2015-08-16

Subject: Moscas que vencem parasitas produzem descendência com maior variedade genética

Moscas que vencem parasitas produzem descendência com maior variedade genética

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@ Nature/Dahlia Nielsen/NC State UniversityAs moscas-da-fruta fêmea que adoecem produzem descendência com maior diversidade genética do que a das moscas saudáveis, descobriram os investigadores.

A descoberta, publicada na última edição da revista Science, encaixa num princípio biológico há muito conhecido: quando perante um ambiente adverso, como calor ou falta de alimento, os organismos tendem a produzir descendência com maior variabilidade genética, como forma de lhes dar, pelo menos a alguma dela, uma maior probabilidade de sobreviver à ameaça no futuro.

As infecções bacterianas ou parasíticas podem ter o mesmo efeito mas até agora os biólogos apenas tinham encontrado ténues evidências para esta ideia.

Uma equipa liderada por Nadia Singh, bióloga na Universidade Estadual da Carolina do Norte, infectou deliberadamente moscas-da-fruta fêmea Drosophila melanogaster com uma variedade de estirpes bacterianas antes de permitirem que as sobreviventes acasalassem. Descobriram que a descendência resultante tinham maior probabilidade de ter sofrido recombinação genética do que os descendentes de moscas saudáveis. Esta recombinação ocorre quando os óvulos e os espermatozóides se formam na meiose.

Exactamente por que razão a descendência das moscas-da-fruta infectadas têm DNA mais misturado não é clara, diz Singh. O efeito ocorre na descendência nascida de óvulos já formados na mosca progenitora antes de ser infectada, logo não se trata simplesmente de a infecção conduzir a recombinação durante a meiose.

Em vez disso, é possível que, no caso de infecção, os óvulos já existentes que por acaso tinham tido maior recombinação terem maior probabilidade de produzir um embrião viável, por razões desconhecidas. “Temos muitas experiências planeadas para isso no futuro", diz Singh.

Um dos aspectos mais surpreendentes do trabalho, acrescenta Singh, foi o que aconteceu quando as larvas de mosca-da-fruta foram expostas à vespa parasítica Leptopilina clavipes. Estas vespas colocam um ovo na cavidade corporal da larva da mosca-da-fruta. Posteriormente o ovo choca e devora a larva de dentro para fora, a não ser que seja morto pelo sistema imunitário da mosca. Mesmo quando as moscas ficam infectadas desta forma no estádio larvar, ou seja, antes de os ovários das fêmeas se terem desenvolvido completamente, os investigadores ainda observaram uma maior variação genética na eventual descendência dos sobreviventes.

Não é claro de que forma uma infecção tão cedo no ciclo de vida da mosca pode criar um sinal que conduza a um aumento da variabilidade genética na descendência, diz Singh. “Não temos absolutamente nenhuma ideia do que esse sinal poderá ser", acrescenta ela.

“O estudo é um importante passo em frente na nossa compreensão do processo evolutivo”, diz Nick Priest, biólogo na Universidade de Bath, Reino Unido, que estuda a forma como a variação genética conduzida pelo stress pode estar subjacente à evolução.

As moscas progenitoras boas a combater infecções, salienta Priest, têm maior probabilidade de transmitir um sistema imunitário forte à sua descendência, o que significa que a sua descendência pode correr o risco de perder genes vantajosos por recombinação genética. Assim, Priest espera que as moscas mais doentes, as que têm dificuldade em combater a infecção, seriam as com maior probabilidade de recombinar genes na sua descendência. “Esse é o próximo teste crucial", diz ele.

Singh considera que não há razão para o efeito ser único às moscas-da-fruta: “Queremos saber se outras espécies também o fazem pois representa uma nova forma como os progenitores podem influenciar a potencial maior aptidão da sua descendência", diz ele.

 

 

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