2015-07-26

Subject: Cobra fóssil com quatro patas é a primeira a ser descoberta

Cobra fóssil com quatro patas é a primeira a ser descoberta

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@ Nature/Dave Martill/University of Portsmouth

A primeira cobra fóssil com quatro patas a ser descoberta está a forçar os cientistas a repensar a forma como estes répteis evoluíram a partir dos lagartos.

Apesar de ter quatro patas, a Tetrapodophis amplectus tem outras características que a marcam claramente como uma cobra, diz Nick Longrich, paleontólogo na Universidade de Bath, Reino Unido, e um dos autores do artigo que descreve o fóssil na revista Science.

Os membros do animal provavelmente não eram usados para a locomoção, alegam os investigadores, mas para agarrar as presas ou, talvez, para segurar em posição potenciais parceiros sexuais. Essas especulações inspiraram o nome da cobra, que, numa tradução livre, será 'cobra de quatro patas que abraça'. 

A Tetrapodophis foi originalmente encontrada na formação Crato, localizada no nordeste brasileiro e muito rica em fósseis, há várias décadas mas as suas patas podem ser difíceis de ver à primeira vista e permaneceu numa colecção privada, assumindo-se que não tinha nada de extraordinário.

“Estava confiante que podia ser uma cobra”, diz David Martill, paleobiólogo na Universidade de Portsmouth, Reino Unido, que se deparou com a descoberta em 2012. “Mas foi só após colocar o espécime no microscópio e olhar para ele em detalhe que a minha confiança cresceu. Tínhamos ido ver o Archaeopteryx, o elo que faltava entre as aves e os dinossauros, e descobrimos a Tetrapodophis, o elo que faltava entre as cobras e os lagartos.”

Há muito que os cientistas debatem se as cobras evoluíram a partir de animais terrestres ou marinhos. A Tetrapodophis não apresenta adaptações à vida marinha, como uma cauda usada para a natação, mas as proporções do crânio e do corpo são consistentes com adaptações para a vida subterrânea. Longrich considera que a descoberta mostra de forma inequívoca que as cobras se originaram no hemisfério sul e apoia fortemente uma origem terrestre.

Outras característica impressionante do fóssil é o seu comprimento relativo: a Tetrapodophis tem 272 vértebras, 160 das quais estão no corpo e não na cauda. Este número é mais de o dobro do limite que os investigadores pensavam que corpos alongados podiam atingir antes de começarem a perder as patas.

Martin Cohn, biólogo evolutivo do desenvolvimento na Universidade da Florida, Gainesville, diz que os membros do animal devem ter passado a ter outra função com a evolução, em vez de simplesmente se reduzirem à medida que o corpo se alongava. 

Esta visão contradiz algumas assunções sobre a evolução das cobras: como explica Cohn, o paradigma do alongamento do corpo levar à perda de membros precisa de ser ajustado. "Este fóssil mostra que os dois processos podem ser dissociados", diz ele. 

A descoberta surge num importante ano para a investigação da evolução das cobras, diz Cohn. Em Janeiro, o registo fóssil das cobras foi atrasado cerca de 70 milhões de anos até meados do Jurássico, há cerca de 160 milhões de anos, com o relato da cobra mais antiga a ser descoberta até agora.

Apesar de a Tetrapodophis não ser a cobra mais antiga, diz Cohn, “da perspectiva do desenvolvimento, este pode ser um dos fósseis mais importantes alguma vez encontrados, a combinação de um corpo tipo cobra com membros anteriores e posteriores completos é a versão cobra de um Archaeopteryx.”

@ Nature/Dave Martill, University of Portsmouth
 

 

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