2015-07-24

Subject: Descoberta zona do cérebro que pode tornar o Homem único

Descoberta zona do cérebro que pode tornar o Homem único

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@ Nature/UCL/Grant Museum/SPL

Os neurocientistas identificaram uma zona do cérebro que pode estar por trás das capacidades únicas da mente humana, incluindo a linguagem. A zona revela actividade em em cérebros humanos, mas não nos dos macacos, quando lhes foram apresentados diferentes tipos de informação abstracta. 

A ideia de que a integração de informação abstracta é o motor das capacidades únicas do cérebro humano existe há décadas mas o artigo publicado na revista Current Biology, que compara directamente a actividade de cérebros humanos e de macacos enquanto os animais ouvem padrões auditivos simples fornece a primeira evidência física de uma zona específica para essa função em humanos. 

Outros estudos que comparam macacos e humanos revelaram diferenças na anatomia do cérebro, por exemplo, mas não diferenças que pudessem explicar de onde provêem as capacidades de abstracção humanas, dizem os neurocientistas.

“Isto dá-nos uma importante pista sobre o que há de especial nas nossas mentes”, diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova Iorque, “nada é mais importante que compreender como nos tornámos o que somos.”

Uma equipa de investigadores liderada por Stanislas Dehaene, da Unidade INSERM de Neuroimagem Cognitiva de Gif-sur-Yvette, França, analisou as alterações nos padrões de activação do cérebro enquanto macacos e humanos não treinados ouviam uma sequência simples de tons, por exemplo 3 tons idênticos seguidos de um tom diferente, como a famosa sequência de 4 notas de abertura da 5ª sinfonia de Beethoven.

Os investigadores tocaram várias sequências diferentes com esta estrutura, conhecida por AAAB, e outras aos sujeitos, enquanto eles estavam deitados num scanner de ressonância magnética funcional (fMRI). Esta técnica detecta alterações no fluxo de sangue no cérebro que estão relacionadas com a actividade cerebral regional.

A equipa pretendeu perceber se os sujeitos das duas espécies eram capazes de reconhecer duas características diferentes das sequências: o número total de tons, indicando capacidade de contar, e a forma como os tons se repetiam, indicando a capacidade de reconhecer este tipo de padrão algébrico.

No primeiro caso, a sequência de tons podia ter sido mudada de AAAB para AAAAB: o padrão básico é o mesmo mas o número de tons muda.

No segundo caso, o inverso é verdadeiro: os tons podem ter mudado de AAAB para AAAA, mas o número permanece o mesmo. A equipa também analisou o que acontecia quando ambas as características mudavam ao mesmo tempo, por exemplo passando de AAAB a AAAAAA.

Tanto em macacos como em humanos, uma zona do cérebro, parte da qual já tinha sido associada a números, foi detectada pela imagem fMRI quando os sujeitos identificaram uma alteração no número de tons. Ambas as espécies também registaram o padrão repetitivo em áreas cerebrais específicas, conhecidas por serem equivalentes em humanos e macacos mas só os cérebros humanos mostraram uma resposta única às alterações combinadas de número e sequência, na forma de activação intensa de uma outra zona conhecida por giro frontal inferior.

“É como se os macacos reconhecessem um padrão mas não percebe que isso é interessante e não o leva mais longe, só os humanos passam ao nível seguinte de análise”, diz Marcus.

O giro frontal inferior faz parte do córtex, uma zona muito mais desenvolvida nos humanos que nos macacos. Mais, o giro frontal inferior dos humanos contém a área de Broca, que processa a linguagem e quando a equipa de Dehaene leu frases aos humanos as zonas da linguagem activadas sobrepunham-se às activadas pelas sequências de tons.

Mas a integração de informação abstracta pode ser significativa para além da linguagem: “Esperávamos que os humanos tivessem zonas do cérebro que integram informação”, diz o biólogo cognitivo Tecumseh Fitch, da Universidade de Viena. “Este tipo de computação pode acabar por se revelar relevante para outras características que tornam os humanos únicos, como o gosto pela música.”

 

 

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