ajude a desenvolver análises semelhantes noutras regiões que também debatem as suas práticas de arrasto de profundidade, para ver se padrões semelhantes podem ser encontradas em águas não europeias. “Provavelmente a Nova Zelândia é o local onde as ondas de choque se farão sentir com mais força”, diz Watling.

Os debates europeus sobre a proibição do arrasto de profundidade têm sido polémicos, especialmente em França e Espanha, onde os poucos navios da UE que pescam a profundidades superiores a 600 metros de profundidade estão registados. O arrasto a essa profundidade, que acontece essencialmente ao largo da costa oeste da Escócia e da Irlanda, é limitado. França, por exemplo, tem apenas 10 desses navios, propriedade de 3 companhias e apoiados em parte por subsídios governamentais.

Watling está entre os muitos que gostariam de ver a UE ratificar esta proibição e criar o limite de profundidade de 600 metros. Ele considera que um limite mais superficial ajudaria a impedir a expansão do arrasto mais profundo. Novas espécies são descobertas a toda a hora em locais bem conhecidos como o Atlântico, diz Watling: “Tudo o que possamos fazer para proteger essa biodiversidade é muito importante.”

 

 

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