2015-07-23

Subject: Medicamentos de anticorpos para Alzheimer parecem prometedores

Medicamentos de anticorpos para Alzheimer parecem prometedores

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@ Nature/Raul Arboleda/AFP/Getty

Após anos de desapontamentos, os resultados de um teste clínico agora conhecidos sugerem que tratamentos com anticorpos podem produzir pequenas melhorias em pessoas com a doença de Alzheimer.

Os medicamentos, o solanezumab da Eli Lilly e o aducanumab da Biogen, têm como alvo a proteína β-amilóide que se acumula no cérebro das pessoas com Alzheimer. Muitos investigadores questionam se as descobertas se confirmarão, dado que os medicamentos contra a amilóide falharam em todos os testes anteriores para a doença. Os detalhes da descoberta foram apresentados na Conferência Internacional da Associação Alzheimer em Washington DC.

A Lilly, de Indianapolis, Indiana, refere que num teste com 440 participantes, o solanezumab pareceu abrandar o declínio cognitivo de pessoas com Alzheimer ligeiro em cerca de 30%. A perda de acuidade mental nesses pacientes ao longo de 18 meses foi equivalente à deterioração dos participantes com um nível semelhante de Alzheimer do grupo placebo em apenas 12 meses.

A Lilly retirou esta pequena vitória das garras da derrota. Em 2012, a companhia relatou não ter encontrado diferenças entre pacientes que tinham tomado solanezumab durante 18 meses e aqueles que tomaram o placebo. Mas quando a companhia voltou a analisar esse teste descobriu uma ligeira melhoria nos participantes cujos sintomas eram ligeiros quando o teste começou. A Lilly continuou o teste mais 6 meses e começou a dar solanezumab aos 440 membros do grupo de controlo, cuja doença estava, por essa altura, mais avançada.

No encontro, a Lilly mostrou que dar o medicamento ao grupo que começou mais tarde abrandou o seu declínio cognitivo para o observado nas 440 pessoas que tinham sido tratadas durante todo o estudo. Isto sugere que o medicamento atingiu a raiz da doença de Alzheimer, em vez de apenas aliviar os seus sintomas.

A Biogen, de Washington DC, apresentou resultados que mostram que uma dose moderada do seu medicamento aducanumab reduziu a amilóide em 23 pessoas mas não mostrou benefícios clínicos estatisticamente significativos. Em Março, a companhia relatou que 27 pessoas que tinham recebido doses elevadas de aducanumab durante um ano revelavam um declínio cognitivo significativamente inferior ao das pessoas que receberam um placebo e tinham menor acumulação de amilóide no cérebro.

Ambos os conjuntos de resultados apoiam a hipótese amilóide, ou seja, a ideia de que os depósitos de amilóide no cérebro são a causa, e não o efeito, do Alzheimer e que a sua remoção impede a progressão da doença. "Estamos a rastejar na direcção certa”, diz Samuel Gandy, neurobiólogo na Faculdade de Medicina Mount Sinai em Nova Iorque. “Muita da euforia deve-se às coisas terem sido tão negativas durante tanto tempo.”

O solanezumab falhou em vários testes clínicos anteriores e as companhias Pfizer e Johnson & Johnson interromperam o desenvolvimento do seu medicamento de anticorpos bapinezumab em 2012 depois de testes em 2400 pessoas terem falhado. A Roche interrompeu o seu teste com 3000 pessoas do seu candidato gantenerumab em Dezembro passado, apesar de ter apresentado resultados esta semana que mostram que a maior dose do medicamento tinha penetrado no cérebro e reduzido a quantidade de amilóide em pacientes com a doença em progressão rápida.

Os peritos estão a receber as notícias com optimismo moderado, dada a pequena dimensão dos testes clínicos mas Eric Siemers, investigador do Alzheimer na Lilly, está optimista: “É surpreendente para mim que o solanezumab funcionou muito bem, há muitas promessas que abrande a progressão.”

A Lilly lançou um teste de fase III de maior dimensão do solanezumab em 2013, envolvendo 2100 pessoas com sintomas ligeiros e depósitos de amilóide no cérebro. A companhia irá terminar o estudo em Outubro de 2016. Em Dezembro a Biogen referiu que irá lançar um teste fase III com 2700 participantes que decorrerá durante 18 meses.

Lon Schneider, investigador de Alzheimer na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, questiona a decisão de iniciar testes maiores antes de os medicamentos, e a hipótese amilóide, terem sido devidamente validados: “Por que há tantos anticorpos quando nenhum, até agora, se revelou eficaz?”, pergunta ele, salientando que as intervenções comportamentais, como a dieta e o exercício, revelaram abrandar o Alzheimer tanto como qualquer medicamento.

Mas nem todos concordam: “É altura de sermos ousados”, diz Randall Bateman, neurologista na Universidade de Washington em St. Louis, Missouri. “Parece-me que os custos do atraso do ponto de vista do sofrimento humano são muito superiores que os custos de sermos activos.”

Bateman está a liderar um teste com o solanezumab da Lilly e o ganetenerumab da Roche em 160 pessoas entre 18 e 80 anos que têm risco genético de Alzheimer mas sem sintomas. É um dos vários esforços para tentar determinar se a doença pode ser prevenida destruindo a proteína amilóide antes de o cérebro ficar danificado. Os danos ocorrem ao longo de décadas e muitos investigadores do Alzheimer suspeitam que os testes com anticorpos falharam por tratarem as pessoas demasiado tarde.

Esta hipótese é apoiada pela descoberta da Lilly que apenas pessoas com doença ligeira beneficiam do solanezumab. Os últimos resultados também demonstram pela primeira vez em humanos que abrandar a deposição de amilóide abranda o declínio cognitivo, diz Eric Reiman, director executivo do Instituto Banner Alzheimer em Phoenix, Arizona.

Isso é importante pois a Administração americana da Alimentação e Medicamentos referiu que não aprovará medicamentos que bloqueiam os depósitos de amilóide sem suficientes evidências de benefícios clínicos. Se alguma farmacêutica conseguir provar que a relação causa e efeito entre a acumulação de amilóide e a progressão do Alzheimer, todas beneficiarão, diz Reiman, que lidera um teste do medicamento de anticorpos da Roche crenezumab, que também falhou em testes de grande dimensão.

Se esses medicamentos falharem nos testes maiores será um duro golpe para a investigação do Alzheimer, diz Gandy. “A principal preocupação é que linha por trás dos agentes redutores da amilóide é muito escassa", diz ele, apesar de pelo menos 3 companhias estarem a desenvolver terapias alternativas, incluindo anticorpos, que têm como alvo uma proteína diferente, a tau, que destrói os neurónios na fase avançada do Alzheimer.

 

 

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