2015-08-25

Subject: Este gorila aprendeu a falar?

Este gorila aprendeu a falar?

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@ koko.orgNo mundo dos gorilas, Koko é uma celebridade, pelo menos para os humanos. Ela é conhecida pelas suas incríveis capacidades ao nível da linguagem gestual, aprendidas ao longo dos seus 40 anos de vida com humanos.

Koko é uma gorila das terras baixas ocidentais e começou o seu treino com apenas um ano de idade.

As últimas notícias sobre ela eram bastante espantosas, com manchetes como "Gorila mostra sinais de ser capaz de aprender a falar" mas será verdade?

De forma directa: não. O que Koko consegue fazer é manipular as suas cordas vocais para criar uma grande variedade de sons, como por exemplo, tossir quando quer. Pode parecer que isso é muito pouco interessante mas é importante pois é mais um estudo que nos permite saber um pouco mais sobre a forma como a fala evoluiu.

Marcus Perlman, da Universidade do Wisconsin-Madison, analisou 71 horas de filmagens de Koko e começou a notar um "espantoso reportório vocal". O seu objectivo inicial era estudar os gestos de Koko, não as suas capacidades vocais, mas ficou surpreendido com o que descobriu.

Para além das suas tosses fingidas, ela também finge espirrar e foi observada a simular falar ao telefone. Estes comportamentos exigem controlo das vocalizações e respiração e foram descritos na revista Animal Cognition.

Há muito que se considera que todos os primatas não humanos, como chimpanzés e gorilas, não são capazes, de todo, de controlar os sons vocais que produzem. Pensava-se que os seus grunhidos eram uma resposta automática a estímulos, pelo que não se acreditava possível que aprendessem novas vocalizações.

Por essa razão, a ideia de que o "comportamento vocal flexível" fosse importante para a fala humana foi descartado, explica Perlman. Pelo contrário, os gestos foram considerados mais importantes e há muito que se sabe que os grandes símios conseguem fazer grande variedade de gestos significativos. A ideia era que "talvez os seus gestos tivessem evoluído para a linguagem humana e talvez a linguagem original dos nossos ancestrais fosse mais gestual", diz Perlman.

Koko, e outros estudos, descartam esta ideia. Por exemplo, outras pesquisas revelaram que os chimpanzés alteram o tipo de grunhido que usam para indicar a palavra 'maçã' para o adequar aos seus novos companheiros, demonstrando que os grunhidos são significativos e que podem mudar ao longo do tempo.

Se os grandes símios têm estas capacidades vocais, para além dos gestos, isso pode ter sido o quadro em que a nossa capacidade para a linguagem se foi construindo ao longo das gerações, diz Perlman.

Koko, é preciso recordar, cresceu em circunstâncias únicas, em interacção com humanos desde que nasceu, o que tornou o seu reportório gestual invulgarmente grande. 

Joseph Devlin, do departamento de psicologia experimental do University College de Londres, também estuda a evolução da linguagem: "É engraçado o entusiasmo que surgiu só porque uma gorila tosse", brinca ele, "mas apesar de parecer banal é mesmo interessante."

"A fala é impossível sem o controlo cognitivo da respiração. Por isso, os grunhidos e outros sons que os outros primatas fazem podem ser apenas vocalizações emocionais de ocorrência automática sem controlo consciente. O facto de Koko conseguir assoar o nariz ou fingir tossir quando lho pedimos demonstra que tem controlo consciente da sua respiração, tal como nós."

A linguagem tem muitas facetas: os gestos e grunhidos de Koko podem parecer mundanos mas representam manipulações cruciais, cuja capacidade é importante na linguagem falada de todos os dias. A linguagem na sua forma completa pode ser única dos humanos mas todas as espécies têm características que as tornam únicas. Como disse Darwin, diferimos dos nosso parentes mais próximos em grau e não em tipo.

"Talvez o que é único dos humanos seja o facto de podermos ser a espécie que tem todos os aspectos da linguagem mas cada vez surgem mais evidências de que a maioria, se não todas, as componentes da linguagem também podem ser encontradas noutras espécies e isso é que é muito entusiasmante", explica Devlin.

 

 

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