2015-06-30

Subject: Barreira dos sexos observada em mecanismo da dor persistente

Barreira dos sexos observada em mecanismo da dor persistente

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@ Nature/Simon Beggs/Wellcome Images

Diferentes células imunitárias regulam a sensibilização à dor em ratos macho e fêmea, revelou uma pesquisa agora publicada na revista Nature Neuroscience.

A surpreendente divisão biológica pode explicar por que razão alguns testes clínicos de medicamentos para as dores falharam e salienta as fraquezas na forma como muitos investigadores concebem as suas experiências.

O sistema imunitário tem papel importante na dor crónica, com as células da micróglia as intervenientes chave. A micróglia expressa uma proteína conhecida por factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF em inglês) para comunicar com os neurónios da medula espinal. Quando ocorre um ferimento ou uma inflamação este sinal sensibiliza o corpo para a dor, fazendo com que ao menor toque doa. 

Robert Sorge, psicólogo da Universidade do Alabama em Birmingham, induziu dor persistente em inflamação em ratos saudáveis, machos e fêmeas, cortando dois dos três ramos do nervo ciático nas suas patas traseiras. Sete dias depois injectou os animais com um de três medicamentos que inibem a função da micróglia.

Descobriu que todos os três medicamentos revertiam a sensibilização para a dor nos machos, como tinha sido anteriormente relatado, mas os tratamentos não tiveram qualquer efeito nas fêmeas, apesar de os animais revelarem níveis equivalentes de dor.

Os investigadores também modificaram geneticamente ratos em que o gene BDNF podia ser desactivado da micróglia a qualquer momento da vida dos animais. Inicialmente esses animais revelaram respostas normais à lesão no nervo mas matar a micróglia uma semana depois extinguiu a hipersensibilidade nos machos, mas não nas fêmeas. Isso confirmou que nos machos a hipersensibilidade à dor depende dos sinais BDNF da micróglia mas que nas fêmeas ela é mediada por outro tipo de mecanismo.

“Esta situação ainda não tinha sido relatada porque ninguém tinha usado fêmeas, logo não estavam em posição se era de uma maneira ou de outra”, diz Jeffrey Mogil, investigador da dor na Universidade McGill em Montreal, Canadá, e co-autor do estudo.

Mogil considera que os investigadores excluem frequentemente as fêmeas das suas experiências pois assumem que o ciclo menstrual perturba os dados. 

Mas mais importante, os resultados do trabalho da sua equipa podem explicar por que razão alguns medicamentos para a dor que tinham como alvo a micróglia falharam nos testes clínicos com humanos: “Talvez tenham falhado porque a biologia só é verdadeira para metade da população.”

John Wood, investigador da dor na University College, diz que as descobertas “são de enorme importância para a compreensão e tratamento da dor”. Ainda não é claro se os resultados se traduzem directamente para humanos mas colocam questões importantes para o desenvolvimento de medicamentos para o alívio da dor. “Existirão outros mecanismos específicos do género nas vias da dor e mesmo outros aspectos específicos do género na função do sistema nervoso central?”

Mogil está agora a tentar identificar a via da sensibilização da dor nos ratos fêmea e espera que as suas descobertas sejam um sinal para que outros incluam mais fêmeas nas suas experiências.

No ano passado, os Institutos Nacionais de Saúde americanos emitiram directrizes destinadas a aumentar a percentagem de sujeitos fêmea nos testes pré-clínicos para estabelecer equilíbrio mas muitos laboratórios continuam a experimentar exclusivamente em machos.

“Foi-nos dito que usássemos estirpes variadas e diferentes faixas etárias mas tudo isso custa dinheiro”, diz Mogil. “Incorporar fêmeas na concepção das nossas experiências não custa nada, logo espero que este trabalho ajude a convencer as pessoas de que vale a pena faze-lo.”

 

 

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