2015-06-27

Subject: Trigo GM que emite alarme contra pragas falha em testes de campo

Trigo GM que emite alarme contra pragas falha em testes de campo

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@ Nature/Rothamsted Research

Uma cultura de trigo geneticamente modificado (GM) que emite uma feromona de alarme de insectos para afastar pragas não funcionou nos testes de campo, revelaram os desapontados investigadores.

Cientistas da Rothamsted Research, um instituto de ciência agronómica a norte de Londres, esperavam que as experiências prometedoras em laboratório, em que o trigo GM tinha realmente repelido afídeos, fossem transpostos para o campo e significassem que as culturas pudessem desenvolver-se usando menos insecticidas.

“O desapontante foi quando o testamos no campo não termos encontrado nenhuma redução significativa nos afídeos, não obtivemos os resultados que teriam sido úteis para levar isto adiante”, diz Toby Bruce, ecologista químico na Rothamsted. “Foi muito triste.”

Os testes de campo, que tiveram início em 2012, tornaram-se conhecidos quando manifestantes anti-GM ameaçaram destruir a cultura e realizaram protestos nos terrenos da Rothamsted. Os protestos não perturbaram a investigação mas tornar o local seguro acrescentou cerca de US$2,8 milhões ao custo do estudo.

Os níveis de afídeos observados nos testes de campo eram baixos, tão baixos que o trigo poderia não ter pulverizado com pesticidas se se tratasse de um campo plantado comercialmente, revela a equipa Rothamsted num artigo publicado na revista Scientific Reports. Mas comparada com uma cultura de trigo controlo, as culturas GM não tiveram maiores produções, não reduziram mais os afídeos e não mostraram aumento nos ataques de predadores de afídeos, como vespas parasíticas e joaninhas.

“O campo é o árbitro supremo”, diz John Pickett, ecologista químico que liderou o trabalho. “Esta hipótese foi demonstrada falsa.”

Pickett diz que os investigadores não vão abandonar a ideia das feromonas completamente pois existem razões para acreditar que pode funcionar se o teste de campo for modificado.

François Verheggen, que trabalha com feromonas de insecto e gestão de pragas na Universidade de Liège na Bélgica, considera que são necessários altos níveis de feromonas de alarme para atrair os predadores de afídeos. As feromonas emitidas pelo trigo no teste da Rothamsted apenas teriam atingido os níveis suficientes após 71 dias, deixando as culturas desprotegidas antes disso, diz ele. 

E, acrescenta ele, porque o trigo do teste libertou as feromonas continuamente, os afídeos podem ter-se habituado ao sinal. Os afídeos são repelidos sentem fortes diferenças nas emissões de feromonas entre uma área e outra.

A equipa Rothamsted planeia modificar a sua cultura para emitir a feromona numa explosão, simulando a libertação natural, e não de forma contínua. Também poderão tentar testar a cultura em áreas que tenham concentrações muito maiores de vespas parasíticas, diz Pickett.

Jonathan Gershenzon, que estuda química vegetal no Instituto Max Planck de Ecologia Química em Jena, Alemanha, diz que não esperava que emissões contínuas de uma feromona funcionassem. A sua equipa já demonstrou anteriormente que uma versão transgénica da angiospérmica Arabidopsis thaliana, que emite uma feromona de alarme, não fica protegida contra os afídeos.

“Foi bom que tivessem tentado, é um sistema diferente com o trigo, é um afídeo diferente” e fizeram-no em condições de campo, diz ele. “Dou-lhes muitos pontos por tentarem e ainda mais pontos por estarem dispostos a publicar dados negativos. Mostra como a ciência pode funcionar.”

 

 

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