2015-06-29

Subject: Medicamento contra o cancro prolonga esperança de vida em moscas

Medicamento contra o cancro prolonga esperança de vida em moscas

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Nazif Alic/UCL

Um medicamento contra o cancro que prolonga a esperança de vida em moscas-da-fruta é a mais recente adição a um pequeno conjunto de compostos que demonstraram prolongar a vida, apesar de nenhum ainda ter sido testado em humanos.

O trametinib (Mekinist), desenvolvido pela farmacêutica londrina GlaxoSmithKline, já é utilizado no tratamento do melanoma avançado e prolonga a esperança de vida das moscas-da-fruta adultas em cerca de 12%, apesar de quanto mais tarde na vida o medicamento é tomado, menor o seu efeito, diz Linda Partridge, geneticista no University College de Londres e no Instituto Max Planck para a Biologia do Envelhecimento em Colónia, Alemanha, que liderou o trabalho. Os resultados do trabalho da sua equipa foram publicados na mais recente edição da revista Cell.

Mas Partridge apressa-se a alertar contra a corrida à toma de trametinib em busca de uma vida mais longa: “Isso seria uma loucura, simplesmente não sabemos o suficiente sobre as consequências a longo prazo.”

Os efeitos do trametinib estão associados a uma via metabólica controlada por uma família de proteínas, conhecida colectivamente por Ras, que parece ser importante tanto para o cancro, como para o envelhecimento. São activadas quando as células precisam de crescer e proliferar, por exemplo para reparar tecidos danificados. Mutações nestas proteínas estão associadas ao cancro, o que levou a décadas de procura de medicamentos que tenham as Ras como alvo.

Ao mesmo tempo, as proteínas Ras estão envolvidas noutras vias metabólicas firmemente associadas ao envelhecimento. Em leveduras, a delecção de um gene Ras prolonga a esperança de vida, salienta Valter Longo, director do Instituto da Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Para além disso, a equipa de Partridge demonstrou que os benefícios do trametinib nas moscas-da-fruta depende da supressão de uma via metabólica regulada pelas Ras. As moscas geneticamente modificadas para terem esta via metabólica permanentemente activada não vivem mais tempo com o trametinib.

Partridge espera estender os seus estudos a células de mamífero em cultura e a ratos. “Neste momento, não sabemos qual é a situação em mamíferos.” Apesar de muitas das funções das Ras serem semelhantes em moscas e mamíferos, Partridge salienta que as vias metabólicas celulares em mamíferos são geralmente mais complexas que as suas análogas nas moscas, com múltiplas vias alternativas que se compensam se um dos ramos da via principal é encerrado.

O campo da pesquisa sobre o envelhecimento está pejado de alegações de que ajustando a actividade uma ou outra proteína se prolonga a longevidade mas muitos desses resultados não são reproduzíveis, recorda Partridge, que tem apelado a um reforço dos standards. Muitas vezes, diz ela, a confusão é causada por variações desvalorizadas nos antecedentes genéticos dos animais estudados ou no impacto de variações ambientais subtis na longevidade. No estudo da Cell, a sua equipa andou encalhada durante meses devido a dados inconsistentes, antes de descobrir que as moscas eram afectadas por variações nas porções de leveduras usadas para o seu alimento.

Outros compostos que já se revelaram promissores incluem o imuno-supressor rapamicina, que prolongou a esperança de vida em ratos. Os investigadores também esperam avaliar os efeitos anti-envelhecimento de um medicamento para a diabetes chamado metformina em testes com humanos.

Mas Longo concorda com Partridge que é demasiado cedo para pessoas saudáveis começarem a tomar trametinib em busca da fonte da juventude. Ele conhece pessoas, algumas delas médicos, que decidiram tomar rapamicina apesar dos seus efeitos secundários (que incluem resistência à insulina e diabetes) e da falta de evidências de que o medicamento permita humanos viverem mais tempo. Fazer o mesmo com o trametinib seria particularmente alarmante, diz ele: “Afectar uma via metabólica central em todas as nossas células é verdadeiramente assustador, não tentem isto em casa.”

 

 

Saber mais:

Cães de companhia vão testar medicamento anti-envelhecimento

Esperança de vida previsível desde muito cedo

Nem todas as espécies entram em declínio com a idade

Relógios biológicos desafiam ritmos circadianos

Os mais pobres da Costa Rica vivem mais tempo

Isolamento social reduz esperança de vida

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2015


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com