2015-08-20

Subject: Apelo islâmico ao abandono de combustíveis fósseis

Apelo islâmico ao abandono de combustíveis fósseis

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Chris Hondros/Getty Images

A menos de quatro meses de os políticos se reunirem em Paris para tentar chegar a acordo sobre um tratado climático internacional, eruditos islâmicos vieram sublinhar a urgência de travar as alterações climáticas.

A Declaração Islâmica sobre Alterações Climáticas Globais, redigida por um grupo de académicos, eruditos muçulmanos e peritos internacionais em ambiente, foi anunciada esta semana no simpósio sobre o Islão e as alterações climáticas que decorreu em Istambul.

A declaração apela aos 1,6 mil milhões de muçulmanos por todo o mundo que eliminem gradualmente as emissões de gases de efeito de estufa resultantes dos combustíveis fósseis e passem a utilizar fontes de energia renováveis.

Ao contrário do catolicismo, por exemplo, não há uma autoridade central no Islão mas a declaração sugere que os muçulmanos têm um dever religioso de travar as alterações climáticas.

Exactamente, o que diz a declaração?

Resumidamente, a declaração refere que as alterações climáticas resultantes da queima de combustíveis fósseis têm que ser urgentemente travadas, sob pena de os ecossistemas e a civilização humana sofrerem severas perturbações.

“A actual taxa de alterações climáticas não pode ser sustentada e o delicado equilíbrio da Terra (mīzān) pode ser perdido em breve”, pode ler-se na declaração. “A poluição excessiva devida aos combustíveis fósseis ameaça destruir as dádivas que Deus, para nós conhecido por Alá, nos concedeu, dádivas como um clima funcional, ar limpo para respirarmos,  estações do ano regulares e oceanos vivos.”

Citando um relatório de 2014 do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), alerta para o facto de componentes do sistema Terra estarem em risco de sofrer alterações abruptas e irreversíveis.

A declaração também lamenta o lento progresso das negociações internacionais sobre alterações climáticas: “É alarmante que, apesar de todos os alertas e predições, o sucessor do Protocolo de Quioto, que devia estar em vigor desde 2012, tenha sido adiado. É essencial que todos os países, especialmente os mais desenvolvidos, aumentem os seus esforços e adoptem uma abordagem mais proactiva necessária a travar e eventualmente reverter os danos que estão a ser feitos.”

Até que ponto esta declaração é significativa?

A Indonésia, país predominantemente muçulmano, está entre os 10 maiores emissores de carbono se tivermos em conta as alterações de uso da terra e as florestas, segundo o Instituto dos Recursos Mundiais, uma entidade ambientalista de Washington DC. A maioria da pegada de carbono das ilhas-nação resulta da desflorestação e da drenagem das turfeiras ricas em carbono. A Índia, um país oficialmente não muçulmano mas com uma importante população islâmica, também está entre os 10 maiores emissores.

Apesar de outros países islâmicos, especialmente os maiores produtores de combustíveis fósseis do Golfo Pérsico, terem contribuições menores em termos absolutos, têm das maiores emissões per capita do mundo, especialmente devido ao uso intensivo de electricidade para refrigeração ou dessalinização, por exemplo.

Alterações de atitude nesses países podem ser importantes à escala global, diz Saleemul Huq, director do Centro Internacional para as Alterações Climáticas e Desenvolvimento em Dhaka, Bangladesh, e um dos autores da declaração: “Acredito que o nosso apelo irá ajudar a reduzir as emissões”.

Seyyed Hossein Nasr, teólogo na Universidade George Washington em Washington DC, que tem escrito ensinamentos sobre o ambiente, pensa que o principal valor da declaração será o de recordar aos muçulmanos que "a natureza não é uma máquina, tem um significado espiritual”. Mas continua céptico sobre se será capaz de afectar as políticas ou alterar o pensamento dos governos.

O mundo islâmico está atrasado na forma como lida com as alterações climáticas?

Alguns países ricos em petróleo, incluindo a Arábia Saudita, têm-se mostrado relutantes em restringir a recolha e utilização de combustíveis fósseis, a sua posição pode ser uma barreira às negociações que rodeiam os cortes de emissões de Paris, em Dezembro.

Mas alguns países predominantemente muçulmanos, como o Paquistão e o Bangladesh, também estão extremamente ameaçados pelos extremos de calor e precipitação, bem como pela crescente subida do nível do mar. Ciente destas ameaças, o Bangladesh instalou mais de 3,5 milhões de sistemas solares caseiros nas áreas rurais do país e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, tem sido um dos pontos quentes de investigação em energia solar.

Em que ponto estão outras religiões relativamente às alterações climáticas? 

Este apelo mobilizador da comunidade muçulmana não é a única intervenção de líderes religiosos nos últimos tempos. Em Junho, o Papa Francisco emitiu uma mensagem semelhante aos 1,2 mil milhões de católicos de todo o mundo, na forma de uma carta de 192 páginas aos seus bispos vulgarmente conhecida por encíclica. No dia seguinte, os líderes da igreja anglicana emitiram uma versão actualizada da sua Declaração de Lambeth sobre Alterações Climáticas, cujo original tinha sido publicado em 2009.

As três declarações partilham muitas ideias, incluindo o reconhecimento que as alterações climáticas que se podem observar actualmente são induzidas pelo Homem e o apelo às nações mais ricas para que façam mais para apoiar os países mais pobres e mais vulneráveis aos efeitos dessas alterações.

“Todas as fés estão a falar das alterações climáticas”, diz David Shreeve, conselheiro ambiental da Igreja de Inglaterra. “É óptimo que os muçulmanos publiquem esta declaração pois, seja qual for a nossa crença, é uma excelente oportunidade se todos nos unirmos e mostrarmos a nossa preocupação com a situação.”

 

 

Saber mais:

Emissões de dióxido de carbono ameaçam causar uma crise oceânica

Extremos climáticos cada vez mais associados a aquecimento global

Papa Francisco pressiona acção para limitar alterações climáticas

Climatólogos a físicos: o planeta precisa de vós!

Limite de 2ºC de aquecimento global no fio da navalha

2014 foi o ano mais quente de que há registo

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com