2015-08-21

Subject: Emissões chinesas de carbono sobrestimadas

Emissões chinesas de carbono sobrestimadas

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@ Nature/Xiezhengyi/Cpressphoto/Corbis

As emissões de carbono da China podem ser significativamente inferiores ao que antes de pensava, cerca de 14% menos em 2013 do que o estimado pelo governo chinês e outras entidades, de acordo com uma pesquisa publicada esta semana na revista Nature

A análise apoia-se em dados de mais de 4200 minas chinesas, incluindo novas medições do conteúdo energético do carvão, entre outras fontes.

“No início do projecto pensamos que as emissões podiam ser mais elevadas” do que as estimativas existentes, diz Zhu Liu, ecologista na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e autor principal do estudo. “Ficámos muito surpreendidos.”

As descobertas da sua equipa não retiram, no entanto, a China da sua posição de maior emissor de carbono do mundo. Mesmo quando se tem em conta a estimativa menor, as emissões de carbono chinesas para 2013 continuam a ser mais elevadas que as dos Estados Unidos, o segundo maior emissor, por mais de dois terços. 

Mas o estudo sublinha as há muito conhecidas incertezas presentes nos métodos usados pelos cientistas para calcular as emissões dos países individualmente e a quantidade de carbono que circula pela atmosfera e para os oceanos e ecossistemas. Para comparação, a redução cumulativa nas emissões chinesas estimada neste estudo, cerca de 2,9 mil milhões de toneladas de 2000 a 2013, é maior que a quantidade estimada de carbono que as florestas mundiais terão retirado da atmosfera de 1990 a 2007.

Isso representa um problema para os investigadores que estudam o ciclo do carbono: “Podemos facilmente voltar atrás e ajustar as estimativas de emissões chinesas de carbono”, diz Ashley Ballantyne, climatólogo na Universidade do Montana em Missoula. “Infelizmente, não podemos voltar a trás e ajustar todos os estudos anteriores sobre o ciclo global do carbono e as suas conclusões baseadas nas estimativas deturpadas das emissões.”

O governo chinês publicada dados sobre o consumo e produção de energia a nível provincial e nacional mas essas estatísticas são frequentemente contraditórias e são regularmente revistas. Liu e a sua equipa analisaram dados governamentais sobre produção de energia e importações e exportações de carvão, petróleo e gás. Descobriram que a utilização de combustíveis fósseis na China estava 10% acima da estimativa oficial do governo mas que as emissões totais eram inferiores quando se tinha em conta a dependência chinesa do carvão de baixa qualidade das minas domésticas. Este facto deve-se ao carvão de menor qualidade conter menos carbono que o de depósitos de alta qualidade, pelo que a sua queima produz menos energia e menos CO2.

A equipa diz que a sua estimativa para a quantidade de CO2 produzida pela queima de carvão chinês é de cerca de 40% menos por unidade que os números adoptados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) e calcula que as emissões devidas à produção de cimento, um processo alimentado a carvão e um dos principais contribuidores para as emissões globais, são 45% inferiores às estimativas existentes.

As medições do carvão foram recolhidas de relatórios das minas e de um projecto patrocinado pela Academia Chinesa de Ciências que avalia as emissões cumulativas de carbono do país, bem como a absorção de carbono pelos ecossistemas chineses. Liu que a qualidade do carvão chinês deve estar a piorar à medida que as reservas melhores vão sendo queimadas.

“Esta deve ser a melhor estimativa das emissões devidas à queima de carvão na China, o que é uma importante contribuição”, diz Gregg Marland, geólogo na Universidade Estadual dos Apalaches em Boone, Carolina do Norte, e co-autor do estudo. Mas acrescenta que o número revisto está dentro do intervalo de incerteza relatado nos inventários já existentes.

E pode ser preciso aumentá-la à medida que o governo chinês publica mais dados energéticos, diz Glen Peters, investigador de política climática no Centro Internacional para o Clima e Investigação Ambiental em Oslo. Apesar de a China ter referido em Fevereiro que o seu consumo de carvão tinha caído entre 2013 e 2014, salienta ele, desde então aumentou a sua estimativa cumulativa para o consumo de carvão da última década em 12 a 14%. 

Os cientistas ainda aguardam a publicação das estimativas revistas de produção de energia, incluindo importações e exportações, ao longo da última década. Liu considera improvável que as estimativas da sua equipa se alterem quando esses dados forem conhecidos mas Peters acha possível que os números possam subir até 7%.

Essas incertezas devem-se, em parte, às muitas diferentes formas de definir e medir o consumo de energia, os investigadores não sabem que tipo de assunções o governo chinês faz com os seus dados: “Se a China divulgasse as suas emissões de CO2 poderíamos saber as assunções que querem fazer e muitas destas dúvidas desapareceriam”, diz Peters. Mas o desafio não deverá ser ultrapassado rapidamente.

 

 

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