2015-06-26

Subject: Extremos climáticos cada vez mais associados a aquecimento global

Extremos climáticos cada vez mais associados a aquecimento global

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@ Nature/Michael Heiman/Getty Images

As tentativas para atribuir os eventos climáticos extremos às alterações climáticas têm falhado frequentemente por olharem para o lado errado, alegam os climatólogos. Ao focarem-se na subida das temperaturas, marés e humidade atmosférica em vez de alterações caóticas e altamente variáveis na circulação atmosférica, dizem eles, os cientistas podem ser capazes de identificar melhor a pegada humana em eventos destrutivos como o furacão Sandy, que devastou a costa atlântica dos Estados Unidos em 2012.

“Uma pequena alteração pode fazer uma grande diferença", diz Kevin Trenberth, climatólogo no Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder, Colorado, e autor principal de um artigo de perspectiva publicado na última edição da revista Nature Climate Change. “É isso que quebra recordes e te empurra para lá dos limiares anteriores, é aí que os danos sobem tremendamente.”

Trenberth começou com a observação de que o aquecimento global está a aumentar tanto as temperaturas atmosféricas como as da superfície do mar por todo o globo, o que fez subir a quantidade de vapor de água na atmosfera em cerca de 5% desde 1950. Este facto desencadeou tempestades maiores e, no caso de furacões e tufões, tempestades que se deslocam sobre oceanos que estão 19 cm mais altos que no início do século XX. Essa subida do nível do mar aumenta a altura das ondas e das ondas de maré quando as tempestades atingem terra.

No entanto, muitos estudos que analisam os extremos climáticos focam-se na circulação atmosférica, que é inerentemente caótica e altamente variável. Essas pesquisas frequentemente não encontram evidências de grandes alterações no tipo de tempestade ou na sua frequência mas isso não quer dizer que o aquecimento global não esteja a ter o seu efeito, diz Noah Diffenbaugh, climatólogo na Universidade de Stanford na Califórnia. “Esta perspectiva está a refocar a nossa atenção nas causas e ingredientes subjacentes aos eventos climáticos extremos, o que é uma mensagem muito útil", diz ele.

A equipa de Trenberth aplicou a sua metodologia a vários eventos extremos, incluindo o furacão Sandy. Nesse caso, os modeladores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, que previram acertadamente o percurso da tempestade com uma semana de antecedência, simularam a mesma tempestade mas com temperaturas superficiais do mar inferiores. Os seus resultados sugerem que as temperaturas superficiais do mar mais elevadas devidas às alterações climáticas aumentaram o tamanho e força da tempestade, provocando mais 35% de precipitação. Combinada com o nível superior do mar, sugere Trenberth, essa precipitação adicional pode ter sido suficiente para inundar os túneis do metropolitano e levando aos estimados US$65 mil milhões em danos.

A equipa também desafia um estudo de 2014 que não revelou associações entre as alterações climáticas e um forte sistema de tempestades que causou inundações em Boulder, Colorado, em Setembro de 2013. Apesar de padrões atmosféricos invulgares terem sido certamente o principal motor, refere Trenberth, o estudo não levou em consideração as temperaturas anormalmente elevadas da superfície do mar ao largo da costa oeste do México, que lançaram quantidades prodigiosas de água para a atmosfera.

Co-autor desse estudo, Martin Hoerling, contrapõe que o tipo de quadro proposto por Trenberth simplifica excessivamente as coisas: “Os eventos extremos não nascem apenas de grande quantidade de vapor de água e oceanos quentes.” Mais, diz ele, o desafio socialmente relevante é compreender e prever os eventos extremos e não apenas atribuir contribuição ao aquecimento global depois de terem ocorrido.

Diffenbaugh também foi co-autor de um artigo sobre tendências extremas de temperatura publicado na revista Nature. Nele revelou que a acumulação de calor na atmosfera pode ser responsável por grande parte da subida nas temperaturas altas extremas, bem como por uma descida média das temperaturas baixas extremas na América do Norte, Europa e Ásia. Mas os seus resultados sugerem que a circulação atmosférica também desempenhou o seu papel. A equipa não tentou determinar se estas alterações de tempo foram causadas por aquecimento global ou qualquer outro factor.

A análise na Nature confirma algumas teorias básicas sobre a forma como as alterações climáticas estão a afectar os extremos de temperatura “mas faz pouco para decidir ou aliviar as discordâncias”, diz Judah Cohen, perito atmosférico na Investigação Atmosférica e Ambiental, um centro privado de investigação em Lexington, Massachusetts. Especialmente, diz Cohen, o artigo da Nature não responde às questões persistentes sobre se o rápido aquecimento no Árctico pode afectar os padrões climáticos noutras zonas, contribuindo talvez para o tipo de tempestades de Inverno que têm atingido os nordeste dos Estados Unidos nos últimos anos.

Trenberth teme que os climatólogos percam tempo em infindáveis e muitas vezes fúteis argumentação sobre os fenómenos climáticos complexos: "A comunidade climática passa o tempo a discutir coisas trocadas e  o nosso artigo fornece um enquadramento para alcançar algumas respostas.” 

 

 

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