2015-07-17

Subject: Metabolismo do urso polar incapaz de lidar com perda de gelo marinho

Metabolismo do urso polar incapaz de lidar com perda de gelo marinho

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@ Nature/Ole Jorgen Liodden/naturepl.com

O metabolismo dos ursos polares não abranda muito durante os meses de Verão, quando o gelo marinho e o alimento se tornam mais escassos, revela um estudo agora publicado na revista Science. Com o Árctico a aquecer mais rapidamente que a média global, esta descoberta não augura nada de bom para os ursos polares Ursus maritimus, que usam o gelo como terreno de caça.

O gelo árctico está a desaparecer cada vez mais cedo no Verão e a formar-se cada vez mais tarde a cada Inverno, limitando as probabilidades dos animais capturarem focas. Sem forma de poupar energia, é improvável que os ursos polares sobrevivam a uma perda continuada do gelo marinho, causada pela subida das temperaturas, diz Merav Ben-David, ecologista da vida selvagem na Universidade do Wyoming em Laramie e co-autora do estudo.

A investigação sugere que os ursos não usam uma estratégia conhecida por hibernação em andamento, um estado de actividade reduzida e metabolismo abrandado, para sobreviver ao jejum de Verão, como antes se suspeitava. Em vez disso, revelam uma redução menor da sua taxa metabólica, semelhante à observada em qualquer mamífero com uma dieta restrita.

Ben-David descobriu esta situação colocando coleiras de seguimento e monitores de actividade em mais de duas dúzias de ursos polares de uma população do Mar de Beaufort, no norte do Alasca. Ela também implantou sondas em 17 indivíduos para medir a temperatura corporal, que está associada à taxa metabólica dos animais.

A sua equipa seguiu a actividade e temperatura dos ursos durante 2008 e 2009, descobrindo que as medições eram mais ou menos as mesmas para ursos que se deslocavam do gelo para terra e os que seguiam o recuo do gelo mais para norte. Uma pequena redução na temperatura corporal, cerca de 0,7ºC naqueles sobre o gelo, era demasiado pequena para corresponder a hibernação em andamento mas está de acordo com animais a jejuar.

“É raro haver este tipo de medição fisiológica feita em carnívoros selvagens de grande dimensão”, diz Terrie Williams, biólogo na Universidade da Califórnia, Santa Cruz. “Isso é que é espantoso.”

A localização remota tornou a recolha dos dados difícil: “Imagine-se fazer cirurgia estéril com grande cuidado a uma temperatura de -29ºC com o vento a uivar-nos na cara”, diz Ben-David. “Quando digo que foi um projecto complicado do ponto de vista logístico, estou a dizer a verdade.”

Lidar com esses desafios logísticos necessitou de um esforço coordenado entre muitas agencias e organizações, incluindo investigação e apoio no terreno do Geological Survey e do Serviço de Pesca e Vida Selvagem (SPVS) americanos. A missão de marcar os animais precisou de dois helicópteros e um navio quebra-gelo e a recaptura de todos os ursos para recuperação dos registos de temperatura levou 36 dias em pleno mar.

Os ursos polares foram considerados espécie ameaçada em 2008 mas Ben-David considera a acção pouco mais que simbólica: “Na realidade não podemos fazer muito ao abrigo da Lei das Espécies Ameaçadas para salvar os ursos polares”, diz ela. “O que precisamos para salvar os ursos polares é acção global para reduzir as alterações climáticas.”

A 6 de Julho a SPVS publicou uma proposta de plano para estimular a população de ursos polares, que se estimava entre 20 e 25 mil animais em 2008. O plano aponta para redução dos gases atmosféricos de efeito de estufa como o passo mais importante para a conservação da espécie.

 

 

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