2015-07-04

Subject: Emissões de dióxido de carbono ameaçam causar uma crise oceânica

Emissões de dióxido de carbono ameaçam causar uma crise oceânica

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@ BBC

Os cientistas alertam para as alterações irreversíveis causadas à vida marinha que irão acontecer se as emissões de CO2 não forem cortadas drasticamente. Escrevendo na última edição da revista Science, os peritos dizem que os oceanos estão a aquecer, a perder oxigénio e a acidificar, tudo devido ao CO2.

Segundo eles, a meta de 2ºC de subida máxima de temperatura associada às alterações climáticas acordada pelos governos mundiais não irá impedir impactos dramáticos nos ecossistemas oceânicos e consideram que o leque de opções está cada vez mais reduzido com a subida astronómica dos custos dessas opções.

Vinte e dois peritos mundiais em oceanos colaboraram na elaboração de um relatório síntese para uma secção especial da revista Science. Eles dizem que os oceanos estão em risco por uma combinação de graves ameaças relacionadas com o CO2.

Acreditam que os políticos que estão a tentar solucionar as alterações climáticas não têm dado atenção suficiente aos seus impactos sobre os oceanos. É claro, dizem eles, que o CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis está a alterar a química dos oceanos a uma taxa superior a qualquer outra desde o cataclismo natural conhecido por A Grande Mortandade, há 250 milhões de anos.

Os oceanos absorveram perto de 30% do dióxido de carbono que produzimos desde 1750, o que os está a acidificar. Também suavizaram as alterações climáticas absorvendo mais de 90% do calor adicional criado pela sociedade industrial desde 1970, o que dificulta a absorção de oxigénio pela água.

Várias experiências recentes sugeriram que muitos organismos conseguem suportar o aquecimento que o CO2 deverá causar ou a redução de pH ou a redução de oxigénio mas não todos estes aspectos ao mesmo tempo.

Jean-Pierre Gattuso, autor principal do estudo, refere: “Os oceanos têm sido considerados minimamente pelos anteriores negociadores climáticos mas o nosso estudo fornece argumentos convincentes para uma alteração radical na próxima conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas em Paris”. O carbono que emitimos hoje pode alterar os sistema Terra irreversivelmente durante muitas gerações, diz ele.

Carol Turley, do Laboratório Marinho de Plymouth e uma das co-autoras do estudo, comenta: “O oceano está na linha da frente das alterações climáticas com as suas física e química a serem alteradas a uma taxa sem precedentes, de tal forma que os ecossistemas e os organismos já estão a ser alterados à medida que emitimos mais CO2."

"Os oceanos fornecem-nos alimento, energia, minerais, medicamentos e metade do oxigénio na atmosfera, para além de regular o nosso clima. É por isso que pedimos aos nossos decisores que reconheçam as potenciais consequências destas alterações dramáticas e aumentem o perfil dos oceanos nas conversações internacionais onde, até agora, mal foi mencionado.”

Os cientistas dizem que a acidificação oceânica deverá ter impacto na reprodução, sobrevivência e alimentação das larvas e taxas de crescimento dos organismos marinhos, especialmente naqueles com conchas ou esqueletos de carbonato de cálcio. 

Segundo os autores, quando múltiplos factores de stress estão em acção simultaneamente podem ocasionalmente anular-se mutuamente mas mais frequentemente o que acontece é multiplicarem os seus efeitos negativos, por isso a protecção da costa, pescas, aquacultura, saúde humana e turismo, todos serão afectados por estas alterações.

Manuel Barange, director de ciência no Laboratório Marinho de Plymouth, comenta: “As alterações climáticas vão continuar a afectar os ecossistemas oceânicos de formas muito significativas e temos que registar isso e responder. Alguns ecossistemas e os seus serviços podem beneficiar das alterações climáticas, especialmente a curto prazo, mas os impactos globais são predominantemente negativos."

“Os impactos negativos serão sentidos especialmente nas regiões tropicais e em desenvolvimento, potenciando os desafios já existentes em termos de alimentação e segurança do modo de vida humano. Estamos a permitir-nos seguir um caminho único muito perigoso e estamos a faze-lo sem avaliarmos devidamente as consequências que se avizinham."

 

 

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