2015-08-22

Subject: Bolha no Pacífico norte agita gestão das pescas

Bolha no Pacífico norte agita gestão das pescas

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@ Nature/Ingo Arndt/Minden Pictures/FLPA

Condições sem precedentes no oceano Pacífico lançaram os gestores das pescas para águas desconhecidas: a 'bolha', uma massa de água invulgarmente quente que está estacionária no Pacífico norte há 18 meses, tem bloqueado a ascensão de águas profundas (vulgarmente conhecida por upwelling) que normalmente leva nutrientes às águas costeiras onde salmões, atuns, baleias e outras espécies migratórias engordam à custa de presas como as anchovas, sardinhas e krill.

A escassez de nutrientes chega num momento em que as espécies de presas já estão em mínimos históricos pois com o fortalecimento do El Niño (um aquecimento do Pacífico equatorial oriental que afecta os padrões climáticos de todo o mundo) os gestores das pescas já enfrentam uma incerteza muito maior quando se preparam para estabelecer limites de capturas para o próximo ano.

A situação deixa a nu a necessidade urgente de melhorar a forma como os processos ecológicos são tidos em conta na tomada de decisões sobre as pescas, dizem os cientistas no encontro anual da Sociedade Americana de Pescas em Portland, Oregon. Os gestores tendem a basear os limites de capturas em avaliações do estado dos stocks de peixe que se focam em espécies individualmente e assumem que as populações se mantêm estáveis. A gestão das pescas baseada nos ecossistemas aponta para uma abordagem mais abrangente e a longo prazo, que considere variáveis como as relações predador-presa, condições climáticas e factores económicos.

“Este ano é um excelente caso de estudo que mostra que precisamos de fazer uma gestão das pescas baseada nos ecossistemas”, diz Jason Link, cientistas sénior para a investigação ecológica na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) em Woods Hole, Massachusetts. 

Até agora, as entidades que determinam os limites de capturas só esporadicamente utilizaram a abordagem baseada nos ecossistemas mas, em Novembro passado, o Conselho de Gestão das Pescas do Pacífico, responsável pelas recomendações de capturas para a costa oeste americana, reviu e apoiou com algumas condições um modelo de computador abrangente baseado nos ecossistemas, o primeiro passo para a utilização dessa ferramenta na tomada de decisões.

Isaac Kaplan, biólogo perito em pescas no Centro de Ciências da Pesca do Noroeste da NOAA em Seattle, Washington, que liderou o desenvolvimento do modelo, diz que este deverá ser usado para prever de que forma o ecossistema do Pacífico norte responderá a desafios ominosos como o declínio das populações de sardinha e a acidificação os oceanos devida ao aquecimento global.

A gestão das pescas com base nos ecossistemas não é propriamente uma ideia inovadora: “Tem havia incontáveis apelos para que a gestão das pescas adopte uma abordagem mais abrangente mas a reacção a eles tem sido bastante lenta”, diz Tim Essington, perito em pescas na Universidade de Washington em Seattle.

A maior barreira pode ser a necessidade de recolher e analisar os dados biológicos relevantes, como informação sobre as relações entre predador e presa. “Percebemos que para convencer os decisores precisamos de oferecer aos gestores formas eficientes de simplificar o seu trabalho e evitar problemas”, diz Essington, que pertence a um grupo de trabalho que está a tentar implementar a gestão de pescas baseada nos ecossistemas e tenciona apresentar um esboço no próximo ano.

Para ajudar no planeamento, os apoiantes deste modelo de gestão das pescas estão a criar ferramentas como a Base de Dados de Dietas dos Predadores da Califórnia, que reúne informação sobre os hábitos alimentares de 119 espécies do Pacífico. Essa informação é valiosa na previsão de como flutuações na população de uma espécie de presa irão afectar os seus predadores.

No encontro, Link apresentou um plano para implementar as ferramentas ao nível dos ecossistemas no espaço de 3 a 5 anos para avaliar o risco de sobreexploração dos stocks e a vulnerabilidade da pesca às alterações climáticas.

Entretanto, a comunidade da conservação está preocupada com o potencial para o colapso em larga escala das pescas na zona perante a bolha e o El Niño. Se, como alguns temem, a bolha assinalar uma alteração de regime na forma como o Pacífico se comporta, eles defendem que a gestão baseada nos ecossistemas será essencial para prevenir uma catástrofe dessas. “Todo o sistema parece estar a mudar radicalmente”, diz Rebecca Goldburg, directora de oceanografia no Pew Charitable Trusts de Washington DC, “tornando o caso da gestão baseada nos ecossistemas ainda mais urgente.”

 

 

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