2015-08-11

Subject: A razão porque uma proibição da caça pode não ser a solução

A razão porque uma proibição da caça pode não ser a solução

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@ BBC

Três pequenos pontos no écran partido de um smartphone revelam a Brent Stapelkamp as últimas localizações do leão Jericho. A cada duas horas a sua coleira localizadora contacta o satélite e fica claro no mapa que o leão, o parceiro de Cecil, deixou a protecção do Parque Nacional Hwange e se aventurou para terrenos particulares de caça.

É a mesma zona onde Cecil foi morto e Jericho, que tem conduzido o resto da família consigo, tem passado muito tempo no local recentemente, chamando pelo amigo.

Brent, investigador de campo da Unidade de Investigação da Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford, seguia Cecil há 9 anos e foi ele que descobriu que o animal tinha sido abatido.

"Quando vão caminhando surge uma linha de pontos no mapa mas se param para comer vê-se um grande punhado de pontos", explica ele. "O facto ele ter estado a comer antes de a sua coleira ter sido desligada deu-me a ideia de que lhe foi apresentado isco para o atrair." 

A sua última posição conhecida foi o suficiente para conduzir as autoridades ao cadáver de Cecil.

Uma linha de caminho de ferro é tudo o que divide o parque de terrenos de caça privados, não há qualquer vedação ou barreira e os animais passam de um lado para o outro a toda a hora.

O caçador profissional que liderou a agora infame expedição de Walter Palmer está a ser julgado e o dono das terras pode enfrentar um processo por permitir a morte de um leão sem licença. A caça grossa, incluindo a de leões, foi suspensa em redor de Hwange, enquanto decorre uma investigação sobre o sistema de quotas. Este facto, bem como a indignação internacional, significa que Jericho está seguro, por enquanto.

A reacção internacional à morte do famoso leão desencadeou um aceso debate sobre se a caça para troféus deve ser proibida mas pouco se debate no local, mesmo entre os conservacionistas.

A posição de Brent Stapelkamp não surpreende: "Pessoalmente não quero ver nunca mais caç a leões, apenas devido à forma como os leões reagem a ela." Mas ele não a quer proibida.

"A caça pode ser um componente valioso da conservação. Se uma propriedade tem uma quota de caça e o dinheiro assim gerado é usado na gestão da terra, não será um risco", explica ele. "Por isso temos que ser cuidadosos, a reacção mundial pode polarizar as coisas e a caça acabar banida. Acho que devemos ser muito cautelosos na forma como gerimos as emoções aqui desencadeadas."

Os animais protegidos não podem ser abatidos e são estabelecidas quotas para os restantes, tipicamente entre 0,5 e 2% da população de uma dada área. Se o sistema funcionar correctamente, o dinheiro é usado para financiar o parque nacional, pagar aos rangers e proteger os animais.

Trevor Lane, do grupo conservacionista Bhejane Trust, considera que a caça furtiva é uma ameaça muito maior. Tanto pode ser a caça furtiva comercial para a obtenção de presas de elefante ou cornos de rinoceronte, ou de subsistência, realizada pelas empobrecidas populações locais em busca de alimento mas que acaba por matar também a caça grossa.

"Se retirássemos a caça legal dessas áreas sem oferecer uma alternativa, os animais seriam abatidos por caçadores furtivos no espaço de 2 anos e não sobraria nada", diz ele. "As caçadas legais trazem rendimento, sei que é algo terrível para muitas pessoas mas temos que ser práticos e realistas nestas bandas. A opção é, muitas vezes, perder alguns animais, que pagam pela conservação, ou perder todos pois não temos capacidade, financeira ou outra, para proteger estas áreas. Se houvesse uma alternativa, certamente todos a analisaríamos com prazer."

Muitos esperam que o resultado da investigação e a atenção ao sistema signifique uma melhor protecção aos animais mas tudo se resume a financiamento: "Há um acordo mais ou menos generalizado de que as nossas regras actuais são suficientes mas talvez seja preciso ser mais eficaz na sua monitorização e aplicação", diz Edison Chidziya, director-geral da Gestão dos Parques Nacionais e Vida Selvagem do Zimbabwe.

O foco global na morte de Cecil uniu toda a indústria, há grande optimismo de que as regulamentações deverão ser apertadas e expulsos aqueles que têm infringido a lei mas com a fixação na caça para troféus acima de tudo a opinião pública pode estar a falhar algo mais importante. A caça furtiva está a conduzir muitas espécies ao limiar da extinção e há certamente outros aspectos da indústria da caça que mereceriam mais escrutínio.

 

 

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