2015-08-19

Subject: Rãs desenvolvem defesas rápidas contra ameaça de pesticidas

Rãs desenvolvem defesas rápidas contra ameaça de pesticidas

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Royce DeGrie/Getty Images

Várias espécies de rãs conseguem activar rapidamente resistência genética a um grupo de pesticidas comuns. Num caso, a rã dos bosques Lithobates (Rana) sylvaticus foi capaz de colocar em acção essas defesas em apenas uma geração após a exposição a ambientes contaminados, relataram os cientistas na mais recente conferência da Sociedade Ecológica da América, que decorreu em Baltimore, Maryland.

Este é o primeiro exemplo conhecido de uma espécie de vertebrado capaz de desenvolver resistência a pesticidas através de um processo conhecido por plasticidade fenotípica, em que a expressão de alguns genes é alterada em resposta a pressões ambientais. Não envolve alterações nos próprios genes, o que frequentemente exigiria muitas gerações a desenvolver.

A rápida resposta das rãs dá esperança a muitas espécies de anfíbios, dos quais um terço está ameaçado ou extinto, diz Rick Relyea, ecologista no Instituto Politécnico Rensselaer em Troy, Nova Iorque, e líder da equipa que fez a descoberta.

“As rãs conseguem evoluir muito mais rapidamente do que pensávamos”, diz Andrew Blaustein, ecologista de anfíbios na Universidade Estadual do Oregon em Corvallis. “É possível que esta descoberta espantosa possa ter algum valor prático para a conservação mas a situação é complexa, há um verdadeiro cocktail de problemas.”

Em 2013, Relyea e a sua equipa descobriram que rãs L. sylvaticus que viviam perto de terrenos agrícolas no noroeste da Pennsylvania eram resistentes ao pesticida carbaryl. Testes laboratoriais revelaram que os embriões de rã e juvenis que viviam longe de campos de cultivo não eram resistentes ao pesticida mas tornavam-se rapidamente tolerantes quando expostos ao baixos níveis do pesticida.

Pesquisas subsequentes revelaram que outra espécie, a rela cinzenta Hyla versicolor, também conseguia activar a resistência ao carbaryl com a mesma rapidez que a L.sylvaticus. As rãs que desenvolviam a resistência ao carbaryl também revelavam resistência a outro pesticida, o malathion. Ambos os pesticidas funcionam inibindo a enzima acetilcolina-esterase (AChE), que actua sobre o neurotransmissor acetilcolina.

“Se a tolerância induzida ocorre de forma mais generalizada na natureza, isso pode alterar a nossa perspectiva sobre a forma como os pesticidas afectam os organismos", diz Relyea.

Alguma da investigação mais recente desta equipa mostra que as rãs L. sylvaticus que vivem perto de terrenos agrícolas contaminados evoluíram para expressar permanentemente a resistência após a selecção natural favorecer o fenótipo 'activado', um processo conhecido por assimilação genética. Pelo contrário, populações que habitam terrenos livres de pesticidas apenas mostram a sua tolerância após serem expostas a baixos níveis dos químicos.

Os cientistas apenas observaram um punhado de outras espécies que evoluem através de plasticidade fenotípica, como as plantas que se alteram de forma a sobreviver a altitudes superiores em resposta a alterações climáticas.

Relyea sugere que as pragas agrícolas, como os pulgões e os escaravelhos (os alvos pretendidos dos pesticidas), também poderão ser capazes de desenvolver resistência da mesma forma. Compreender de que forma a tolerância se desenvolve pode ajudar os agricultores a impedir que as pragas desenvolvam resistência: eles podem não aplicar uma primeira dose de pesticida em baixas doses se souberem que isso pode ajudar as pragas a tornarem-se resistentes, acrescenta ele.

 

 

Saber mais:

Fungo asiático ameaça salamandras europeias

Novos vírus estão a matar anfíbios em Espanha

Rãs urbanas usam esgotos como megafones

Sapos tóxicos podem ser desastre ecológico em Madagáscar

Redução de tamanho de salamandras associada a alterações climáticas

Testes de gravidez trouxeram fungo mortal para os Estados Unidos

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com