2015-07-21

Subject: Adolescente francesa continua saudável 12 anos após cessar medicação

Adolescente francesa continua saudável 12 anos após cessar medicação

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@ Nature/Alexander Joe/AFP/Getty

Uma adolescente francesa infectada com HIV ao nascimento tem vivido de boa saúde uns espantosos 12 anos desde que tomou medicamentos anti-retrovirais pela última vez, revelam os investigadores. 

O caso, o exemplo mais antigo que se conhece de um paciente pediátrico com HIV que vive sem efeitos danosos depois de parar o tratamento, vem somar-se ao avassalador corpo de evidências que apoiam os benefícios do tratamento precoce e irá ajudar os investigadores a compreenderem melhor a razão porque alguns pacientes com HIV entram em remissão após cessarem o tratamento.

Os cientistas descreveram o caso de uma rapariga não identificada, que tem agora 18 anos, no encontro anual da Sociedade Internacional de SIDA em Vancouver, Canadá. Ela junta-se a um selecto grupo de pacientes com HIV, como o bebé do Mississipi e a coorte VISCONTI de 20 pacientes, que foram tratados muito cedo nas suas infecções e posteriormente retirados do tratamento sem efeitos negativos imediatos.

Estes pacientes são uma excepção muito rara à regra no entanto, alertam os médicos: a vasta maioria dos pacientes com HIV que cessam o tratamento têm uma recaía nos níveis de vírus que, se deixada sem tratamento, prejudicará a sua saúde.

“É um caso intrigante mas com um resultado muito único”, comenta a médica e virologista Deborah Persaud, do Centro Pediátrico Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, que relatou primeiro o bebé do Mississipi em 2013. “Tivémos muitas crianças que foram tratadas durante anos e ao cessarmos o tratamento têm recaídas, pelo que a mensagem global continua a ser que as crianças devem manter o tratamento.”

Os adultos da coorte VISCONTI controlaram o vírus sem medicamentos em média 10 anos antes de terem recaídas e o bebé do Mississipi controlou o vírus mais de 2 anos antes de ter uma recaída quando tinha quase 4 anos de idade.

Precisamente por isso, a reacção ao caso francês não foi tão eufórica como quando o bebé do Mississipi foi descrito pela primeira vez. “A certo ponto a ideia de remissão foi confundida com a ideia de cura e as expectativas foram demasiado elevadas”, diz o investigador translacional Asier Sáez-Cirión, do Instituto Pasteur em Paris, que apresentou o caso. “A família da rapariga entende que ela não está curada, é um estado de remissão e não sabemos exactamente o que aconteceu.”

Alguns cientistas ainda dizem que não é claro se a adolescente francesa, a coorte VISCONTI ou o bebé do Mississipi, os chamados controladores pós-tratamento, teriam sido capazes de controlar o vírus por si próprios se nunca tivessem sido tratados. Cerca de 1% dos pacientes com HIV, os chamados controladores de elite, conseguem controlar o vírus apesar de nunca iniciarem tratamento. Esse grupo revela características genéticas e imunitárias diferentes das dos controladores pós-tratamento.

“Parece que há alguma coisa diferente entre os controladores pós-tratamento e de elite", diz o virologista Steven Deeks, da Universidade da Califórnia, San Francisco. "Mas é impossível provar que estes controladores pós-tratamento também se teriam dado bem sem terapia.”

A adolescente francesa, como o bebé do Mississipi, foi infectada pela mãe ao nascer mas há algumas diferenças cruciais no momento e doses entre os dois regimes de tratamento.

A menina americana começou com uma terapia anti-retroviral fortemente activa, uma combinação de medicamentos poderosos concebidos para controlar o HIV, no espaço de 30 horas após o nascimento. Pelo contrário, a menina francesa foi inicialmente tratada durante 6 semanas com um único medicamento, zidovudine. Quando a sua carga viral disparou aos 3 meses, começou a ser tratada com uma combinação de 4 anti-retrovirais.

Por razões não reveladas, a sua família decidiu interromper o tratamento quando a menina tinha entre 5 e 6 anos de idade. Mesmo assim, quando foi observada pelos médicos aos 6 anos ela estava aparentemente saudável, com níveis indetectáveis de vírus no corpo. 12 anos depois ela permanece saudável apesar de não tomar medicamentos para a SIDA.

Não é clara a razão porque esta rapariga se tem dado melhor que o bebé do Mississipi e que a maioria dos pacientes com HIV e tem sido tópico de imenso escrutínio. O principal objectivo do campo do HIV é compreender se existem características que possam ser usadas para prever à partida quais os pacientes que se darão bem se cessarem o tratamento.

A adolescente francesa está agora ser estudada em conjunto com a coorte VISCONTI, 18 dos quais permanecem sem medicamentos. Apenas 5 a 15% das pessoas que iniciam tratamento precoce conseguem controlar o vírus após cessarem o tratamento desta forma.

A adolescente francesa e os outros pacientes VISCONTI partilham variantes particulares de genes imunitários que os parecem predispor a infecções precoces particularmente graves com HIV. Os investigadores não têm a certeza de que forma isso pode estar relacionado a posteriormente se tornem controladores pós-tratamento. talvez elas se tonam notórias antes e o tratamento iniciado mais cedo. Isso diferencia-os dos controladores de elite que, elo contrário, parecem ter características genéticas associadas com uma maior capacidade de controlar a infecção.

 

 

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