2015-08-12

Subject: Biobanco de ébola fortaleceria a ciência africana

Biobanco de ébola fortaleceria a ciência africana

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@ Nature/Daniel Berehulak/NYT/Redux/Eyevine

À medida que o surto de ébola se desvanece na África ocidental, está em curso um esforço para dar o melhor uso possível das dezenas de milhar de amostras de pacientes recolhidas pelas agências de saúde pública que lutaram contra a epidemia.

Entre 6 e 7 de Agosto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) organizou um encontro em Freetown, Serra Leoa, para debater a criação de um biobanco contendo até 100 mil amostras de sangue, sémen, urina e leite materno de pacientes infectados com ou suspeitos de estar infectados com ébola, bem como esfregaços retirados de pacientes que morreram por acção do vírus.

Conservadas pelas agências de saúde ocidentais e africanas, as amostras podem ser muito valiosas na compreensão da forma como evoluiu a actual crise do ébola, na preparação para futuros surtos e desenvolvimento de capacidade de investigação de saúde pública numa região que tem dependido de peritos externos.

“Há muitas, muitas formas de este recurso se revelar precioso”, diz Cathy Roth, conselheira da OMS em Genebra, que organizou o encontro como parte de uma série de discussões internacionais sobre a criação do biobanco de ébola. Uma das dificuldades é o facto de não existir um plano para a forma como esse biobanco funcionaria, pelo que os países ainda não se comprometeram a participar.

Uma proposta é associar as colecções já existentes num biobanco online com um laboratório de referência em África que manteria certas amostras, por exemplo, colecções obtidas de grupos notáveis de pacientes ou de pessoas seguidas especialmente de perto no curso da doença. Esse tipo de instalação seria única na região pois actualmente não existe nenhum laboratório de alta contenção na zona do ébola que seja adequado ao estudo de vírus vivos e altamente perigosos.

Apesar das amostras recolhidas ultrapassarem largamente as recolhidas em surtos anteriores, ainda são um recurso finito. As discussões em curso precisam de determinar quem decide que as amostras podem ser usadas e para que fim, bem como que tipo de investigação deve ser enfatizado.

“Queremos ter prioridades de investigação determinadas, pois estas amostras representam um recurso que se esgotará”, diz Ethan Guillen, gestor do projecto ébola nos Médicos sem Fronteiras (MSF) em Genebra, que defende a criação do biobanco.

A atribuição do controlo sobre essas decisões aos 3 países onde ocorreram a maior parte dos casos de ébola, Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, é uma prioridade para os MSF. Historicamente, a maior parte da investigação sobre as febres hemorrágicas tem sido feita nos países desenvolvidos usando amostras obtidas em países em desenvolvimento. Guillen considera esse aspecto parte da razão porque, 40 anos depois do ébola ter sido documentado em África, continua a não haver capacidade de saúde pública suficiente em alguns países para conter a doença ou ferramentas eficazes para a prevenir e tratar.

Guillen diz que os países afectados precisam de um sistema em que “os seus cientistas tenham uma palavra a dizer sobre o que acontece e possam aprender com a experiência de modo a não dependerem de actores externos".

Por esta altura já milhares de amostras foram enviadas para fora de África por agências de saúde estrangeiras que testaram pacientes para o ébola durante o surto. Várias, incluindo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, Georgia, o Projecto Europeu do Laboratório Móvel e o Instituto Pasteur de Paris, mostraram-se muito cautelosos relativamente à criação do biobanco.

Apenas o Laboratório Móvel forneceu dados detalhados sobre a quantidade de amostras que tem em seu poder, que serão cerca de 3 mil num laboratório de elevada contenção em Hamburgo, Alemanha, disse o virologista Stephan Günther, do Instituto Bernhard Nocht de Medicina Tropical de Hamburgo, que implementou o projecto do laboratório. Günther diz que a sua instituição apenas guarda as amostras, que continuam a ser propriedade dos países onde foram recolhidas. O projecto assinou acordos com a Serra Leoa e a Guiné-Conacri que garantem acesso de investigadores desses países, acrescenta ele.

A Public Health Canadá refere que ainda não retirou amostras de África mas não revela onde as mantém, citando preocupações de biossegurança.

O CDC confirma que tem amostras tanto em África, como nos Estados Unidos mas não refere quantas tem. Em Dezembro, enviou 7 mil amostras da Serra Leoa para os Estados Unidos mas como a agência tem tido questões relacionadas graves quebras de biossegurança, considera este um forte argumento contra a criação de um biobanco.

Guillen espera que estas questões sejam ultrapassadas: “Precisamos de melhores ferramentas de investigação e espero que sejamos rápidos a colocá-las à disposição de todos.”

 

 

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