2015-06-24

Subject: Bactérias podem ajudar morcegos a combater fungo mortal

Bactérias podem ajudar morcegos a combater fungo mortal

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@ Nature/US FWS/Ryan Von Linden, NY Dept Environmental Conservation/SPL

Os morcegos dos dois locais de campo no Illinois de Marm Kilpatrick pereceram tal como previsto. As minas albergavam perto de 30 mil morcegos antes do síndroma do nariz branco, uma doença fúngica mortal, aí ter chegado no final de 2012. Em Março de 2015, menos de 5% dos animais estavam vivos.

Kilpatrick, ecologista de doenças na Universidade da Califórnia, Santa Cruz (UCSC), escolheu as minas por estarem directamente no caminho do fungo, que se propagou da Europa a 26 estados europeus e 5 províncias canadianas desde Janeiro de 2007.

Apesar de os investigadores serem, neste momento, incapazes de impedir a propagação do fungo, há razão para algum optimismo cauteloso: podem estar para breve tratamentos que ajudem os morcegos a manter a infecção afastada, pelo menos durante uma estação.

O objectivo, diz Chris Cornelison, microbiólogo na Universidade Estadual da Georgia em Atlanta, é garantir que quando os investigadores encontrarem soluções a longo prazo para a doença, “ainda existam morcegos para tratar”.

O fungo Pseudogymnoascus destructans cresce sobre os morcegos enquanto estes hibernam no Inverno, enterrando-se nos seus narizes, ouvidos e asas. Os animais que sobrevivem até à Primavera geralmente ultrapassam a infecção à medida que os seus corpos aquecem, algumas espécies chegam a faze-lo ano após ano. Mas outras espécies são acordadas sucessivamente durante a hibernação pela infecção, queimando preciosas reservas de gordura e levando os animais a morrer de fome. Alguns chegam mesmo a abandonar os locais de hibernação em pleno Inverno, numa fútil tentativa de obter alimento.

“Saem das cavernas no Inverno e tentam entrar nas casas das pessoas, igrejas ou escolas", explica Jeremy Coleman, coordenador nacional da investigação do síndroma do nariz branco no Serviço de Pesca e Vida Selvagem americano em Hadley, Massachusetts. “Morrem pelo chão.”

Kilpatrick descobriu que uma bactéria encontrada nas asas dos morcegos pode ajudá-los a combater a infecção. Em Abril, os cientistas publicaram um artigo na revista PLoS ONE demonstrando que duas estirpes da bactéria Pseudomonas fluorescens matam o fungo do nariz branco em culturas celulares. No Inverno passado, os investigadores aplicaram o tratamento a morcegos em laboratório e, ainda que não tenham publicado os seus resultados, Kilpatrick espera testar as bactérias na natureza em breve.

Outros estão a examinar se os compostos orgânicos voláteis produzidos por bactérias do género Rhodococcus, encontradas no solo, conseguem matar os esporos do fungo do nariz branco. Durante um teste de campo no Missouri no Inverno passado, Cornelison tratou morcegos com esses compostos durante 48 horas antes de os voltar a libertar na sua caverna para hibernarem por mais 4 meses. Em Maio, os investigadores revelaram que os morcegos estavam livres da doença, originando notícias de uma potencial cura.

Cornelison alerta contra esse tipo de celebração. A sua equipa ainda está a analisar os dados do teste e não revelou quantos morcegos foram tratados e libertados ou como se portaram os controlos. Mas mesmo que estes tratamentos bacterianos sejam eficazes, serão apenas soluções a curto prazo. O fungo persiste nas paredes das cavernas durante o Verão e os morcegos não parecem desenvolver imunidade contra ele, pelo que os investigadores precisariam de tratar os animais todos os anos para os manter saudáveis.

As soluções duradouras, pelo contrário, permanecem esquivas. Alguns cientistas esperam desenvolver uma vacina mas ainda precisam de perceber o desencadeia o sistema imunitário no seu combate ao fungo, diz Ken Field, eco-imunologista na Universidade Bucknell em Lewisburg, Pensilvânia. Os morcegos produzem naturalmente anticorpos contra o fungo mas não há evidências de que isso os ajude a sobreviver.

Outros investigadores estão a promover uma solução de longo prazo mais radical: alterar o fluxo de ar nas minas onde os morcegos hibernam para tornar os locais menos hospitaleiros para o fungo do nariz branco. Os locais onde os morcegos sobrevivem à infecção tendem a ser relativamente frescos e secos logo ao abrir novas rotas para o exterior, os investigadores podem arrefecer e desumidificar o ar nas minas que são demasiado quentes e húmidas.

Há a possibilidade de a manipulação do fluxo de ar puder levar os morcegos a abandonar o habitat, diz Kate Langwig, ecologista na UCSC. Mas ela defende que vale a pena tentar pois em alguns dos locais o fungo do nariz branco mata cerca de 90% dos morcegos presentes. Nos primeiros cinco anos em que esteve presente nos Estados Unidos, o fungo matou mais de 5,5 milhões de animais.

Entretanto, os Estados Unidos e o Canadá estão a desenvolver e implementar estratégias para coordenar o trabalhos dos cientistas e dos governos nacionais e locais, abrangendo estudos laboratoriais e de campo a esforços para impedir que as pessoas transfiram inadvertidamente o fungo para cavernas não contaminadas.

O problema dos morcegos é “aflitivo e desmoralizante”, diz Winifred Frick, ecologista na UCSC. “Mas tenho esperança por causa da quantidade de energia criativa e dedicação que as pessoas estão a colocar neste problema.Se as soluções existirem, havemos de as encontrar.”

 

 

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