2015-08-03

Subject: Vacina fornece 100% de protecção contra ébola em teste

Vacina fornece 100% de protecção contra ébola em teste

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@ Nature/Cellou Binani/AFP/Getty Images

Uma vacina experimental contra o ébola parecer fornecer protecção total contra a infecção pelo vírus em pessoas com elevado risco de o contrair, revelam os resultados preliminares de um teste na Guiné-Conacri publicados na revista The Lancet. São as primeiras evidências de uma vacina que protege os humanos da infecção pelo ébola.

“Acreditamos que o mundo está à beira de uma vacina eficaz contra o ébola", disse Marie-Paule Kieny, assistente do director-geral para os sistemas de saúde e inovação da Organização Mundial de Saúde (OMS) durante uma conferência de imprensa em Genebra, Suíça.

Os resultados também têm implicações para a resposta a surtos em geral. "Isto mostra que é exequível desenvolver vacinas muito mais depressa do que se tem feito", diz Adrian Hill, perito em vacinas na Universidade de Oxford, Reino Unido, que está envolvido nos testes a outra vacina contra o ébola. “Só precisamos de as desenvolver e levá-las às pessoas antes dos surtos surgirem.”

Estima-se que 11280 pessoas tenham morrido durante a actual epidemia na África ocidental, segundo dados da OMS de 30 de Julho.

O teste da Guiné-Conacri, baptizado ‘Ebola, ça suffit' , testou um conceito de vacinação em anel, uma estratégia copiada dos bem sucedidos esforços par irradicar a varíola na década de 1970. Após um paciente contrair a doença, os seus contactos mais próximos são todos vacinados, na esperança de interromper a propagação da doença.

O teste guineense teve duas vertentes: uma em que os adultos que estiveram em contacto com alguém infectado com ébola, e os seus contactos subsequentes, eram vacinados logo após o paciente original ter desenvolvido ébola, e uma segunda em que eram os contactos receberam a vacina três semanas depois. O teste testou a vacina conhecida por rVSV-ZEBOV, composta por um vírus de gado atenuado e modificado para produzir uma proteína do ébola. A vacina foi desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá e licenciada às farmacêuticas NewLink Genetics e Merck.

Das 2014 pessoas que receberam a vacina imediatamente na primeira vertente, nenhuma desenvolveu ébola 10 dias após a vacinação. O período de 10 dias permite à vacina desencadear a resposta imunitária e conter qualquer infecção preexistente de ébola. Algumas pessoas do grupo de vacinação imediata, no entanto, desenvolveram a doença entre 1 a 10 dias depois da vacinação. Isso é comparável com 16 infecções entre as 2380 pessoas da segunda vertente.

As descobertas significam que a vacina forneceu 100% protecção contra o vírus, apesar de a pequena dimensão do estudo poder indiciar que a verdadeira taxa de protecção da vacina pode ser ligeiramente inferior, diz Kieny. Os autores do artigo colocam a sua verdadeira eficácia algures entre os 75% e os 100%.

Hill descreve os resultados como “excelentes": "Esta vacina funciona muito bem durante 3 semanas, são óptimas notícias para uma situação de surto", diz ele. No entanto, falta saber quanto tempo dura a protecção contra o ébola: "Funcionará durante 6 meses? O teste não nos diz isso e esse deverá ser o próximo passo."

Os resultados surgem de dados até 20 de Julho mas Kieny diz que não foram detectadas em pessoas que foram vacinadas imediatamente. Com base nestes resultados, ela referiu que a vertente da vacinação retardada será encerrada e todos os contactos receberão a vacina imediatamente. Também é provável que adolescentes e crianças a venham a receber.

O surto na Guiné-Conacri está a desvanecer-se, só 4 casos foram detectados durante a semana de 26 de Julho, mas Kieny considera que a vacina rVSV-ZEBOV pode ajudar a acabar com ele de vez. “Vamos continuar enquanto houver casos”, diz ela.

Os pacientes começaram a ser vacinados na Guiné em Abril de 2015, quando dúzias de pessoas ainda eram diagnosticadas todas as semanas. Na altura, o ébola praticamente já tinha desaparecido da Libéria e número de casos tinha baixado drasticamente na Serra Leoa, dois países onde se planeiam testes de vacinas diferentes.

Com a redução do número de casos, muitos peritos dizem que o teste da Guiné era a maior esperança de determinar se uma vacina eficaz contra o ébola era sequer possível. A concepção com vacinação em anel que foi usada tinha maior probabilidade de fornecer resultados estatisticamente significativos, quando comparada com outros testes em curso na Libéria e na Serra Leoa, pois os pacientes da Guiné tinham um risco elevado de contrair a infecção.

“Uma vacina que não existia na clínica há um ano mostrou ser eficaz num teste de fase III e também no controlo de um surto, o que é um resultado fantástico", diz Hill.

Na sequência destes resultados do teste, a OMS decidiu que a vacina rVSV-ZEBOV continuará a ser usada no actual surto na Guiné, como parte do teste clínico, disse Kieny. Segundo ela, a OMS está agora a considerar aprovar a vacina para utilização generalizada, o que pode criar condições para estabelecer stocks de prevenção para futuros surtos ou mesmo ainda neste, caso o número de casos volte a aumentar na Serra Leoa ou na Libéria.

“Do ponto de vista de saúde pública esta é uma descoberta mesmo muito entusiasmante”, diz Seth Berkley, executivo-chefe da Gavi, a aliança de vacinas em Genebra, Suíça, que financia o acesso a vacinas em países de baixos rendimentos. A sua organização já antes tinha anunciado que pagaria a produção e a distribuição de uma vacina para o ébola durante o actual surto, caso ela surgisse.

Ele salienta que a rVSV-ZEBOV é uma vacina de primeira geração que não é a ideal para armazenar: tem que ser mantida a –80°C e protege contra um número limitado de estirpes de ébola. Ele considera que a Gavi deverá trabalhar com os investigadores e a indústria para apoiar o desenvolvimento de vacinas de segunda geração que protejam contra outras estirpes de ébola, bem como para o seu parente, o Marburg, e que não exijam armazenagem em congeladores caros.

Entretanto, e no entanto, ele refere que a Gavi vai considerar adquirir uma das vacinas de primeira geração.

 

 

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