2015-08-05

Subject: Apelo à cautela na edição de DNA de vida selvagem

Apelo à cautela na edição de DNA de vida selvagem

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@ Nature/David Scharf/Corbis

“Bolas!” foi a primeira palavra pronunciada por Kevin Esvelt quando leu o artigo publicado na revista Science em Março passado. O trabalho descrevia a utilização de uma técnica de edição genética para inserir uma mutação em moscas-da-fruta que seria passada a praticamente toda a sua descendência.

Ainda que intrigante, o artigo fez Esvelt sentir-se inquieto: se as moscas geneticamente modificadas escaparem do laboratório, a mutação pode propagar-se rapidamente nas populações selvagens. E isso foi exactamente o que entusiasmou o biólogo molecular Anthony James, da Universidade da Califórnia, Irvine. “Caramba!”, escreveu ele aos autores do estudo, “podemos usar isso em mosquitos?”

A 30 de Julho, a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NAS) realizou o primeiro de uma série de encontros com o objectivo de encontrar formas de equilibrar as promessas e os perigos da técnica, conhecida por motor genético. O método pode modificar rapidamente não um único organismo mas uma população inteira, inserindo a modificação genética desejada num organismo juntamente com DNA que aumenta a taxa com que a alteração é passada à geração seguinte.

A técnica pode ser usada para tornar os mosquitos incapazes de transportar os parasitas da malária ou dizimar espécies invasoras, mas também pode ter custos ambientais imprevisíveis e provavelmente impossíveis de reverter. “Uma vez libertada, não podemos traze-la de volta”, diz Walter Tabachnick, geneticista populacional na Universidade da Florida em Vero Beach.

A ideia do motor genético já existe há mais de uma década mas a sua exequibilidade recebeu um enorme reforço há 3 anos, com a chegada da CRISPR, a técnica de edição genética que permite alterações precisas ao DNA de um organismo.

O artigo da Science, escrito pelo biólogo do desenvolvimento Ethan Bier e o seu estudante Valentino Gantz, da Universidade da Califórnia, San Diego, descreve como usaram a CRISPR para inserir uma modificação em genes de ambos os cromossomas de um par, de forma a que, quando as moscas se reproduzissem, transmitissem a modificação a praticamente toda a sua descendência.

O trabalho surgiu do desejo de desenvolver um sistema que tornasse mais fácil estudar alterações genéticas em organismos difíceis de criar em laboratório. Como a CRISPR mostrou funcionar num vasto leque de organismos, os investigadores esperam um dia ser capazes de modificar geneticamente populações selvagens da mesma forma.

Consciente tanto do potencial como dos riscos, Esvelt, bioengenheiro na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, reuniu um grupo de cientistas para escreverem um comentário ao artigo na revista Science, publicado na semana passada, expondo a necessidade de múltiplas estratégias de contenção para as pesquisas com motor genético feitas em laboratório.

Entretanto, o encontro da NAS marca o início de uma investigação de 15 meses em busca de formas de minimizar precocemente o risco de libertações para o campo. Dado que não se sabe de ninguém que tenha feito trabalhos usando CRISPR em mosquitos, o organismo com maior probabilidade de aplicação da tecnologia, o comité tem algum tempo para fazer o seu trabalho.

Mas continua a haver urgência, salienta Todd Kuiken, que explora o interface da ciência e das políticas no Centro Wilson em Washington DC. A tecnologia CRISPR com motor genético está a desenvolver-se a um ritmo alucinante e tem o potencial para alterar dramaticamente os ecossistemas, de formas inesperadas.

No encontro, Kuiken usou a invasão da carpa asiática a alguns lagos americanos como exemplo de quão pouco se sabe sobre os ecossistemas selvagens: “Ainda que esta seja uma espécie invasora, também uma espécie estabelecida. Não me parece que tenhamos uma correcta compreensão de como avaliar o que acontece quando removemos uma espécie de um ecossistema com esta dimensão.”

Entretanto, Esvelt e os seus colegas estão a estudar o sistema de motor genético com CRISPR no nemátodo Caenorhabditis elegans para aprenderem mais sobre o que acontece a uma população à medida que o DNA modificado é passado de geração em geração, acumulando mutações à medida que o faz. Também estão a testar forma de garantir que um dado motor genético pode ser contrariado uma vez libertado.

Estas questões exigem atenção imediata, diz o geneticista Daniel Wattendorf, da Agência de Projectos de Investigação Avançada (DARPA) em Arlington, Virginia. As preocupações de segurança podem significar que a DARPA precisa de começar a trabalhar na tecnologia antes que as directrizes sejam delineadas, acrescenta ele.

Tabachnick permanece preocupado pois teme que estes preparativos não sejam suficientes: “Como testamos um sistema destes e como o fazer com segurança? Não estou convencido que estes trabalhos possam alguma vez fornecer a garantia de segurança que temos de exigir.”

 

 

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